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terça-feira, 3 de outubro de 2017

10 Anos

10 Anos é muito tempo
Muitos dias, muitas horas a cantar
10 Anos é muito tempo
Deste tempo inteiro que eu vos quero dar

Este é o refrão da letra de uma música de Paulo de Carvalho, que poderíamos adaptar para o nosso triste caso de um licenciamento de Câmara Municipal de Setúbal, considerado por nós ilegal e portanto passível de levar à demolição total ou parcial desta aberração urbanística numa das entradas/saídas da Cidade de Setúbal, a Avenida D.Manuel I.
No já longínquo dia 3 de Outubro de 2007, dia de Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Setúbal, ficamos a saber que a nossa querida e reeleita Presidente Maria das Dores Meira ia passar neste local no âmbito de um estudo elaborado por um munícipe sobre coisas menos boas na sinalização do trânsito em várias artérias da Cidade.
Esperamos o tempo suficiente (até às 17:45) e acabamos por abandonar o local, não fosse ter havido alguma alteração de última hora que levasse à mudança de percurso ou agenda, já que a hora da sessão pública estava marcada para as 18:00.
Tínhamos feito o trabalho de casa: tínhamos consultado o projecto deste mamarracho na divisão de Urbanismo, estávamos atentos às movimentações no terreno, tínhamos pedido uma audiência a 3 de Julho ao Vereador do Urbanismo André Martins (reunião teve lugar em finais de Janeiro de 2008 já no decorrer da nossa 2ª Providência Cautelar) e queríamos saber o que realmente ia acontecer neste local, que sempre tinha sido referenciado como um local onde seria construído um parque infantil.
Inscritos para falar na sessão ordinária, relativamente ao assunto já referido, ficamos a saber o que pensava a nossa querida Presidente Maria das Dores (que afinal tinha passado por lá depois de nós termos abandonado o local) e que ficou registado na acta desta sessão pública:

"(...) era algo estranho, que pudessem vir a ser construídos lotes no local (...)"

Foi o que também sempre achamos: ESTRANHO!!!
Aguardamos sinceramente que na decisão judicial do nosso processo o(s) Sr(s) Juiz(es) tambem achem o mesmo e mandem demolir o "Muro da Vergonha".
Olhando para trás e para as explicações oficiais que os serviços da Câmara Municipal de Setúbal (e que pode ser lido na integra aqui) deram às nossas dúvidas/questões, e para uma foto de 01/02/2009 deste mamarracho em fase de construção, apercebemo-nos da incompetência dos referidos serviços, que se calhar nem olharam para o projecto (com 13 volumes, que nós consultamos por várias vezes), que viria a ser aprovado a 26/12/2007

(...) que o edifício a construir no alinhamento da banda já edificada sobre a Av. D. Manuel I só terá 6 pisos, dos quais 5 para habitação e um para estacionamento e comércio, acrescendo que, dado o acentuado declive da avenida, a cota da sua cobertura será inferior à que se verifica no prédio imediatamente a norte. (...)

Se não fosse um documento oficial, ainda poderia ser considerado uma anedota!

domingo, 1 de abril de 2012

O regresso do Sheik

Apesar de tentar passar despercebido, tem sido visto com alguma regularidade por estas bandas, o nosso conhecido Sheik Al-Kuchete.
Para aqueles que não acompanham esta novela desde o início, ou para os mais distraídos, recordamos que este Sheik era (e pelos vistos aí é, depois da atribulada Primavera Árabe) um homem de confiança de alguns governantes árabes, que ficou rapidamente multi-milionário depois de ter descoberto petróleo no seu quintal. Na posse de tanto dinheiro, logo começou à procura de bons locais para investir.
O Sheik tinha regressado às Arábias em finais de 2008 depois de terminada a sua principal missão por estas bandas (espionagem industrial), levando informações vitais sobre uma construtora de sucesso que operava num pacato bairro de Setúbal.
Após ter saído num jornal local, uma imagem da sua chegada ao deserto da Fonte do Lavra no já longínquo dia 06 de Julho de 2008, conduzindo num Ferrari ultimo modelo (condizente com o seu estatuto) e acompanhado do seu guarda-costas pessoal, nunca mais conseguiu o tão desejado anonimato como a sua missão de espião o exigia.

