terça-feira, 2 de setembro de 2008

Viver na toca

Mais um exemplo de um urbanismo que se pretende banido de qualquer autarquia que goste do seu espaço de actuação.

Não fosse o respeito por quem ainda aparentemente consegue aqui morar, este triste exemplo era digno de figurar em qualquer site tipo “Portugal no seu Melhor”.
Tudo tem uma história, e esta remonta a 1990 quando fizeram a consolidação das escarpas de S. Nicolau, prolongando a Avenida Belo Horizonte ao longo da mesma. A Avenida que tem uma extensão considerável, foi concluída em 1998 com a construção do Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I.
Na zona das escarpas, a avenida foi construída não de uma forma plana, mas tentando minimizar os efeitos das irregularidades do terreno, já que várias ruas e caminhos desembocavam nesta nova artéria.
Assim, é possível ainda ver zonas que terminam em escadas (razoável) ou que terminam num buraco (aberração).
Este último caso deveria ter tido uma atenção especial por parte da Câmara Municipal de Setúbal, que juntamente com o IGHAPE - Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (actual IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) tinham poderes e interesses na zona.
Os moradores, essencialmente pescadores, tinham aqui uma casa modesta (em regra de um só piso), mas sua. Também havia algumas barracas construídas em terrenos abandonados, pertencentes ao IGHAPE por expropriações efectuadas no final dos anos 60.
As mentes brilhantes desta autarquia, descobriram que esta era uma zona ‘virgem’ a explorar, quando já tivessem destruído um outro bairro com vista privilegiada para o Rio Sado e o seu estuário – o bairro do Viso. Este, qual pedreira, está com a exploração quase no limite.

Não é pois por acaso que aparece o interesse imobiliário nesta zona. Esta é a nova ‘pedreira’ para explorar na próxima década.

Setúbal, ganhou alguma visibilidade pela negativa, com a actividade da Sécil na Serra da Arrábida, quer pela extracção de matéria-prima para a produção de cimento, quer mais recentemente por causa da co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira.

Analisando as lutas/protestos contra a actividade da Sécil no Parque Natural da Arrábida (defendido com garras e dentes pelo executivo camarário até à exaustão, no que respeita à questão da queima de resíduos perigosos) e o impacto negativo de um urbanismo criticável (patrocinado pelos mesmos autarcas), onde para alimentar a sempre insaciável gulodice imobiliária, se hipoteca a qualidade de vida das gerações vindouras, chega-se à triste conclusão que há aqui dois pesos e duas medidas.
Voltando ao assunto que faz o titulo do artigo, existem várias casas térreas que foram desde 1990 impedidas de fazer qualquer modificação estrutural, ou reconstrução porque os ‘iluminados’ da Câmara Municipal de Setúbal entenderam que a lei do mercado não podia funcionar neste espaço, que os proprietários não tinham direito a ter uma habitação condigna (artigos 65 º e 66º da Constituição Portuguesa, que bons políticos e democratas, salvo seja, se esquecem regularmente) e levando a que a maior parte destas casas esteja agora em ruínas.
Depois de 17 anos a ‘marinar’ (termo usado regularmente nas sessões camarárias!!!) está assim criado o cenário ideal para o ataque da especulação imobiliária, enchendo os bolsos de muita gente e destruindo mais um pouco do património paisagístico desta cidade.
Vem agora a Câmara Municipal de Setúbal mostrar mais uma maquete, com um projecto que já anda enrolado nos corredores do poder desde 2003 (Acta 17/2003 paginas 13-15) e onde a autarquia em conjunto com o IHRU pretendem construir blocos de apartamentos com 4 pisos, esquecendo-se que existe muita propriedade privada em zonas chave, maioritariamente casas térreas.
Vamos certamente continuar a assistir a paradigmas urbanísticos como este

(na mesma avenida), só porque os nossos autarcas acham que, quando se trata de manter os interesses imobiliários acima de qualquer valor ético, moral ou de bom senso, é a lei do salve-se quem puder. Mais exemplos? Mesmo ao pé da porta! Mesma zona, mesma Avenida!

