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domingo, 13 de julho de 2008
Foto da Semana 28
sexta-feira, 11 de julho de 2008
A Receita
Ingredientes:
- Um terreno baldio (de preferência junto a um viaduto)
- Um instituto público (com necessidade de umas massas)
- Uma câmara municipal (que não gosta da sua cidade)
- Uma construtora (à procura do lucro fácil)
- Um secretário de estado (para dar a bênção)
- Um fotografo camuflado da terra (terá a honra de uma ou duas perguntas no nosso jogo)
- Meia dúzia de técnicos (para aprovar)
- Sorte (q.b)
Preparação:
Arranjar uma câmara municipal que não faça muitas ondas.
Procurar uma construtora que não se importe de construir um mamarracho e que tenha familiares nessa câmara para poder dar uns retoques.
Confecção:
Colocar todo o aterro num local próximo onde dê para fazer uma versão caseira de construções na areia, ou que sabe, mesmo um rally. Para que as pessoas que utilizem esse local não tenham problemas de deslocação abrir um caminho de cabras. A abundante sujidade nas ruas nas imediações será um sinal que se está no bom caminho. Se para alem disso os camiões e recroescavadores fizerem um barulho infernal, que será um autentico despertador (todos os dias pontualmente às 8 da manhã quando não é mais cedo) para os moradores das imediações, o produto final ficará com um sabor mais apurado. Um gerador industrial bem colocado por debaixo de uma varanda vizinha fará toda a diferença. Os seus gases incomodativos e tóxicos, para alem do barulho ensurdecedor, ajudarão na obtenção de um produto requintado. Uma grua colocada bem perto de um prédio existente, pode proporcionar bons momentos musicais, seguindo a velha máxima 'alegria no trabalho'. Se chover convem que a sua manutenção seja deficiente para poder distribuir presentes aos moradores, que podem parecer um tanto revoltados por tudo o que os rodeia.
Após ter preparado muito bem o terreno, iniciar a colocação de estacas podendo os operários das obras andarem aos pulos na maquina profuradora (para ajudar a bater bem as estacas) de forma alguma munidos de qualquer equipamento de segurança. Se no meio desta palhaçada cair as calças a algum deles, isso não representa qualquer problema pois servirá de motivo para umas boas gargalhadas dos permanentes observadores em cima do viaduto (ATL local).
Depois de colocadas as estacas podemos começar a construir o mamarracho. Especial cuidado nesta fase em caso de chuva forte. Pode haver derrocada nos terrenos circundantes e o local das escavações pode ficar uma autentica piscina.
É esperado nesta fase algumas peripécias provocadas por uns moradores irrequietos que parece que não têm mais nada que fazer. Há que ter paciência que brevemente esses contratempos vão ser ultrapassados e pode prosseguir alegremente a construção do mamarracho.
Quanto mais depressa se puder avançar nesta fase, melhor. Evitar trabalhar aos sábados porque anda sempre uma maquina fotográfica por perto e não vão fazer queixinhas, apresentando provas.
Manter um ritmo certo é o segredo. Negociar a venda das habitações fora de portas para que ninguém saiba quem são os senhores do papel envolvidos na tramóia. Deixar somente os menos interessantes (sem vista para coisa nenhuma) para meia dúzia de pessoas realmente carenciadas para tentar calar a boca aos críticos.
No final, iniciar a preparação de bancadas (fora do perímetro de segurança) para que o publico da cidade e muitos visitantes de ocasião possam assistir à implosão do mamarracho por ordem judicial, após uma longa e profícua batalha nos tribunais.
Faltando ainda construir três pisos, pode-se fazer já uma ideia de como ficará o produto final.
Dose recomendada para 33 famílias: 25 ricaços e 8 famílias vulgares.
domingo, 6 de julho de 2008
Rewind
Substituem uma vista para uma coisa qualquer, por uma vista para uma barreira sonora que até pode ser bem colorida com vemos por essas auto-estradas fora.
O caso mais mediático que conheço foi o que ocorreu à cerca de 5 anos com a construção do Viaduto em Algés – Lisboa. Aqui fica um artigo da época.
A CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) passou a contar com mais um quilómetro de troço. Trata-se do viaduto de ligação ao nó de Algés que permite o acesso à Marginal e à Avenida Brasília. Coube ao Primeiro-Ministro a inauguração daquela via.
Esta é a parte final daquela circular, que entra assim em Lisboa, mas fica a faltar-lhe um troço a meio do percurso, entre a Buraca e a Pontinha. A promessa do Executivo é de que este «pedaço» ficará pronto até 2005.
