sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Desmentido

Durante a tarde de ontem o telefone não parou de tocar. Pelos vistos o nosso artigo anterior continha algumas inverdades...
O
nosso detective estava com tanta fome que já se lhe turvavam as ideias.

Foi realmente verdade a visita das duas entidades referidas. Mas tratava-se de ver no local e a uma hora em que estava em funcionamento (não como uma outra vez - somente a Sra. Presidente - visitou os queixosos a altas horas da noite!!!) um restaurante (com grelhador no exterior), café e pastelaria cujos cheiros já à longa data incomodam os moradores. Pelos vistos ainda falta muito para que o problema fique resolvido.

Porque não este utilizar este Restaurante para servir de pioneiro na utilização dos novos grelhadores previstos para os restaurantes da cidade?

Resolvia à partida os cheiros do exterior, já que os cheiros no interior provenientes da utilização de ventilação domestica para fazer extracção de equipamentos industriais (pastelaria e padaria com fabrico próprio) não é o mais apropriado, apesar desse não ser esse o entendimento do Sr. Vereador André Martins, que viabilizou o seu licenciamento.
Quanto à noticia que saiu anteriormente, ela tem uma razão de ser.
Sempre que o nosso detective passa pelas inúmeras placas que nascem em cada esquina do bairro, quando são painéis publicitários ainda se entretém a olhar para ver as novidades. Quando são os painéis ligados ao Programa de Reabilitação Urbana fica logo com azia e turva-se-lhe a vista e as ideias.
Já lá vão 9 meses e não há meio deste "parto" acontecer.
O bebé tarda em nascer, e se estiver à espera das autárquicas do próximo ano (para tornar a aliciar os moradores, mostrando obra feita num tempo suficientemente curto para as pessoas se lembrarem) é certamente algum "elefante", cujo tempo de gestação pode chegar aos 24 meses.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O agrafo

O imaginação das pessoas não tem limites e em pouco tempo fui surpreendido duas vezes.
A primeira foi quando descobri que tratavam carinhosamente o nosso "Muro" da Vergonha por "Galheteiro". Agora acabo de descobrir que alguém chama também carinhosamente "Agrafo" a este exemplar arquitectónico que tem feito correr muita tinta, onde alguns são a favor mas a maioria é contra.

Não resisto a publicar o excerto de um artigo, que descobri nas minhas habituais pesquisas na internet, de um novo autor de textos na blogosfera sobre Setúbal.

Hoje em dia temos ainda, passados 130 anos, na sombra do gigantesco e grotesco "agrafo", ou imitação de "Pórtico da Lisnave", uma fonte de média dimensão, enquadrada por 4 a 5 árvores de alguma idade e com grande imponência. Sublinho, no entanto, a expressão "na sombra" pois a grotesca construção foi construída mesmo junto à fonte, retirando a esta a grandiosidade de outros tempos.

Extrato do artigo - Setúbal esquecida I - na sombra do Agrafo Gigante


Eu também tenho a minha opinião sobre o assunto: um espaço certo num local errado!

Existem mais fotos disponiveis deste espaço no artigo de onde estas foram retiradas.

Uma visita inesperada

Ultima hora!
Acabamos de receber uma visita de peso no nosso bairro.
Devido à polémica existente nesta zona com a construção do "Muro" da Vergonha que já ninguém quer apoiar ou criticar, as próprias entidades locais evitam passar por aqui e muito menos parar. Até o "Fotografo Anónimo" desde Fevereiro que não tem sido visto por aqui a tirar fotos às escondidas.
Agora, de uma só vez termos a visita da Sra. Presidente da Câmara Maria das Dores Meira e pasme-se, também a própria Governadora Civil do Distrito de Setúbal, Eurídice Pereira é algo digno de registo.
O acontecimento tinha de ser certamente importante para que estas duas entidades nos visitassem.
Ao que o nosso detective no local apurou, vieram ver o andamento das obras do Programa de Reabilitação Urbana. Foram vistas durante algum tempo junto da placa referente à "Consolidação e Tratamento de Espaços Públicos - Av. D.Manuel I" que foi colocada no local que a imagem em seguida mostra, em meados de Novembro de 2007 conforme referimos anteriormente.

Como era hora de almoço e o nosso detective estava com fome, iremos averiguar se entretanto foram visitados os outros locais incluídos também no Programa de Reabilitação Urbana e voltaremos ao tema se tal se justificar.