Está excluída a hipótese dos autores de tão interessante projecto, se candidatarem ao Prémio INH já que, construir um prédio encostado a um viaduto, não passará certamente nas regras de selecção:

Como critérios de selecção e valorização, estabelecem-se os relevantes na optimização global da relação custo/qualidade da habitação (esta avaliada como um processo integrado que envolve a urbanização, a edificação, o alojamento e considere os aspectos de promoção, concepção, construção e utilização pela população), procurando soluções que melhor conduzam à realização de uma habitação condigna.
Como parâmetros de avaliação adoptam-se os estabelecidos na Portaria n.º 500/97, de 21 de Julho, na Lei n.º 85/98, de 16 de Dezembro, e nas Recomendações Técnicas de Habitação Social, bem como as propostas de inovação no domínio da concepção e das novas tecnologias, designadamente as que correspondem a uma melhor satisfação das exigências de conforto, segurança, habitabilidade e durabilidade, de racionalidade construtiva e redução de custos.
Na consideração dos custos ponderam-se quer o investimento inicial em terreno, urbanização, construção, administração e encargos financeiros, quer os custos inerentes à conservação, utilização, reposição e a sua correcta repartição numa estrutura global de custos.
Todos estes factores, ainda que devidamente ponderados e avaliados per si, são considerados globalmente.

Extracto do artigo - Prémio INH


Não podia terminar sem apontar uma saída (ainda vai muito a tempo), uma solução para esta zona da cidade (criticar pode ser fácil de mais) - porque não investir em habitação unifamiliar (moradias) que caracteriza toda esta área? Não dá lucros exorbitantes aos especuladores imobiliários? Paciência!
Os donos das actuais construções agradeciam, mantinha-se esta zona da cidade com um aspecto equilibrado, livre de mamarrachos, acompanhando as novas tendências urbanísticas por esse mundo fora – zonas residenciais com qualidade. Esta zona também é um cartão-de-visita da Cidade e do País, pois está colocada junto aos cais comerciais do Porto de Setúbal. Não queremos ver aqui uma Copacabana, sem praia.
Bons exemplos em que os mesmos intervenientes (autarquias e INH) fazem um bom trabalho e até ganham prémios:

Prémio INH 2005 (17.ª edição) na categoria Prémio de Promoção Municipal - empreendimento de 24 fogos em Outeiro do Facho, promovido pela Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, construído pela empresa Vilda — Construção Civil, Lda., com projecto coordenado pelo arquitecto Miguel Mota.

Extracto do artigo - Prémio INH 2005 — 17.ª edição

domingo, 31 de agosto de 2008

Sinais de mudança

Depois de várias ameaças, parece estar para breve a construção do "Muro" da Vergonha 2. Desde o final do verão passado que paira no ar a ameaça, de também do outro lado da Avenida D.Manuel I construírem um novo "mamarracho" para abrilhantar o novo bairro urbano de Setúbal.
De início, o que parece uma situação normal por estes lados, só iam instalar o estaleiro de obra, ficando depois à espera que fosse licenciado o projecto, podendo até iniciar a limpeza e o aterro se fosse oportuno. A visibilidade que foi dada à nossa contestação aconselhou prudência, e durante quase um ano não foram vistas grandes movimentações de pessoas com dossiers, plantas e afins.
Ao que consegui apurar na altura, o atraso no licenciamento tinha a ver com a forma como ia ser feito o prolongamento da Rua Bartolomeu Dias, com
passagem inferior sob a Avenida Belo Horizonte, fazendo com que esta ultima fique parecida com um carrossel (exemplo que também faz parte do best-seller "Urbanismo para Totós").

Já tal estava previsto na maquete 'falsa' do Manuel "Alcatrão" com a diferença que, nessa maquete estas zonas onde andam a construir mamarrachos, era uma zona verde!
Pelos vistos já resolveram a melhor forma de levar os carros para cima da Pedra Furada, onde está em fase adiantada de estudo, a construção de um Palácio de Congressos com 10 (dez) pisos!!!
Só nessa altura, o bairro fronteiriço -
Bairro da Parvoiça - que envergonha a cidade e os seus autarcas terá finalmente uma solução. Não se pode ter um local frequentado por VIP's com vista para bairros da lata.