Ao que conseguimos apurar, o Sheik Al-Kuchete, descobriu através da Internet que a construtora que ele tinha estado a observar secretamente na sua anterior estada, estava a passar por enormes dificuldades financeiras e que o acordo conseguido no final da primavera passada com 3 instituições bancárias não tinham produzido os efeitos desejados, tendo-se visto obrigada a vender ao desbarato a maior parte dos seus estaleiros em diversas zonas de Portugal, continuava a não ter capacidade financeira para terminar uma magnifica construção, precisamente no local onde alguém muito mal intencionado, lhe tinha tirado uma foto à sua chegada á Fonte do Lavra, foto essa que saiu no pasquim que referimos anteriormente.

Este magnífico edifício foi publicitado com pompa e circunstância numa Imobiliária de renome, mas a falta de recursos financeiros das famílias portuguesas levou a que não se tenha conseguido vender um único apartamento, apesar dos preços serem convidativos e da soberba vista, sobre o Estuário do Sado e da Serra da Arrábida.

Se calhar a imagem que aparecia na revista da Imobiliária não era a que mais favorecia esta magnífica construção. Penso que a fotografia seguinte, onde se pode apreciar as linhas sóbrias e geométricas, da fachada virada para a Avenida D. Manuel I, dão uma melhor noção da elegância deste projecto arquitectónico.

Quando recebeu por email fotografias desta zona, em que se via um claro abandono de toda a zona envolvente, até lhe veio uma lágrima ao olho (o Sheik apesar de ser uma pessoa riquíssima, continua a ser uma pessoa sensível, coisa que é difícil de encontrar nos dias de hoje).

Como uma das coisas que o atraiu por estas bandas foi o clima, e como Portugal continua a ser um país acolhedor para quem nos escolhe para residir/trabalhar, o Sheik resolveu comprar todo o Edifício Encosta do Rio II, onde espera alojar as suas 47 mulheres (uma por apartamento), reservando um apartamento para só para sí (tipo refúgio), 5 apartamentos para criados e seguranças, ficando os restantes 20 apartamentos para acolher amigos ou outros visitantes de ocasião. O nome do imóvel será alterado para Edifício Al-Meirim em homenagem ao bom melão que se produz naquela região, e que é uma das frutas favoritas do Sheik.
As lojas ao nível da Rua Bartolomeu Dias ficará ocupado com uma creche (para dar apoio aos seus 17 filhos ainda bebés) e um amplo refeitório. O escritório da construtora será remodelado para ser o local onde o Sheik irá gerir o seu poço de petróleo e os seus diversos investimentos por toda a Europa.
Nas restantes lojas viradas para a Avenida D. Manuel I, serão adaptados os dois pisos superiores para salas de aula dos seus 28 filhos menores, onde aprenderão a religião, história e cultura árabe. As lojas do piso térreo serão locais de venda de artesanato feito pelas suas mulheres.
Sabemos de fontes próximas do Sheik, que este pensa abrir o mais depressa possível a passagem que vai permitir aos moradores da zona nascente deste bairro, terem novamente um acesso rápido à Avenida Belo Horizonte, depois da construtora ter encerrado à mais de 3 anos o famoso caminho de cabras, que possibilitava este acesso.

Quanto à inauguração da majestosa escadaria, (um autêntico monumento ao bom gosto) que vai ligar a Avenida D.Manuel I com a Rua Bartolomeu Dias, esta já está agendada para o próximo dia 25 de Abril. Já lá vão mais de 3 anos que esta autêntica aventura de escalada foi interdita ao público, o que muito perturbou as rotinas diárias de quem a utilizava com alguma regularidade.

Contudo, o que mais emocionará toda a Cidade de Setúbal, será certamente o reencontro da nossa amiga Camila com o saudoso Camelo Ferrari.

Camila continua a morar num modesto T0 cedido pela autarquia, depois de ter sido corrida da sua sumptuosa mansão.