O pecado original

Decorria o ano de 1979 quando deu entrada na Câmara Municipal de Setúbal o projecto 48/79 do construtor Manuel Conceição Lopes referente ao que é hoje conhecido como o n.º17 da Avenida D.Manuel I. O projecto consistia na construção de um prédio em propriedade horizontal com uma cave e 4 pisos.
O construtor sondou a
Câmara Municipal de Setúbal na perspectiva de lhe permitir abrir varandas e uma porta de acesso a garagem para um terreno que não era sua propriedade. Tendo havido luz verde por parte de responsáveis camarários, já que o terreno em causa era baldio e não estava prevista mais nenhuma construção nas proximidades (onde será que eu já ouvi isto?), foi o projecto entregue em conformidade.

Tudo decorria normalmente, quando em Maio de 2006 apareceu no baldio uma maquina a fazer perfurações para retirar amostras do solo. Como por aqui não há petróleo nem gás natural (só
lençóis de água que ainda não é um bem escasso) só podia significar uma futura construção.

As suspeitas vieram confirmar-se no início do mês de Julho de 2007, com a primeira visualização por parte de moradores do
projecto 274/06.
Quando este projecto foi elaborado, partindo do princípio que não é uma adaptação a partir de um projecto retirado de um qualquer baú já cheio de teias de aranha, partia-se de um facto consumado que era ter de conviver com algo que já existia à quase três décadas - varandas e garagem – e que podia não ter sido construído dentro da legalidade, mas a que os serviços da Câmara Municipal de Setúbal deram cobertura.
Quando a 18 de Setembro de 2007 começaram a vedar o terreno onde decorre a construção, as instruções que a empresa de vedações tinha era simplesmente de vedar toda uma propriedade que se dizia da Hagen. Claro que isso não tinha condições para dar certo e só a intervenção da PSP local no dia seguinte, impediu esta investida de má fé por parte da Sociedade de Construções H.Hagen.
Quando mais tarde consultei o plano do estaleiro da obra, estava lá preto no branco a ocupação de todo o terreno em frente à garagem (estaleiro de ferro) deste prédio que faz fronteira com a nova construção. Os grandes engenheiros e arquitectos que desenvolveram este projecto ou não fizeram o trabalho de casa ou simplesmente acharam-se importantes demais para dar a mínima atenção ao que se passava no local.

Os serviços da
Câmara Municipal de Setúbal que aprovaram tal estaleiro cometeram a segunda ilegalidade no local: legitimaram a ocupação e vedação de um terreno necessário ao acesso de uma garagem por si licenciada.
Posteriormente aparece um documento (que eu copiei mas que agora não consigo encontrar - daí o atraso na publicação deste artigo que está quase pronto há varias semanas) em que é dito resumidamente que o estaleiro nesta zona terá de ser revisto por haver problemas no acesso a uma garagem.
No inicio da manhã do dia 19 de Setembro de 2007 houve uma reunião com técnicos da
Câmara Municipal de Setúbal e construtora, onde se debateu o assunto da garagem e para a qual deveria ter sido convidado o seu proprietário, já que essa reunião foi motivada exactamente por conversas no local entre moradores e o Engenheiro da construtora durante a manhã do dia 18/09/2007 no início dos trabalhos de vedação (colocação das portas de obra).

Regressaram em força em finais de Dezembro, para a coberto do licenciamento passado em 26 de Dezembro colocar novamente as estacas em frente à garagem deixando um espaço de manobra de 5.50m, manifestamente insuficientes para a entrada da viatura que normalmente a utilizava.

Foto retirada do artigo - CORREIO DE SETÚBAL - Providência cautelar contra prédios no viaduto

Olhando para trás com mais serenidade, a arrogância e a prepotência com que esta construtora chegou ao local, para vedar o seu terreno muito antes do projecto ser aprovado, sem nunca se ter preocupado em colocar no local a placa com a identificação da entrada do projecto para apreciação na Câmara Municipal de Setúbal (como a lei obriga) conduziu a um extremar de posições que vão conduzir a um desfecho que de momento é totalmente imprevisível.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Setúbal vista do céu

Algumas imagens de Setúbal vista do céu nos anos 90, editadas a partir de um PowerPoint de Lino Campos com o mesmo nome, que circulava na internet no final do ano passado.
Como são fotografias relevantes e poderão ser posteriormente usadas com outros fins igualmente importantes, estará a seguir a cada foto um link com a mesma sem a nossa bandeira, que serve só como divulgação da mesma e para os desconhecedores da zona verem como o verde que nos circunda dá uma beleza adicional a esta zona da cidade, que foi certamente melhorada com as obras de recuperação das Escarpas de S. Nicolau.
Na nossa modesta perspectiva, a construção de edifícios em altura em nada a beneficiam.
O progresso e a expansão da cidade para este não justificam uma quantidade de erros urbanísticos que se avizinham.