Os sinais de mudança vem da remoção de um enorme painel publicitário do local. Espera-se agora a todo o momento a colocação das vedações em todo o recinto na nova obra e porque não também um nova companhia de circo.

O painel publicitário agora retirado, encontra-se no local à mais de um ano e tinha como principal cliente a Câmara Municipal de Setúbal, tendo uma das suas versões sido usada numa das minhas montagens.

Foto da semana 35

Semanas anterioresOriginal01234567891011121314151617181920
2122232425262728293031323334

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O balanço

Terminada a Festanima 2008, pode a Organização estar contente pelo sucesso do evento, já que a opinião é unânime: bons negócios, boa afluência, boa organização.
Eu, apesar de morar a escassas dezenas de metros do evento estive a relaxar numa praia das proximidades durante toda a semana e somente a visitei poucas horas antes da sua abertura, tirei fotos na manhã seguinte e envolvi-me na enorme multidão que no ultimo dia fazia a despedida da Festanima e aguardava a chegada da hora do fogo de artifício.
A animação era muita a essa hora (cerca das 23:00) e das ruas laterais chegavam continuamente novos grupos de pessoas.
Depois de uma volta rápida pelo recinto, só não gostei de ver o Pavilhão da Câmara Municipal de Setúbal fechado àquela hora, contrastando com o grande Pavilhão da Junta de Freguesia de S.Sebastião, onde o seu Presidente Carlos Almeida, sempre interessado e atento, conversava com os seus fregueses e não só, e onde até se faziam entrevistas. Só sobressaiu por ser o único pavilhão fechado em todo o recinto àquela hora. Certamente que existirá uma explicação razoável, para não participar na festa de encerramento da Festanima 2008.
Como a confusão era muita, optei por regressar a casa, onde assisti da janela a uma exibição de fogo de artifício que me agradou, por ser diferente (para melhor) daquela a que estou habituado: menos barulho e melhor efeito visual.
Com o evento deste ano, ganhou o bairro de forma permanente, umas bandas de aviso de aproximação de passadeira, numa das poucas existentes neste troço da Avenida Belo Horizonte.

Aumentando de facto a visibilidade da mesma, não reduz de maneira nenhuma a regular exibição de carros modificados e principalmente motas, que talvez não exagere ao dizer que atingem neste local no sentido oeste-este, velocidades perto dos 200km/h.
Se tem algum vigia junto à esquadra que fica a cerca de 300 metros, ou simplesmente fazem estas exibições também pelo gosto da aventura e imprevisto, o que é certo é que estas decorrem por vezes em dias seguidos e com várias passagens por hora.

Aproveito para pedir desculpa a um grupo de simpáticas senhoras (já com uma idadezinha respeitável), com o seu pavilhão estrategicamente colocado quase junto ao palco (para melhor ouvir a musica certamente), por ter usado o seu pavilhão para uma montagem no artigo Stand de Vendas - Parte II (não era esse o titulo original), não resistindo à tentação, depois de ver um pavilhão sem grandes áreas na imagem para 'limpar' quando na manhã do dia 17/8 fazia a 'reportagem' fotográfica.

Num artigo anterior, demorei mais de um mês a tentar arranjar um pavilhão que servisse os meus propósitos, tendo acabado por fotografar um pavilhão que foi usada nas celebrações do dia 01 de Maio na Avenida Luisa Tody, mas que deu bastante trabalho a manipular.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A promoção do dia

A viabilidade das empresas passa pela redução de custos. Por isso estar atento a promoções/saldos de materiais de consumo ou equipamentos é uma actividade que não se deve descurar, a bem de uma gestão de recursos equilibrada, tendo como objectivo bons resultados anuais.
Quando a nossa construtora de eleição, sempre atenta a esses pequenos pormenores (que fazem toda a diferença), soube que uma empresa de aluguer de escavadoras compactas tinha promoções quase diárias, consultou os responsáveis no local da obra que lhe fizeram uma lista exaustiva do equipamento necessário para limpar o piso térreo.
A empresa em causa, de aluguer de máquinas e equipamentos para construção civil e obras públicas, com uma gama de equipamentos multimarca, moderna, diversificada e eficiente para alugar sem operador, oferece um nível superior de serviço, aluga ao dia, semana ou mês e faz promoções regulares.
A promoção de segunda-feira era uma escavadora usada de concha média (colher de sopa), a qual foi entregue cerca das 11:25.