Como reconhecimento da forma afável como foi recebido no bairro, apesar de vir de uma cultura completamente diferente, o Sheik vai remodelar e reequipar (finalmente) o nosso Parque Infantil que se encontra num estado deplorável, apesar de nos terem prometido desde meados de Novembro de 2007, que ele iria ser objecto de obras, co-financiadas por fundos europeus (a placa colocada no local desde essa data atesta esta afirmação).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Recordar é viver: Os porcalhões

Certamente que já colocou a si próprio a seguinte questão: Porque será que os porcos gostam de lama?

Os porcos não têm glândulas produtoras de suor. Então, para equilibrar sua temperatura, precisam refrescar a pele de outra maneira.
Assim, quando encontram poças de água, molham-se para arrefecer o corpo. Contudo, muitas vezes, só encontram lama por perto e aí se lambuzam no barro para se refrescar.
Além disso, a lama ajuda a proteger a pele dos raios do Sol e protege-o de picadas de insectos.
Decorria o mês de Janeiro, do ano da graça de 2008, quando de repente ficamos rodeados de um extenso mar de lama. Se houvesse uma suinicultura nas proximidades do bairro Fonte da Lavra, certamente estaríamos habituados a conviver com extensas áreas de lama.
Para compensar a falta de porcos, fomos visitados por uma nova espécie animal - os porcalhões - que também adoram viver na lama, apresentando uma vantagem significativa em relação aos porcos verdadeiros: não libertam cheiros nauseabundos, que teriam certamente complicado ainda mais, a já difícil convivência com esta espécie animal. Para evitar que fizessem as suas necessidades ao ar livre, foi posta à sua disposição um sanitário portátil, colocado estratégicamente de forma a libertar somente um pequeno aroma nas redondezas, para que esta espécie fosse facilmente identificada, pelos que tiveram a pouca sorte de ter de conviver com eles.

Esta imagem faz parte do artigo "Aromas", publicado no já longínquo dia 08-01-2008.
Na imagem seguinte, fizemos uma composição com algumas das muitas fotografias que documenta a passagem por estas paragens de tão pouco recomendável espécie - os porcalhões.

Na altura, foram publicados vários artigos sobre o tema, dos quais destacamos os seguintes:

Mas quem julgava que esta espécie corria o risco de extinção, ficou 'agradavelmente' surpreendido com o seu regresso, alguns meses depois, a chafurdar no outro muro.
Eis algumas imagens, retiradas do artigo Badalhoquices q.b., publicado em 19-01-2009.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Recordar é viver: Dar com a língua nos dentes

Diz a voz popular que há mil e uma maneiras de fazer bacalhau. Não sei ao certo se serão efectivamente mil e uma mas, que há muitas formas, lá isso há e quase todas elas resultam em excelentes petiscos. Se me perguntassem qual o meu prato preferido de bacalhau, a minha escolha seria o bacalhau com broa

Se é verdade que há mil e uma maneiras de fazer bacalhau, não é menos verdade que por terras dos Algarves também arranjámos mil e uma maneiras de confeccionar atum e por exemplo os belgas têm outras tantas de fazer mexilhão.
Por aqui, também existem mil e uma maneiras de fazer um artigo, que não deixe cair no esquecimento o que para nós foi um atentado urbanístico, perpetrado pela Sociedade de Construções H.Hagen, num projecto de Habitação de Custos Controlados do IHRU-Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, com a bênção da Câmara Municipal de Setúbal que licenciou tal projecto. Reinventamos regularmente esta novela, que em longevidade bate aos pontos o Anjo Selvagem da TVI, que segundo as minhas pesquisas foi a telenovela mais longa da Televisão portuguesa.
O processo judicial vai avançando a passo de caracol (esteve em banho-maria desde finais de Fevereiro até início de Outubro) e sabe-se lá daqui a quanto tempo haverá alguma qualquer decisão.
Quando este blogue começou, à precisamente 4 anos, sabíamos que a Internet é o veículo que actualmente chega mais rapidamente a um numero maior de pessoas e foi aí que apostamos, para dar com a língua nos dentes.
Começamos pouco a pouco a adquirir conhecimentos, que maximizassem o impacto pretendido e chegamos a um ponto em que os artigos eram escritos na hora, ao sabor dos acontecimentos. Alguns foram escritos 'muito a quente', já que a tensão era enorme.
Com a suspensão das obras, enquanto era apreciada a nossa 2ª Providencia Cautelar, ficamos rapidamente sem assunto que justificasse uma visita contínua, por parte dos visitantes regulares que entretanto tínhamos conquistado.
Tentamos fazer alguma pesquisa na Biblioteca Municipal sobre o Bairro, pesquisa de fotografias antigas, etc., mas era tudo muito curto. Iniciamos então uma fase de angariação de novos visitantes através de métodos artificiais, conseguindo com isso chegar cada vez mais longe no nosso objectivo principal, que era levar a nossa denuncia o mais longe possível. Esses métodos aproveitavam vulnerabilidades da Internet que aparentemente já foram corrigidas. Desta fase, que passou por várias etapas, sobrou o nosso Suplemento Kultural que ainda hoje é o nosso maior veículo de divulgação do blogue, e que vai continuar o tempo que for preciso, para não deixar cair o assunto em esquecimento. Nunca fizemos segredo de que andávamos a recorrer a métodos pouco habituais (como provam os links acima assinalados, entre outros espalhados por todo o blogue), mas como diz o velho ditado português "O fim justifica os meios".
Neste momento estamos a reescrever esta novela na rubrica "Recordar é viver" onde aproveitamos o aniversário de datas relevantes nesta novela, para divulgar factos novos provenientes de meses de investigação, que na altura não foram referidos, porque não foram devidamente contextualizados no que estava a acontecer, o que nos vai ocupar seguramente até à próxima primavera.
Regularmente, será repensada uma nova estratégia, para manter esta chama acesa.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Recordar é viver: Animação precisa-se