Todavia, vários organismos têm vindo a público para contestar a obra agora concluída. Os Bombeiros Voluntários de Algés clamam por melhores acessos ao viaduto e a Câmara Municipal de Oeiras teme o afluxo de transito sobre aquela localidade. Mas os protestos mais firmes vêem dos moradores da zona, que vêem agora uma ponte atravessar-lhes a vista, a cada vez que abrem a janelas de suas casas.
Mesmo partindo do principio que o referido viaduto não tem actualmente um trafego significativo, esse é um dado sempre volátil. Se a edificação nesta zona prosseguir nos mesmos moldes como nós desconfiamos, essa teoria cai logo pela base.
Ainda existe duas situações que os possíveis compradores de tais habitações certamente desconhecem:
- A junta de dilatação a poente do viaduto está danificada e a passagem de veículos a mais de 50 km/h ouve-se bem a algumas centenas de metros e deve-se ouvir ainda melhor por quem mora a escassos metros, isto porque quase ninguém respeita esse limite de velocidade. São poucos os que ali passam, mas são significativamente barulhentos.
- A Avenida Belo Horizonte que integra o referido Viaduto é uma via que devido ao fraco tráfego nesta zona, é utilizada como ‘montra’ para exibir carros ou motos ‘artilhados’ sendo frequente a passagem de um ou vários carros/motos a velocidades bem perto dos 200 km/h. Confrontadas as Autoridade Policiais com tal facto, pediram ajuda aos moradores para tirarem as matriculas dos ‘aceleras’. Tirando os casos esporádicos em que estamos à janela/varanda por qualquer motivo, nem sequer conseguíamos ver a cor dos carros, quanto mais das matriculas.
Para o segundo caso damos duas ideias. Como o fenómeno existe e não podemos tapar o sol com a peneira, ou colocamos um Policia junto a este exemplar do que melhor se faz a nível do urbanismo local ou então colocamos barreiras sonoras e lá se vai a vista privilegiada, que foi o principal motor para o aparecimento deste ‘aborto’ no bairro.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O buzinão
Desconhece-se os motivos dos protestos, mas se o operador estava danado por o suposto rádio de comunicação não estar a funcionar, por o terem deixado abandonado no topo da grua ou por não o terem convidado para almoçar, os moradores estavam com os cabelos em pé com tamanha barulheira.
Pelos vistos ainda não assimilaram que estão a trabalhar numa zona residencial e não no meio do deserto de um qualquer pais do Norte de África.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Aniversário
Punha-se fim a uma série de dúvidas que nos assolavam desde que se iniciaram as obras de mudança de esgotos e aguas pluviais no local onde se continua a construir alegremente o "Muro" da Vergonha (+).
As justificações que as pessoas que se movimentavam na área nos davam constantemente, de que se tratava de impedir a instabilidade dos terrenos onde se tinha construído em 1998 o Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I, devido à infiltração de aguas provenientes dessas condutas, não nos conseguiam convencer (estas obras ficaram manchadas por um acontecimento só possível num país com muita pedagogia por fazer...).
Depois de ter ouvido os comentários um pouco estranhos que um peão do sistema disse a esses moradores, os quais já foram em parte anteriormente referidos, contactei um Advogado que me aconselhou a ir ver o projecto com os meus próprios olhos e a pedir logo de seguida uma audiência com o Sr. Vereador do Urbanismo André Martins, já que este demorava bastante tempo a dar seguimento a esses pedidos (neste caso só demorou quase 6 meses - estivemos reunidos no dia 25 de Janeiro de 2008).
Desloquei-me às instalações da Câmara na manhã o dia seguinte - 3 de Julho de 2007 - e juntamente com um Arquitecto da Câmara observei o projecto que se encontrava em fase de pormenor. Confrontei o Sr. Arquitecto com a sua proximidade ao prédio existente e ele garantiu-me que estava tudo conforme com as leis vigentes.
Não tendo ficado minimamente convencido, ficou o Advogado de estudar a melhor forma de fazer valer os meus direitos como morador e como cidadão.
Começava assim um circo que ninguém pode dizer quando e como vai terminar.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Solidários (Parte II)
A decisão é inédita em Portugal. A Google foi obrigada a remover o blog «Póvoa online», criado não se sabe por quem e disponível na Net desde Maio de 2005. A partir de sexta-feira deixou de ser possível aceder ao blog de forma directa, mas por atalhos ainda se chega lá.
«Póvoa online» é um blog preenchido, quase na totalidade, por artigos que, no entender do Tribunal, atentam contra o direito à honra e credibilidade do presidente e vice-presidente da Câmara da Póvoa de Varzim.
Macedo Vieira e Aires Pereira são as vítimas preferidas deste blog: «corruptos», «parolos», «fascistas» são apenas alguns nomes que lhes são atribuídos. «Críticas não construtivas», lê-se na decisão judicial, que «extravasam o núcleo do direito à liberdade de expressão». Por tudo isto, a Google teve mesmo de suspender o blog.