A promoção de hoje era uma escavadora compacta Volvo modelo EC15 (colher de sobremesa), a qual por ser mais recente e estar em muito bom estado tinha muitos pretendentes. Nada que o factor "C" (também conhecido por cunha) não conseguisse resolver.
Assim, para fugir aos olhos indiscretos dos outros pretendentes, foi a escavadora retirada do armazém ainda de madrugada e entregue no local da obra escassos minutos depois das 7 da manhã.

Teria certamente passado despercebida a sua chegada ao nosso bairro, onde a maioria dos moradores ainda dormia profundamente, se o condutor do veiculo longo que a transportava, certamente por comodismo, não tivesse feito cerca de 200 metros em marcha-atrás e onde o apito de alerta de manobra do camião, serviu de toque de alvorada para os moradores da rua.
Já que o pessoal das redondezas estava acordado, não havia motivos para não servir a sopinha quente que entretanto estava preparada. Ainda não eram sete e meia, mas o pessoal estava com fome!
Assim, apesar de não de ver o prato, ouvia-se o bater da colher de sopa algures no piso -2 do Bloco 1 ou 2.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A passadeira "invísível"

Existe uma passadeira no bairro, cuja localização não ajuda a torná-la segura e onde a visibilidade é bastante deficiente na perspectiva do condutor principalmente no sentido descendente.
Situa-se na avenida D. Manuel I, em frente ao Centro Comercial Dufa e regularmente lá vem mais uma noticia no jornal de um atropelamento com consequências graves. O ultimo digno de registo foi em 12-01-2008 do qual o jornal O Setubalense fez referencia no artigo Passadeira “invisível” preocupa moradores.
A passadeira que se pode ver nas imagens seguintes é utilizada por várias centenas de pessoas por dia, constituindo esta via um dos acessos principais à baixa da cidade com transito intenso durante quase todo o dia.

Poucas semanas depois, foi tema de debate na Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Setúbal as passadeiras em Setúbal, mas esta passadeira em concreto não serviu de exemplo:

Sr. Vereador Paulo Valdez - (...) Constatara, já há algumas semanas, que as passagens para peões na Avenida 5 de Outubro tinham uma iluminação muito boa, ainda mais porque aquilo era uma artéria muito escura, mas perguntava se isto era uma situação pontual, ou se a Câmara Municipal estava a pensar colocar isto noutras passadeiras, especialmente nas que havia risco de atropelamento por falta de visibilidade. (...)

Sra. Presidente - (...) Relativamente às passagens para peões, o Sr. Vereador Eusébio Candeias também falaria disso. (...)

Sr. Vereador Eusébio Candeias - Em relação aos sinais luminosos, os chamados olhos de gato, que tinham sido colocados na Avenida 5 de Outubro, pensava que estes eram importantes em termos de visibilidade e de alerta para os condutores, quando se aproximavam das passadeiras, por razões de segurança. O que se estava afazer era um levantamento das situações eventualmente mais perigosas, nalgumas ruas ou avenidas da cidade, para implementarem mais sinalização desta. Havia a avenida Infante D.Henrique, A Avenida Guiné-Bissau, embora estas já tivesse tido uma intervenção que, de certo modo, já resolvia o problema, que eram as bandas cromáticas que identificavam perfeitamente as passadeiras, mas estava-se a fazer este levantamento para ver o que é que se conseguia em termos de orçamento, para depois se colocar em mais passadeiras. Sobre a questão da pintura das passadeiras em geral, e de artérias, no que dizia respeito à sinalização horizontal e que era uma das opções vais visíveis na cidade, estavam a preparar também uma empreitada, porque não tinham possibilidade, por administração directa, para fazer a manutenção de toda a rede viária, no que dizia respeito a toda a sinalização vertical e horizontal, nomeadamente esta ultima, porque a outra era de manutenção e recuperação de alguns sinais que se iam danificando e que era preciso substituir, e tendo em conta que também estava descentralizado em grande parte das Juntas, esta área, acabavam por ter capacidade de resposta. No que dizia respeito à sinalização horizontal, de facto, era mais difícil e teriam de recorrer a empresas porque não tinha, condições de equipamento para fazer a pintura a quente, o que dificultava a manutenção porque era menos duradoura aquela que iam fazendo. Estavam a preparar a obra, para se avançar com isto, porque se estava num tempo bom para esta intervenção. (...)