[...] acautelar os direitos dos cidadãos em ordem a que, entre outros:
  • Os caminhos não alargassem sobre os prédios dos "outros" e não encolhessem sobre os prédios dos "amigos";
  • Os "amigos" não construíssem um qualquer prédio e aos "outros se "aplicasse a lei":
  • As licenças públicas não tivessem que ser pagas, também, a privados;
  • A que, nos ditos concursos de acesso ao emprego nas autarquias locais, não ganhasse o "concorrente" que todos já conheciam;
  • O dinheiro publico não circulasse apenas dentro do mesmo circulo de interesses e entidades, num autentico cerco ao dinheiro público, o que faz lembrar que: "Eles comem tudo e não deixam nada";
  • Os jovens engenheiros, arquitectos, projectistas e outros profissionais tivessem acesso livre ao mercado da profissão e que este não fosse capturado por eleitos e outros profissionais das autarquias;
  • As empresas pudessem concorrer em pé de igualdade sem se verem preteridas pelas empresas do "circulo de interesses", quando não dos próprios, das suas esposas e outros familiares e amigos;
  • Os trabalhadores das autarquias exercessem as suas funções em consciência, sem servilismos e sem ilegalidades;
  • [...]
Poderia ter sido eu, o João ou um Zé desta Tugalandia à beira mar plantada a escrever estas frases, mas pelos vistos foi um tal de Orlando dos Santos Nascimento, juiz-desembargador na sua carta de despedida como Presidente da Inspecção-Geral da Administração Local (IGAL). O Pdf a que tive acesso tinha algumas frases em relevo, de entre as quais retirei as que acima referi.
Desconhecendo totalmente o assunto, recorri à Internet para me actualizar, já que o tema me é querido. Um dos resultados da pesquisa era uma autêntica 'pedrada no charco'...

Extinção da IGAL - um favor deste governo aos autarcas corruptos

O Governo decidiu, no seu afã "reformador", extinguir a Inspecção-Geral da Administração Local. O seu Presidente, o juiz-desembargador Orlando dos Santos Nascimento, publicou no site do IGAL uma carta com a sua posição.
Miguel Relvas demitiu o Presidente e fechou o site, para que ninguém aceda à carta.

Nem sequer vou comentar!
Se acreditasse na classe politica, poderia ficar mais descansado, já que também li no artigo do jornal Sol que

[...] Segundo o gabinete do ministro Miguel Relvas, as competências da IGAL serão transferidas para a Inspecção-Geral de Finanças – onde deverá ser criada uma secção especializada. Ou seja, a fiscalização das autarquias prosseguirá. [...]