Link para a imagem original >>>

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Escarpas de S. Nicolau - 1990

Escarpas de S. Nicolau em fotografia aérea durante o ano de 1990, no decurso das obras de reabilitação desta zona sobranceira do Estuário do Sado.

Foto enviada por um visitante, tambem autor de um dos blogs locais.

domingo, 10 de agosto de 2008

Como se constrói um problema

No acompanhamento de algumas sessões ordinárias da Câmara Municipal de Setúbal, fiquei mais esclarecido da forma de funcionamento deste órgão autárquico.
As sessões que se realizam maioritariamente na 1ª e 3ª quarta-feira de cada mês e composta por três momentos distintos:

  • Período de antes da ordem do dia (geralmente com um debate bem animado)
  • Período da ordem do dia (por vezes um pouco monótono para quem assiste às sessões dependendo da existência ou não de propostas envoltas em alguma polémica)
  • Período destinado à intervenção do Público (geralmente um momento interessante de participação cívica da população, onde tentam obter uma melhor atenção com vista à resolução de problemas que os afectam directamente)
Depois de ter deixado de assistir às sessões no inicio de Março último, passei a ler a 1ª e 3ª parte das actas e a dar uma vista de olhos à 2ª parte. pois a maior parte das propostas não tem o menor significado para mim.
Contudo, quando uma proposta ocupa várias paginas (4) de uma acta, é sinal que está envolta em polémica, foi certamente um ponto alto dessa sessão, e por isso merece uma leitura mais atenta.
Foi o que eu fiz, não porque tivesse interesses no local ou conhecesse alguém envolvido, mas porque será um bom exemplo de como confiando cegamente num futuro certamente incerto, poderão estar sim, a construir um problema de desfecho imprevisível.

A proposta tem a seguinte referencia:

12. Deliberação n.º210/08 – Proposta n.º 110/2008 – DURB/DIGU – Aprovação de projecto de arquitectura – NOBILIS – Empreendimentos Imobiliários, Lda. – Av. Alexandre Herculano e Guiné Bissau – Freguesia de Santa Maria da Graça (acta 07-2008, paginas 21 a 25).
Vou só somente retirar as frases (sem as comentar) que para mim são elucidativas do ambiente e argumentos que se esgrimem entre os dois lados da barricada.
Já aqui o disse e reafirmo, que é uma experiência enriquecedora para quem pode, para alem de ser um acto de cidadania, assistir a uma sessão da sua Câmara Municipal ou mesmo da Junta de Freguesia.
Para os mais interessados poderão depois ler a totalidade da deliberação no link da Câmara Municipal de Setúbal ou no link da Fonte do Lavra (não vá a acta estar indisponível).