Extractos da Acta n.º 3-2008 da Câmara Municipal de Setúbal


Mais de seis meses depois não se notou nada de especial nas passadeiras da cidade para além da habitual pintura de beneficiação em vários locais.
Andam agora entretidos a testar novas teorias na (quase) renovada Avenida Luísa Tody: passadeiras com lombas, passadeiras sem lombas, passadeiras que já tiveram lombas, passadeiras (...) engrossando assim os custos finais da obra e fazendo a alegria dos empreiteiros.
Poderá estar englobada no Programa de Reabilitação Urbana - Consolidação e Tratamento de Espaços Públicos - Av. D.Manuel I, mas com o passar dos meses desenvolvi uma teoria dos motivos que levaram a esconder a placa à mais de nove meses numa rua periférica: é preciso enganar o povo votante, de forma a que pareça que se está empenhado a fazer alguma coisa, quando na realidade nada se faz, porque o dinheiro não abunda ou porque as verbas são desviadas com outros fins considerados mais urgentes. As restantes obras do Programa de Reabilitação Urbana são em zonas em que só passam setubalenses, restava a placa referente à Avenida D.Manuel I.
Como ainda faltavam muitos meses para as eleições autárquicas e portanto para que fosse dado seguimento a estas obras, foi a dita placa colocada longe dos olhos dos inúmeros visitantes que circulam nesta porta de entrada da cidade.
A falta de espaço na Avenida não é desculpa, assim como a proximidade de entradas de habitações ou lojas também não, já que a placa está colocada em frente a uma pastelaria, paredes meias com a sua esplanada, numa transversal da Avenida!
Encerrado o espaço de má língua voltamos à nossa passadeira.
Para o nosso caso não pretendemos uma passadeira radical como esta

Imagem original publicada em - Novas passadeiras

nem tão pouco uma passadeira com carácter

Fotografia original publicada em - O peão tem sempre razão!

nem tão pouco lombas, que seriam certamente para remover a curto prazo devido aos protestos dos automobilistas que mesmo a baixas velocidades danificam as suas viaturas

Pretendemos sim uma passadeira que seja assinalada com bastante antecedência, aos milhares de automobilistas que a cruzam nos dois sentidos.
A melhor forma no meu ponto de vista é a colocação de bandas sonoras (não confundir com bandas de aproximação) a uma distância razoável e porque não complementá-la com os 'olhos de gato'.

sábado, 23 de agosto de 2008

Regresso de férias

A vida está difícil e tem de se fazer escolhas.
Entre um cruzeiro nas Caraíbas, ir ver os Jogos Olímpicos ao vivo a Pequim, um destino paradisíaco numa qualquer ilha do Pacifico ou comprar uma casa nova para fugir deste inferno, foi fácil a escolha.
Assim as minhas férias fora de casa foram como a da maioria dos portugueses: por perto num local onde se gastasse pouco dinheiro.

De regresso, pensei ainda desfrutar de um pouco de sossego até segunda-feira, para me preparar para mais uma semana em que o despertador toca invariavelmente escassos minutos depois das oito da manhã.
Apesar dos lamentos à mesa de um café nas redondezas, de alguns trabalhadores que não viam com bons olhos o facto de estarem impedidos de trabalhar ao sábado, só porque alguém podia tirar fotografias e depois ir fazer queixinhas, aproveitaram a ausência do "bufo" para vir para o local da obra a um sábado, retirar cofragens que é uma actividade quase silenciosa!
Podiam ao menos ter perguntado se ia estar cá este fim-de-semana, ou então como o tempo do estágio está acabar e ainda falta fazer muita coisa, está justificado porque em 34 semanas de obra é a segunda vez que tal acontece, e a vez anterior foi à tanto tempo, que já nem me lembro quando.
A pergunta seguinte é: fazer queixa a quem?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nova Setúbal - que futuro?