Todo este texto serviu para introduzir, o que retiramos hoje do nosso álbum de recordações: no já longínquo dia 18 de Outubro de 2007, no ínicio da sessão ordinária da Câmara Municipal de Setúbal, a nossa querida e sempre elegante Presidente Maria das Dores Meira cumpriu o prometido e forneceu a informação que considerou relevante sobre a questão levantada pelo representante dos moradores da zona junto ao Viaduto sobre a Av. D. Manuel I

A questão relacionada com os munícipes da Avenida D.Manuel I era algo complexo, [...] De acordo com o processo que tinha em seu poder, O Plano de Pormenor em curso iria assentar na criação de uma zona habitacional de qualidade, com espaços públicos de lazer bem como de actividades ligadas ao comercio, serviços e equipamentos.[...]

Pelos vistos esta informação não foi suficiente para acalmar os moradores presentes e novamente, o representante dos moradores pediu para intervir, assim como outro morador, que interveio a seguir. Com uma aparência pouco serena, lá começou um relato de tudo o que era conhecido na altura e com a 'cabeça quente' diz-se o que se deve e o que não se deve.
Estas sessões são por vezes tão maçadoras, que somente os interessados em algum assunto em debate, aguentam. De vez em quando lá aparece uma 'pedrada no charco' para animar a coisa e, se alguém estava meio adormecido com o desenrolar da sessão que não tinha tido 'casos', certamente acordou quando ouviu uma frase que fez as delicias da assistência e da comunicação social (local e regional) presente:

[...] referia-se a ligações perigosas entre a construtora Hagen, a Câmara Municipal e outros organismos públicos. [...]

Se estas frases podem ser ditas em conversas com amigos, ou à mesa do café, não podem ser ditas em público, num local onde tudo é gravado e é feita uma acta com o seu conteúdo, sem que haja as devidas consequências.
Como resposta, a Sra. Presidente disse que pretendia esclarecer ao pormenor toda esta situação, já que as questões colocadas pelo munícipe eram preocupantes e foram consideradas graves as afirmações proferidas.
Se esta afirmação tivesse que ser provada em Tribunal, poderíamos fornecer para análise, alguns dados relevantes de uma incursão aos arredores de Lisboa, onde nos confidenciaram que as relações familiares, entre responsáveis da H.Hagen na altura e da Divisão de obras da Câmara de Setúbal era um impedimento para que Concursos públicos de relevo, como o da recuperação das Escarpas de S.Nicolau ou a construção do Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I, não tivessem um vencedor já à partida. Se lermos nas entrelinhas a declaração de voto do Vereador Paulo Valdez, constante na acta da sessão pública de 15-10-1996, onde foi dado como vencedora do Concurso Público para a construção do referido Viaduto a empresa H.Hagen, talvez se faça luz sobre alguma dúvida que ainda paire no ar.
Quanto aos boatos mentirosos que por aqui circulavam na altura, esses é que seriam difíceis de provar. Como se conseguiria provar que a H.Hagen construiu o Viaduto de borla porque recebeu em troca os terrenos em redor, onde poderia construir? Como se explicaria a saída dos 162 636 270$00 dos cofres da autarquia, para pagar a construção do Viaduto? Como iria ser feita a transmissão da propriedade dos terrenos envolventes. ainda em nome do FFH, (provenientes da expropriação nos anos 60 de grandes parcelas de terreno) e que aquando da sua extinção foram entregues à Câmara Municipal de Setúbal, que nunca actualizou os referidos registos, porque isso custa dinheiro. Toda essa documentação é única e pode ser ocasionalmente 'perdida'.
Para sair desta embrulhada e manter os compromissos entretanto assumidos, podia-se, por exemplo, criar um (ou mais) concurso(s) público(s) fictício(s) para legalizar tudo isso, mas por mais que se tente, há sempre pontas soltas que são difíceis de controlar...
Se não tivéssemos a noção que tudo isto não passam de boatos mentirosos, poderíamos até dizer que se tratava de uma teoria da conspiração.