Sr. Vereador Paulo Valdez
– Tinha várias questões a colocar. A primeira era, porque razão é que estando em curso a elaboração de dois planos de pormenor, o da Avenida Alexandre Herculano que estava em curso desde a deliberação de Câmara de 5 de Março de 2003, e também naturalmente o plano de pormenor que não se sabia se estaria em curso, mas deveria estar, em breve referente ao Estádio do Bonfim, que seria mesmo em frente a esta zona. Estando em curso este dois planos de pormenor, porque razão não se aguardava pela respectiva conclusão, de forma a ficarem salvaguardadas as soluções de conjunto, compatibilizando os edifícios que compunham as diferentes unidades urbanas e adequando os espaços públicos necessários às renovações destas áreas. A segunda questão era que, mais do que a qualidade arquitectónica do edifício, tal como era dito na proposta, importava, importava a qualidade do espaço urbano no seu conjunto. No caso em apreço, como se justificava essa qualidade com um edifício de oito pisos, numa unidade urbana em que todos os restantes edifícios só atingem quatro pisos, no máximo, tendo como referencia a cércea dos edifícios mais elevados, situados na Avenida Guiné-Bissau, tratava-se de um exercício que não tinha em conta a interrupção assumida no PDM, entre os aqueles edifícios e os que se situavam no troço da Avenida Alexandre Herculano, onde se situava o prédio em apreço, nomeadamente com a constituição de uma futura zona verde pública, no espaço actualmente ocupado pelo logradouro do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, na Quinta da Casa de Santana. A terceira questão era de que tratando-se no total de 25 unidades/fracções, porque razão não era aplicável o disposto na alínea b) do art.º 8.º do Regulamento de Urbanizações e Edificações do Município de Setúbal, pois havia impacto semelhante ao loteamento, bem como o disposto no n.º 1, do art.º 9.º do mesmo regulamento, espaço que o rodeia. (...) Era admissível autorizar um edifício, em que uma das fachadas com fenestração distava pouco mais de um metro da extrema de um prédio particular e criando sobre ele uma pesada servidão de vistas, antes de o mesmo ser adquirido pelo Município para uma finalidade pública, como estava prevista no PDM. (...)
tinham surgido dúvidas, porque se tratava da zona que ligava a Avenida Alexandre Herculano junto à Praça Vitória Futebol Clube, para a Avenida da Republica da Guiné-Bissau , onde estava uma série de casas de rés-do-chão, logo a seguir, começando perto do edifício onde se situava o Frango vaidoso e antes era o Retiro Vitoriano. Tratava-se de uma zona de casas baixas, onde ia haver quatro pisos no lado da avenida Alexandre Herculano e de repente, passava-se para oito, naquela zona que estava voltada para a Capela do Bonfim, o Estádio do Vitória e a Praça Vitória Futebol Clube, e depois diminuía-se levemente para seis pisos já na Avenida da República da Guiné-Bissau. (...) Perguntava como é que não havia impacto quando se ia fazer um prédio de oito andares em frente à Capela do Bonfim e ao actual Estádio do Vitória. Isso teria impacto. (...)

Sr. Vereador André Martins – As questões levantadas eram pertinentes e legitimas, porem, as soluções apresentadas decorriam da aplicação da legislação em vigor e as questões estéticas eram sempre discutíveis. Na Avenida Alexandre Herculano decorria um plano de pormenor que tinha uma pretensão de alinhamento de cérceas e tinha havido uma interpretação interior na Divisão de Planeamento diferente da que havia hoje, tal como se podia ver na proposta, onde havia um exemplo disso. (...) Havia o entendimento de que se respeitava as cérceas dominantes deste eixo urbano, numa área urbana consolidada, que não punha em causa os regulamentos municipais e o PDM, e daí que houvesse uma alteração da interpretação, e o edifício de oito pisos respeitava efectivamente o alinhamento no eixo urbano da Avenida Alexandre Herculano e a Avenida da República da Guiné-Bissau. A outra proposta era de quatro e seis pisos, e portanto, nem sequer estava em causa. Estas eram as razões pelas quais em vez de estarem a aguardar o desenvolvimento do plano de pormenor, poder-se-ia não ficar com os projectos pendurados e ajudar os investidores a apresentar soluções que se enquadrem na apreciação técnica e estética, sem por em causa os regulamentos em vigor. O que acontecera era que os serviços técnicos tinham proposto ao investidor que apresentasse, se estivesse interessado, já que a proposta inicial não tinha viabilidade, um projecto desta natureza, este estaria dentro dos regulamentos em vigor e teria viabilidade. (...)

Sr. Vereador Ilídio Ferreira – (...) Pensava que a proposta inicial do munícipe era para a construção de um edifício em duas fases, numa primeira era de quatro pisos, esperaria pela aprovação do plano de pormenor e depois então construiria os oito pisos, partido do principio de que o plano de pormenor seria aprovado nessa base e era a Câmara Municipal que lhe ia dizer que preferia que ele apresentasse já os projectos de quatro e oito pisos. (...) Em terceiro lugar, bem ou mal, tinha sido a Câmara Municipal a indicar que não devia ser apresentado um projecto de quatro, mas sim um de quatro e de oito pisos, para se requalificar a zona, pelo que agora não seria correcto dizer ao munícipe que isto voltaria para trás, depois deste gasto o dinheiro dos projectos. Embora as questões colocadas fossem pertinentes, havendo cumprimento da lei, e ainda pelos factores que indicara, a sua bancada viabilizaria a proposta.