Com a falta de valores que predomina na sociedade portuguesa, falta de bons exemplos de quem nos governa, uma continua desconfiança nos órgãos autárquicos e nas suas ligações pouco transparentes com o sector imobiliário, faz com que qualquer projecto que apareça, mesmo com a chancela de um Secretário de Estado ou até de um Ministro, seja posto em causa por quem se debruça sobre os impactos dessas decisões.
Para alem de parecer a muitos setubalenses (e não só) que a Nova Setúbal só vai ajudar a que uma cidade que já tem poucos atractivos para ser visitada, servindo essencialmente como destino gastronómico para o seu famoso peixe assado e como ponto de passagem para Tróia, venha a ficar moribunda e abandonada, com a criação de um destino paralelo aqui mesmo ao lado.
A Quercus está em campo e desejo-lhe os maiores sucessos na sua iniciativa.

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza interpôs no passado dia 25 de Julho junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa uma providência cautelar para evitar o abate de mil e duzentos sobreiros localizados na área da projectada mega-urbanização denominada Nova Setúbal, a Sul da Estrada Nacional 10 entre a saída de Setúbal e Vale da Rosa no sentido Setúbal-Algarve.
(...)
De uma forma geral e em síntese, as objecções da Quercus ao Plano de Pormenor são motivadas pelo seguinte:

Razões políticas e de ordenamento do território
  • Não tem sentido em termos de ordenamento do território e numa lógica de desenvolvimento sustentável um crescimento periférico tão elevado (de cerca de 30%) da cidade de Setúbal, cujo centro histórico se encontra cada vez mais abandonado e inseguro; é certo que uma eventual expansão da cidade se deverá fazer para Este, mas não com esta dimensão;
  • A área em causa tem características paisagísticas únicas, nomeadamente a presença de importantes manchas de sobreiros, que não merecem ser destruídas com investimento mobiliário e comercial que ampliará ainda mais as dificuldades de mobilidade e a lógica de consumo que se deveria reduzir do ponto de vista ambiental, social e económico na sociedade portuguesa;
  • A autarquia encontra-se com enormes dificuldades financeiras e o Plano de Pormenor implica gastos muito consideráveis para o seu orçamento no médio/longo prazo;
  • O Plano de Pormenor, como explicado, tem implicações muito mais penalizantes para o Estado por comparação com o financiamento privado;
  • Existe todo um conjunto de relações, decisões e negócios associados a este Plano de Pormenor que não deve ser esquecido e que nos parece pouco transparente.
Razões legais
  • A atribuição de utilidade pública a todo o Plano de Pormenor e não apenas a determinados empreendimentos em causa não é considerada legal, nomeadamente porque um Despacho Conjunto ultrapassa a fundamentação do Decreto-Lei relativo à protecção dos sobreiros;
  • O Tribunal de Contas tem de se pronunciar previamente sobre os contratos subjacentes ao Plano de Pormenor e, que tenhamos conhecimento, até agora não o fez.

Lisboa, 6 de Agosto de 2008
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Extracto do artigo - Quercus interpõe Providência Cautelar


Também a versão final do loteamento que nos atormenta, foi aprovada pelo Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades em Julho de 2005 e continuamos convictos que a documentação apresentada não foi certamente a suficiente (se calhar nem interessava), pois nenhuma pessoa no seu perfeito juízo iria aprovar um loteamento desta dimensão, numa zona que deveria estar abrangida pelo estatuto de "paisagem protegida".
Eis para onde caminhamos ...