Mais pormenores podem ser obtidos, pela leitura da acta da referida sessão (22/2007) e na Revista de Imprensa, que publicamos no artigo com o mesmo nome em 31-12-2007.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Recordar é viver: Tapar o sol com uma peneira

O melhor deste povo português é conseguir, num espaço muito curto de tempo, arranjar uma anedota, uma frase ou algo jocoso sobre uma situação, que pode ser até de humor negro. Veja-se a facilidade com que se criam anedotas sobre a Madeira e o Alberto João Jardim.
Ainda sou do tempo em que o quilo do arroz agulha custava 2 tostões e de que tambem fazer humor deste tipo tinha outras nuances, não fossem as paredes terem ouvidos e aparecerem uns senhores de fato preto que nos levavam, sabe lá Deus para onde.
Lembro-me de uma pergunta/resposta, que se contava no início dos anos 70:

- O que disse o Chefe da Estação de Santa Comba Dão quando chegou o comboio com o cortejo fúnebre de Salazar?
- Este comboio vem atrasado 40 anos!

O bom ou o mau gosto deste tipo de humor depende e dependerá sempre dos interlocutores. Vai haver sempre quem ache piada e sempre quem reprove este tipo de coisas.
Esta foi a parte lúdica que serve de introdução, à página que hoje abrimos no nosso álbum de recordações.

No dia 10 de Outubro no já longínquo ano de 2007, apareceram por aqui uns senhores, que não vinham vestidos de preto, mas que vinham substancialmente atrasados. Pelas minhas contas, também não vinham atrasados 40 anos mas mais precisamente 483 dias, e já damos de bónus a totalidade dos 30 dias que a lei prevê para a fixação no local onde se pretende fazer uma operação urbanística, a partir da entrada do pedido de licenciamento na entidade competente. Se a lei fosse igual para todos, a não publicitação do respectivo pedido, daria lugar a uma coima e, no limite poderia conduzir ao indeferimento do pedido de licenciamento.
Estes senhores carregavam o peso de uma placa, que se referia a um tal de Projecto 274/06 que tinha dado entrada nos serviços da Câmara Municipal de Setúbal em 15/05/2006.
Se fizermos uma simples conta de somar e adicionarmos a intervenção policial no dia 19/09/2007 que deu origem ao ofício 12484/ESQIC/BIC enviado à CMS a 30/09/2007 (ver a 1º parte desta nova rúbrica - Recordar é viver: O ínicio do fim!),o fax nº58773 enviado pelo INH/IHRU a 23/08 (ver a 2ª parte desta nova rúbrica - Recordar é viver: Entrega dos Oscars), a pergunta nº 4 do nosso jogo 'Quem quer ser milionário?' (que ainda não acabou) e a intervenção do representante dos moradores na Sessão Pública Ordinária da CMS de 03/10/2007 a que nos referimos no artigo anterior, podemos concluir que a lei não é igual para todos, que pretendiam esconder até à ultima, os planos 'tenebrosos' para esta terra de ninguém e que a fiscalização não funciona porque não é humanamente possível ou mais grave do que isso, não interessa incomodar quem nos dá o pão que pomos na mesa.
O projecto do outro mamarracho com o nº 172/07 deu entrada nos serviços da CMS em 04/05/2007 e por arrastamento também teve direito a uma placa nesse mesmo dia ficando somente com um 'pequeno' atraso de 129 dias, depois de também darmos de bónus a totalidade dos 30 dias que a lei prevê.
As provas de que
já era tarde de mais e de nada valeu tentar 'tapar o sol com uma peneira' estão à vista de todos: um processo em tribunal (que no limite pode conduzir à demolição total ou parcial do 'Muro' da Vergonha) e um blogue incómodo.

Este assunto foi abordado pela primeira vez a 30/11/2007, no artigo com o título '10 de Outubro - O dia de todas as verdades!'

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Recordar é viver: Entrega dos Oscars

Tal como prometido, voltamos a abrir o nosso álbum de recordações.
No já longínquo dia 03 de Outubro de 2007, um grupo de moradores esperou (e desesperou) pela passagem da nossa querida e sempre elegante Presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
Fontes mais do que fidedignas asseguram-nos que ela iria passar no local onde mais tarde iria ser construído este mamarracho que ainda nos atormenta. Obviamente que não nos vinha visitar, mas encontrava-se numa visita guiada pela Cidade de Setúbal acompanhada por um munícipe que fez um estudo exaustivo sobre os problemas de transito, erros de sinalização, etc. e com sugestão de melhorias. Esta zona fazia parte da apresentação à Sra. Presidente pois apresentava um dificuldade óbvia, que os utilizadores aprenderam a contornar e que está devidamente explicada num artigo de 26/11/2007 com o título 'Uma grande volta!'
Por motivos desconhecidos houve um desencontro com a sua passagem e como estávamos dispostos a esclarecer de vez, qual a posição da Câmara de Setúbal sobre esta construção, depois do triste episódio das vedações já aqui relatado, deslocamo-nos à Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Setúbal que ia ter lugar nesse mesmo dia a partir das 18:30.