Curiosamente, não demorou muito até ser criado um substituto para o «Póvoa online». Desta vez chama-se «Póvoa offline» e é feito pela mesma ou mesmas pessoas. As críticas à actuação do presidente e vice-presidente da autarquia continuam, agora ainda com mais ironia. O novo blog disponibiliza ainda a decisão do Tribunal de acabar com o antecessor.
A TVI contactou os autarcas lesados, mas nem o presidente, nem o vice-presidente quiseram falar sobre o assunto."
Até eu como visitante regular à Póvoa de Varzim onde residi durante vários anos, desconhecia esta polémica.
Como bloguista e com uma costela poveira, sou solidário com o(s) autor(es) do blog censurado e a partir de agora visitante assíduo do novo blog entretanto criado - http://povoaoffline.blogspot.com
domingo, 29 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
O boato mentiroso
Sou somente morador na zona à pouco mais de 13 anos, mas desde que para aqui vim morar que estes terrenos eram referidos como camarários e a vivência no local confirmaria isso, já que por várias vezes houve intervenção dos órgãos autárquicos no local, como por exemplo para acções de limpeza ou mesmo para arranjos da envolvente.
Foi com muita estranheza que quando começou todo este circo, nós fomos confrontados com o nome do Instituto Nacional da Habitação como sendo o dono do terreno e em que a construtora seria somente a executante do projecto.
Algumas semanas depois já havia uma evolução na história - a construtora tinha comprado o terreno para construir habitação social, que agora tem um nome mais pomposo - habitação de custos controlados. Tudo isto nos deixava com as orelhas no ar.
Quanto às negociatas que envolviam a construtora e o ex-autarca Mata de Cáceres, era voz corrente que o Viaduto tinha sido construído a custo zero (nunca foi percebida bem a urgência da construção deste viaduto que até faz jeito aos moradores da zona, por uma autarquia que mal tinha dinheiro para mandar cantar um cego) em troca dos terrenos envolventes. Matava-se assim dois coelhos com uma só cajadada: o autarca dava um sinal que o seu projecto para esta zona era uma coisa viável e a construtora ficaria com a possibilidade de construir numa zona nobre da cidade parte desse projecto. Como não foi reeleito, este foi direitinho para os arquivos. Sabe-se lá por onde andará a maquete que esteve durante anos exposta nos Paços do Concelho e foi cartaz de uma das edições da Feira de Santiago.
O nosso detective de serviço investigou o que pôde, mas seriam precisos mais meios que infelizmente não estão ao nosso dispor.
Setubal Bay International Swim Marathon
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Quem quer ser milionário? (XI)
Pergunta n.º 11 | |
Valor - 16000 € |
Quem era o verdadeiro proprietário dos terrenos a norte do Viaduto sobre Avenida D.Manuel I, antes dos mesmos serem negociados para que aí fossem construídos dois projectos, que foram certamente retirados do best-seller "Urbanismo para Totós"? ->->-> | |
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Notas do autor:
- Terceira e última parte de um boato mentiroso.
- Regressaremos com as ultimas perguntas (as mais valiosas) dentro de alguns meses, quando for oportuno falar sobre coisas que neste momento estão associadas ao Processo Judicial em curso.
terça-feira, 24 de junho de 2008
O Painel de Bordo
Recentemente fiz parte de um projecto académico multidisciplinar, em que entre outras coisas teria de se construir um Painel de Bordo para uma empresa fictícia ligada à produção de material circulante.
Se forem bem elaborados, estes Painéis de Bordo proporcionam indicadores preciosos para quem tem a seu cargo a tomada de decisões importantes.
Não quereríamos nós que a Câmara Municipal de Setúbal possuísse tal apoio, pois a quantidade enorme de informação a processar seria difícil de quantificar neste caso. Contudo na nossa opinião, a gestão do problema levantado pelos moradores com estas construções nunca foi tido pela autarquia como sendo relevante. Quando na reunião de 25 de Janeiro ultimo foi dito que tinha havido uma má avaliação da situação por parte da Câmara Municipal de Setúbal, a Sra. Presidente Maria das Dores Meira confirmou que tinha havido um procedimento adequado na avaliação de todo o processo que levou ao licenciamento do projecto do "Muro" da Vergonha.
Poderemos no entanto apresentar o que teria sido visível num Painel de Bordo académico construído a partir dos dados disponíveis e com uma regularidade trimestral.
Dezembro de 2007Março de 2008Junho de 2008
e fazendo um pouco de futurologia...
Junho de 2009