Sr. Vereador Paulo Valdez – Em relação à lei ser cumprida, partiam sempre do principio que as propostas contemplavam isto, mas havia um prédio, numa rotunda, que tinha sido construído em cima de uma linha de água. Com certeza que o Sr. Vereador que trouxer isto ali, pensava que a lei estava a ser cumprida, senão seriam uns malfeitores. (...) Compreendia que entre uma instituição da Igreja e um empresário, o empresário teria maior capacidade de negociação do que a instituição, mas a verdade era que o edifício teria numa das fachadas as janelas, ou a fenestração, palavra que vinha do francês, fenetre, com uma distância de pouco mais de um metro de extrema de um prédio particular, que era propriedade da Quinta das Irmãs e nada tinha sido definido. Havia um conjunto de factores que não estavam devidamente esclarecidos pelo Sr. Vereador, mas compreendia que havia um aspecto muito importante, era um projecto que o promotor já tinha na Câmara Municipal há alguns anos e que a bancada da CDU prometera regularizar projectos que estavam a “marinar” na Câmara desde há muitos anos, que os “camaradas de partido” se tinham encarregado de fazer marinar, pois não se podiam esquecer que agora estavam a fazer de um prédio andares em oito e seis pisos, quando durante anos, o hotel no Parque José Afonso, por causa de um recuado, era recusado de forma imediata. Compreendia que se devia dar resposta aos promotores que deviam investir na cidade, mas continuava a ter enormes dúvidas na opção, nomeadamente porque havia janelas para um propriedade vizinha e o conjunto de quatro, oito e seis, e porque não sabia o que ia ser construído na Avenida Alexandre Herculano, de acordo com o plano de pormenor, a sul do edifício de quatro andares.(...) Tinham algumas preocupações nesta solução, até ao nível do planeamento, mas a bancada da CDU é que era a responsável pelo planeamento urbanístico da cidade, enquanto estivesse no poder.

Sr. Vereador André Martins – (...) Relativamente à questão de ser uma distância de um metro, podiam considerar que ficava muito perto da propriedade privada, mas esta propriedade não tinha possibilidade de edificação, ficando as janelas viradas para um terreno que iria ser para uso de lazer. (...)

Sra. Presidente – Disse que os planos de pormenor, nomeadamente, eram demorados, e que este, tal como outros, eram processos que já tinha passado muitos anos que estavam para ser resolvidos, muitos deles vinham de mandatos anteriores, e atendendo-se às características legais que ali estavam indicadas, nem este, nem nenhum prédio viria ali, que não respeitasse a legalidade. Por vezes, podia haver algumas dúvidas, mas não sobre a legalidade, e por isso, apelava-se ao sentido de ajuda dos Srs. Vereadores para o desenvolvimento de Setúbal. Este processo estiver arrastado no tempo, mas também era verdade que os planos de pormenor demoravam tempo a serem feitos, e o promotor já pagara demasiados juros à banca pelo tempo que demoraram os projectos.

Não havendo mais discussão sobre a proposta, a Sra. Presidente submeteu a mesma a votação, sendo aprovada por maioria e em minuta, com quatro votos a favor dos Srs. Vereadores da CDU e cinco abstenções dos Srs. Vereadores do PSD e PS.

A tentação de fazer comentários próprios a este texto são enormes, mas vou conseguir resistir.
Informações complementares:
1. Intervenientes no debate:
  • Sr. Vereador Paulo Valdez pelo Partido Social Democrata
  • Sr. Vereador Ilídio Ferreira pelo Partido Socialista
  • Sr. Vereador André Martins pela Coligação Democrática Unitária (CDU – Partido Ecologista “Os Verdes”), Vice-Presidente da CMS e Vereador responsável pelo Urbanismo
  • Sra. Presidente da CMS Maria das Dores Meira pela Coligação Democrática Unitária (CDU – Partido Comunista Português)
2. Imagem de satélite (Google) do local.
3. Fotografia do local tirada por mim em 09-08-2008, junto à capela do Bonfim que representa a esquina oposta à localização deste projecto.

Leitura auxiliar recomendada - http://fontedolavra.blogspot.com/2008/07/as-regras-do-jogo.html

Foto da semana 32

Na imagem abaixo (preenchido a laranja) pode ser visualizado o que se encontra feito até ao momento

Com o mamarracho praticamente com o seu aspecto final em relação à cércea e volumetria, deixa de fazer sentido a actualização da desta imagem. Em sua substituição e sempre que houver disponibilidade, será publicada uma fotografia deste "Muro" da Vergonha que nos construiram no bairro, visto agora a partir do Rio Sado.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vermelho ... desbotado!