Para entregar oscars é preciso haver um filme para avaliar, que poderia muito bem ser uma curta-metragem gravada ao vivo e a cores na parte final da Sessão Ordinária da Câmara Municipal, no período reservado ao munícipes. Com um elenco de luxo: Maria da Dores Meira no papel de Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins no papel de Vereador do Urbanismo da Mesma Câmara Municipal e como artista convidado, o representante dos moradores da zona junto ao Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I em Setúbal, poderia muito bem ser apresentado na inauguração triunfal do renovado Forum Luisa Tody que parece que mais uma vez (já perdi a conta às vezes que foram apresentadas datas para as obras) tem a conclusão das suas obras agendadas para o 1º trimestre de 2012.
Nomeação para Melhor Actor: André Martins que nunca abriu a boca para se pronunciar sobre o assunto, coisa que me apercebi ser normal noutras ocasiões, quando a Presidente da Câmara não tinha a melhor informação para dar às questões levantadas pelos munícipes, os Vereadores do pelouro, melhor informados, forneciam informações mais detalhadas.
Poderia pensar-se que se calhar desconhecia totalmente o assunto mas, o nosso trabalho de casa levou-nos a ver dois fax que apresentamos em seguida:
  • Fax n.º 58773 - Para Município de Setúbal
    A/C Vereador André Martins
    Data – 23/08/2007
    Assunto: Autorização administrativa para obras de construção no loteamento da Av. D.Manuel I – Concurso 2/DGS/05 – vosso processo 274/06 (muito urgente)

    Requerimento

    O INH/IRRU, enquadrado pelo estabelecido na alínea c) do artº 7 do decreto-lei – 555/99 de 16 de Dezembro na redacção que lhe foi conferida pelo DL 177/2001 de 4 de Junho, é a entidade responsável pelas obras de urbanização do loteamento (aprovado pela Câmara pela Comissão de Coordenação Regional e da Tutela) e nessa condição, garante perante a Câmara a boa execução dos mesmos, em cumprimento dos respectivos projectos, que se encontram já sancionados pelas entidades licenciadoras e pelos próprios serviços da Câmara. Para o efeito, o valor destes trabalhos já se encontra caucionado pelo promotor perante o INH/IHRU.
    Assim vimos solicitar a vossa urgente intervenção, no sentido de poder ser dado imediato inicio às obras de construção requeridas, sem que o processo venha a ser prejudicado por mais uma transição que julgamos não se justificar.
    Com os melhores cumprimentos

    A Directora
    M. P. F.
  • Fax n.º58965 de 27/08/2007 - Loteamentos da Av. D.Manuel I e QT da Bela Vista

    De M. P. P. (IHRU) para Arq. A. A. com carácter urgente

    Como nosso interlocutor directo nos processos de licenciamento das obras de construção dos empreendimentos de habitação de custos controlados de que a empresa H.Hagen Imobiliária é promotora nos loteamentos da Av. D.Manuel I e Qta da Bela Vista, em Setúbal, junto remetemos cópias dos nossos fax agora enviados ao Senhor Vereador André Martins a respeito do desbloqueamento destes dois processos, no sentido da rápida reabilitação.
    Agradecemos desde já também a vossa contribuição para a resolução destas situações.
Mas Agosto é tempo de férias, as nossas mentes andam ocupadas com tantas coisas que poderia levar-nos a esquecer coisas tão importantes como esta.
Aprofundamos as nossas pesquisas mais um pouco e descobrimos que, depois do parecer técnico favorável sobre o projecto de arquitectura do 'Muro' da Vergonha, feito pelo técnico P. M. A. A. com base no requerimento 7182/06 aparecem 2 carimbos de Concordo a 02/10/2007: do Chefe de Divisão e do Vereador com delegação, de acordo com o despacho 362/06/GAP. Ou seja no dia anterior à realização da nossa curta-metragem.
É preciso ser um grande artista, para manter uma postura impávida e serena como se nunca tivesse ouvido falar neste assunto.
Nomeação para Melhor Actor Secundário: Representante dos moradores que, apesar de no dia 03/07/2007 ter visto o projecto 274/06, juntamente com um Arquitecto da Câmara de Setúbal, no edifício onde funciona o pelouro do Urbanismo, fez a pergunta mais inocente do mundo, quando chegou a sua vez de intervir:

[...] Solicitou que a Câmara Municipal explicasse o que se passava na zona porque a falta de informação dava lugar a boatos e histórias que não tinham qualquer fundamento.

Nomeação para Melhor actriz: Maria das Dores Meira pela brilhante actuação. Nunca consegui dados que provem que ela sabia o que se passava e portanto que mentiu, mas se lermos com atenção a explicação exaustiva que a Câmara Municipal de Setúbal forneceu sobre o assunto e que foi disponibilizada na integra no artigo publicado a 29-12-2007 com o título "Horizontes da Memória", é no mínimo estranho que alguém que ocupe um cargo de responsabilidade na Câmara de Setúbal, primeiro como Vereadora e depois como Presidente, desconheça o assunto na totalidade.
Visivelmente bem disposta, depois de referir que tinha estado no local e de que tinha ficado impressionada com a visita guiada ao transito em Setúbal

(...) Considerou que era algo estranho, que pudessem vir a ser construídos lotes no local e que iria ficar com o contacto do Sr.J. para posteriormente ser dada uma resposta.

Depois de muito ponderar, acho que foi uma maneira ardilosa de fugir a uma pergunta incómoda, cujos contornos ela não vislumbrava e que precisava de mais tempo para ponderar. Uma postura digna de um Oscar.

Para os interessados em mais detalhes é só consultar a acta da Sessão Ordinária nº21/2007 de 03/10/2007. Este assunto já tinha sido abordado a 23/01/2008 no artigo intitulado 'Frases soltas das actas das Sessões Públicas'

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Recordar é viver: O ínicio do fim!

O tempo passa depressa e já lá vão 4 anos, desde o momento em que o azar bateu à porta de quem, numa jogada de antecipação, julgou por bem mandar vedar o espaço onde mais tarde viria a nascer o mamarracho, a que eu carinhosamente chamo "Muro" da Vergonha.

Numa atitude tipicamente Tuga, mesmo encontrando-se o projecto ainda em apreciação na Câmara Municipal de Setúbal, e contando com uma fiscalização ineficiente, avançaram para a vedação de todo este espaço.
Não fora um trabalhador mais zeloso da empresa de vedações, que apesar de ter sido avisado que existia um acesso a uma garagem com uso frequente, insistiu em vedar o referido acesso, o que levou à chamada ao local da PSP (que à falta de qualquer documentação sobre o que ali se passava, mandou interromper as obras e repor a normal circulação de pessoas e viaturas nos passeios entretanto esburacados), talvez esta novela tivesse outros desenvolvimentos.
Somente no dia 28 de Novembro de 2007 foi publicado um artigo, com um título sugestivo 'Ataque de toupeiras?', que era o que melhor retratava o aspecto de todo este espaço.

domingo, 18 de abril de 2010

Imagem do Paraiso

Estávamos em 2005 e ainda não tinha por aqui aparecido, a sempre insaciável goludice imobiliaria, encarregada de transformar uma zona de Setúbal, onde ainda havia alguma coerência urbanística, numa 'coisa' que dentro de uma década poderá assemelhar-se a uma Copacabana, mas sem praia!

À direita da fotografia, foi entretanto construído aquilo a que eu chamo carinhosamente, O 'Muro' da Vergonha.

quarta-feira, 12 de março de 2008

sábado, 8 de março de 2008

Memórias - Uma grande volta

Esta é a imagem actual da zona onde estava implantado o muro.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Memórias - Convívio de crianças

Dos tempos em que um convívio para crianças fazia noticia de primeira pagina.
Agora resta-nos o Dia Mundial da Criança, a 1 de Junho!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008