Imagem não original, inserida num artigo cuja leitura recomendo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O fermento

Portugal aparece agora em tudo que é noticia a nível de inovação tecnológica.
O nosso Primeiro-ministro não se cansa de o afirmar regularmente nas cerimonias protocolares ligadas a novos investimentos na área das novas tecnologias:
  • (...) Queremos estar na fronteira tecnológica e modernizar o nosso país. É isso que o plano tecnológico está a fazer e é esse o caminho que queremos seguir (...)
  • (..) este investimento vem dar mais confiança à nossa economia e demonstra a qualidade dos nossos recursos humanos e as nossas competências. É um desafio importante também a nível de empregabilidade, o que é determinante para o futuro do país(..)
Dentro de uma década, quando os alunos de todos os níveis escolares que agora estão a receber o seu portátil ao abrigo do programa Novas Oportunidades, tiverem entrado no mercado de trabalho, ninguém nos irá igualar certamente em número, no respeitante a novos avanços e descobertas a nível tecnológico.
Na recta final dos Jogos Olímpicos de Pequim, é com alegria que vemos em letras gordas na comunicação social Speedo LZR RACER - Michael Phelps veste «Made in Portugal».
Os fatos utilizados pela maioria dos nadadores nos Jogos Olímpicos de Pequim, envoltos em alguma polémica pois vieram revolucionar o mundo da natação ao mais alto nível, resultaram de um processo de desenvolvimento conjunto da Speedo, NASA e do Instituto Australiano de Desporto, sendo fabricado em Portugal, na Petratex, uma unidade têxtil de Paços de Ferreira.(+)
Não querendo rivalizar com a cidade nortenha, o nosso bairro que também já tinha tido o seu destaque no início do ano, (por termos sido pioneiros a nível mundial no primeiro edifício auto-suficiente a nível energético e de abastecimento de água potável, bem cada vez mais escasso), aparece novamente na vanguarda da construção civil. Como fazer um edifício crescer sem usar mais cimento?
Resposta simples, qual ‘Ovo de Colombo’, basta juntar um pouco de fermento na altura da betonagem, que é vê-lo a crescer dia-a-dia.
Não podemos pois chamar mentirosa à funcionária dedicada da Câmara Municipal de Setúbal, que compilou toda a informação referente aos dois projectos que nos atormentam, pois esta baseou-se somente na informação disponibilizada pelos vários departamentos/divisões envolvidos, e que oportunamente publicamos.
Assim, quando ela em jeito de conclusão afirma que:

- que o edifício a construir no alinhamento da banda já edificada sobre a Av. D. Manuel I só terá 6 pisos, dos quais 5 para habitação e um para estacionamento e comércio, acrescendo que, dado o acentuado declive da avenida, a cota da sua cobertura será inferior à que se verifica no prédio imediatamente a norte.

não contou com esta descoberta também pioneira, que de certeza vai levar bem longe o nome da construtora, o nosso bairro, Setúbal e PORTUGAL!

domingo, 17 de agosto de 2008

Stand de vendas - Parte II

Na passada 6ª feira deu-se inicio à 6.ª edição da “Festanima”, festa do movimento associativo da freguesia de S. Sebastião, que se irá prolongar até ao próximo dia 24.

Toda a área esta engalanada com bandeiras e faixas para chamar a atenção dos que por aqui passam para esta festa de cariz popular.

A Festanima decorre nas Escarpas de S. Nicolau ao longo de parte da Avenida Belo Horizonte, fechada ao transito nesta área. O objectivo da organização do evento é proporcionar divertimento popular e, ao mesmo tempo, através do trabalho e empenho dos dirigentes associativos, angariar receitas para manterem as suas regulares actividades, de índoles recreativa, cultural e desportiva, por via da exploração dos bares gastronómicos montados no recinto e onde a animação musical é uma constante diária.

Vamos pela primeira vez ter a oportunidade de ver o stand de vendas, onde o povo de Setúbal poderá negociar a compra de uma habitação de custos controlados, que se encontra já em avançado estado de conclusão, construída a escassos metros do recinto da festa e que poderá ser visitada no momento.

Nada melhor de que um local onde se concentra o povo genuíno de Setúbal, muitos deles com necessidade de habitação, para começar a vender esta habitação de cariz social, que para além de uma vista soberba para o Estuário do Sado, há quem ateste que foi construída com elevados padrões de qualidade.

Leitura complementar recomendada - Stand de Vendas

Foto da semana 33

Semanas anterioresOriginal01234567891011121314151617181920
212223242526272829303132