Desde a revolução de Abril que Setúbal foi associada a uma cor – o vermelho. “Setúbal, cidade vermelha”, foi a frase célebre da autoria do jornalista Rogério Severino que correu o país e o mundo.
O distrito de Setúbal, grande bastião da classe operária portuguesa pois era aqui que se concentravam as grandes indústrias do país, viveu nesta cidade momentos conturbados próprios de um período revolucionário dizendo-se na altura que quem mandava aqui era o PCP.

"No primeiro dia de Junho de 1974, Setúbal assistiu atónita ao içar da bandeira da então União Soviética no mastro principal do edifício da Câmara Municipal. Um acto atribuído à Comissão Administrativa, onde predominavam elementos do PCP, e que colocou alguns sectores da sociedade em polvorosa."

Extrato do artigo - MFA e Governador demitem Câmara de Setúbal

Com a estabilização do país e olhando para trás, podemos dizer que, Setúbal como cidade perdeu muito porque continuou a ser chamada de cidade vermelha. Anda hoje se fala nela dessa maneira e a cidade viu passar ao lado muitas hipóteses de investimentos, que não vieram para cá porque os investidores tiveram receio de apostar num local onde as greves eram frequentes.
Longe desses tempos conturbados e com um executivo camarário bastante criticado, os setubalenses deram à CDU em 2001 uma oportunidade para tentar mudar o rumo dos acontecimentos na pessoa de Carlos Sousa, que trazia uma boa imagem da Câmara Municipal de Palmela.
Por culpa própria ou por não ter conseguido levar a bom termo o seu projecto para a cidade devido a acontecimentos vários, foi substituído no cargo pela actual Presidente Maria das Dores Meira.
O Partido Comunista Português que me merece o maior respeito enquanto partido político, tem em lugares de destaque na autarquia desta cidade (onde se vive um ambiente de cortar à faca, segundo quem lá trabalha), pessoas que já não se identificam com um partido ou uma ideologia, mas que se confundem numa enorme e obscura classe política cada vez mais sem valores, opinião não muito diferente da exposta por um grupo de militantes comunistas em carta enviada ao secretário-geral do PCP, aos deputados do PCP por Setúbal, à presidente da câmara e ao coordenador da concelhia de Setúbal do partido, segundo noticia publicada no jornal “O Setubalense” no passado dia 04.
As ideias e os projectos actuais estão tão virados para os interesses económicos, que dificilmente se podem conotar com a ideologia de um partido virado essencialmente para questões sociais e laborais e com ‘anticorpos’ contra os grandes grupos económicos.
É caso para dizer que a cidade vermelha está agora desbotada!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Faltam-nos sobreiros!

Setúbal (Vale da Rosa) foi hoje palco de uma acção de protesto/denuncia pelo abate de um numero substancial de sobreiros, para dar lugar a um projecto urbanístico de grandes dimensões - A Nova Setúbal.
A pergunta é pertinente: precisaremos nós de mais 7500 apartamentos para cerca de 30 mil habitantes? Claro que não!
A coberto da construção de um novo estádio para o clube de futebol local - Vitória Futebol Clube - que consegue pôr quase toda uma população de acordo e que segundo a QUERCUS não interfere com a mancha de sobreiros na zona

"A Quercus continua a considerar fundamental a revogação de uma decisão governamental, em nosso entender ilegal - o Despacho Conjunto nº 1051/2001 de 3 de Dezembro dos então Ministros da Agricultura, Capoulas Santos, e do Ambiente José Sócrates - que declarou a imprescindível utilidade pública do Plano de Pormenor referido, invocando a necessidade de urbanizar toda a área, abatendo 700 sobreiros para viabilizar a construção de um estádio de futebol, que apenas abrange uma pequeníssima fracção da área do Plano, e onde não existe nenhum povoamento de sobreiros, configurando uma decisão sobre a qual não há memória no nosso País."

Extracto do artigo - Quercus quer impedir o abate de 1200 sobreiros em Setúbal

vem toda uma gulodice imobiliária que se movimenta com grande à vontade nas altas esferas políticas, governamentais e autárquicas, e que na mira do lucro fácil relega para um plano muito baixo todos as implicações ambientais.
É com grande pesar que olho, para a nossa pouco mais de uma dezena de sobreiros, marcados para abate à cerca de um ano, também aqui para satisfazer a gulodice imobiliária, na edificação do novo bairro urbano de Setúbal.

Se fossem uma centena ou mais, talvez a Quercus, que foi alertada em Setembro do ano passado, talvez já nos tivesse feito uma visita.

Foto retirada do artigo - Quercus quer impedir abate de 1200 sobreiros

Artigos relacionados:

domingo, 3 de agosto de 2008

A maquete verdadeira (agora é que é!)

Quando identificamos a zona onde decorre o nosso protesto como uma zona verde, fomos acusados de nos estar a referir a uma maquete que esteve VÁRIOS ANOS exposta na entrada dos Paços do Concelho no final dos anos 90 e que também teve um lugar de honra numa das edições da Feira de Santiago.
Segundo a Presidente da Câmara Maria das Dores Meira, não passava disso mesmo: uma maquete!
Voltamos à Feira de Santiago e às maquetas: num enorme pavilhão quase de visita obrigatória (estrategicamente colocada num dos acessos ao recinto da feira) mostra uma panóplia de imagens de uma Setúbal virada para o futuro.
Forma interessante de gastar o dinheiro dos contribuintes, já que são apenas divagações urbanísticas pagas a grupos de arquitectos e que poderão servir somente para enganar o povo.
Não era essa a ideia que eu tinha deste tipo de imagens, que serviria sim para dar uma perspectiva aos investidores e interessados da evolução de uma área ou região em concreto. A Sra. Presidente com as suas afirmações públicas é que destruiu completamente essa minha ideia. Ou então foi eu que percebi mal. Se calhar ela quereria dizer que se fosse um projecto deste executivo era verdadeiro e para cumprir, enquanto que os do Manuel "Alcatrão" eram falsos e ridículos.
Fica aqui o projecto para as Escarpas de Santos Nicolau, mesmo aqui ao pé da TERRA DE NINGUÉM (terra sem lei) integrado no novo bairro urbano de Setúbal. Eu já vi uma versão mais elaborada desta proposta em Novembro passado que me foi identificada como European 7, mas que não me parece muito diferente da aqui apresentada. Não está nos meus propósitos julgar esta proposta de edificação. Comparativamente a este “atentado” urbanístico que aqui decorre no nosso Bairro, sempre disse que este novo projecto me pareceu razoável e equilibrado. Esta apreciação teve em conta a orientação norte/sul dos blocos de apartamentos e não este/oeste como o nosso "Muro" da Vergonha que produz, contrariamente ao que se encontra construído nas imediações, um efeito de parede. Também o numero de pisos, 4 contrasta com os 7 que aqui edificaram.

Reparem no texto a seguir (o destaque é da minha autoria) e depois ajuízem se lhes parece que o nosso "Muro" da Vergonha irá ser para Habitação Social, agora chamada pomposamente de Habitação de Custos Controlados. Nós sempre dissemos que era para o pessoal do papel e continuamos a pensar que temos a razão do nosso lado.


S. NICOLAU – Em execução
Tendo sido premiado com o 1º Prémio do concurso internacional EUROPAN 6, no ano de 2000, o plano de pormenor do Bairro de Santos Nicolau irá modernizar e reconverter uma das áreas residenciais de maior potencial da cidade de Setúbal.
Sobre uma das paisagens mais belas da cidade, o plano de pormenor comporta cerca de 226 fogos habitacionais, apoiados por cerca de 9700 metros quadrados de áreas comerciais e de serviços e mais de 9000 metros quadrados para equipamentos, atribuindo ao Bairro Santos Nicolau uma nova dimensão à qualidade de vida dos seus habitantes. Com amplas áreas verdes de lazer, apoiadas por esplanadas, espaços infantis, uma enorme praça e um longo passadiço panorâmico sobre as escarpas, Setúbal ganha mais um local único, integrado e de enorme qualidade.

O nosso problema de momento resume-se ao quadrado que aparece no canto superior direito da imagem. Em nenhum local, desenho, maquete e afins aparece algo edificado nesta zona. Uma autentica TERRA DE NINGUÉM patrocinada pelo PIS - Plano Integrado de Setúbal a que a Câmara Municipal nunca soube ou quis dar uma resposta coerente e definitiva.
Só uma nota de rodapé: não desejamos ver nas novas edificações a repetição deste tipo de paradigma urbanístico, existente no topo poente desta zona.

Leitura complementar recomendada - A Receita