terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mijar fora do penico

Um titulo um pouco forte e pouco habitual neste blog, ao escolher uma frase que está no limiar da ordinarice.
Contudo, simplesmente está a usar-se uma frase popular que significa: sair da linha, desrespeitar as regras, e que na nossa perspectiva é a melhor forma de expressar a ultima atitude, reveladora que nada foi aprendido, por quem ainda aqui continua a atormentar a saúde mental dos moradores, deste pacato bairro setubalense.
O penico. esse utensílio caseiro, importantíssimo no vida quotidiana dos nossos antepassados, também merece ser relembrado regularmente, para que os nossos jovens pelo menos saibam o significado dessa palavra. Foi certamente a pensar nisso, que foi fundado em 2007, o Museu do Penico instalado no Seminário de São Cayetano, junto à Catedral de Ciudad Rodrigo, a cerca de 30km da fronteira de Vilar Formoso.

Terminada a parte lúdica deste artigo, vamos ao que interessa.
Em 27/11/2008, contrariando tudo o que tinha sido dito aos moradores das imediações do outro muro, em reuniões com responsáveis da autarquia, ocuparam abusivamente dois lugares de estacionamento para a colocação de uma grua, que iria ajudar a construir mais um lindo mamarracho, nesta zona da cidade.

Como se não bastasse esta ocupação abusiva e contestado na altura, foi também vedado o acesso a uma zona pertença do prédio que faz fronteira a poente com esta emblemática obra.

Poderia-se alegar motivos de segurança, mas a ocupação resultou numa escadaria de gosto mais que duvidoso, alegadamente para disfarçar a construção de um posto de transformação da EDP.

Se olharmos para o projecto original e para a zona de intervenção, verificamos que mijaram fora do penico pela primeira vez.

Agora, os iluminados funcionários da Câmara Municipal de Setúbal, acharam por bem dar o seu aval ao pedido da construtora, para que o local onde outrora esteve montada a grua, que durante décadas foi local de estacionamento (2 lugares), fosse transformado em parque de contentores de lixo, que serviriam os 71 novos fogos e lojas.

Considerando que existiria um local 'neutro' (por cima desta escadaria monstruosa), verifica-se que mais uma vez mijaram fora do penico.
Coitado de que teve o azar de comprar o rés-do-chão deste prédio e que agora para alem do barulho nocturno do camião do lixo, mesmo ao pé da janela, tem de gramar o cheiro e a moscaria correspondente, do lixo de todos aqueles que lhe vieram morar para o pé da porta, sem se saber bem como tal foi possível.
Se as reuniões pedidas pelos moradores que se sentem lesados, não resultarem numa reformulação do arranjo da envolvente deste mamarracho, e por conseguinte na devolução deste espaço para estacionamento, iremos ver certamente mais alguns apartamentos à venda, por quem tenta fugir a todo o custo, do inferno em que se tornou esta pacata zona de Setúbal.

domingo, 5 de setembro de 2010

Agente infiltrado

"A paciência é amarga, mas o seu fruto é doce"

Graças à actividade, constante e metódica, do nosso agente infiltrado, conseguimos pôr a nu o efeito da pedrada, que serviu de enredo ao artigo anterior.
Para todos os que pensaram que podia ser uma montagem, aqui ficam as imagens que gostaríamos de ter mostrado no artigo anterior:

E já agora, fica também a imagem de pormenor:

O nosso obrigado, a todo o apoio desinteressado, dado pela gravidade terrestre.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Falta de pontaria

Dois pequenos contratempos atrasaram a publicação deste artigo: a desmotivante falta de sorte em não ter conseguido a fotografia certa (forraram os vidros com jornal logo na semana seguinte e perdeu-se grande parte do impacto que a dita foto teria), e foi preciso algum trabalho de Photoshop para que a coisa tivesse o efeito visual mais ou menos pretendido.
Vamos então à história. Em meados de Junho, alguém não consegui resistir e fez dos 'apetecíveis' vidros de uma das lojas do 'Outro Muro', um alvo perfeito para testar a sua pontaria. Claro que com pouco treino conseguiu somente um misero ponto.
A situação teria um impacto diminuto se tal não pudesse repetir-se vezes sem conta, não chegando certamente os lucros da loja para pagar a contínua substituição de vidros. Quem comprou a loja considerou-a ideal para o seu negócio mas, as mentes brilhantes que idealizaram o projecto, acharam que a anormalidade iria colher frutos e agora cada um que se safe - 'The Tuga way'.

Mais lojas estão em risco e será (penso eu), uma questão de tempo até que alguém se lembre de fazer destas janelas o 'alvo perfeito'. A posicionada mais abaixo, na imagem seguinte, nem devia ser válida para nenhum campeonato, já que é demasiado fácil de acertar.

A minha construção de eleição, a que eu carinhosamente chamo 'Muro' da Vergonha, não corre semelhantes riscos, o de ser considerado um alvo. As varandas do rés-do-chão e 1º andar são mais adequadas para 'cestos', actividade muito do agrado da juventude, onde a vulgar bola de basket será substituída por latas ou garrafas.

Longe vão os tempos, em que os jovens que habitam nos bairros sociais das proximidades e que normalmente passam em bandos durante as noite e madrugadas de verão, a pé no Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I, tinham somente como diversão arremessar coisas para os carros que passavam sob o Viaduto. Para não serem reconhecidos davam pontapés nos candeeiros de rua, para fundirem as lâmpadas e a zona ficar completamente às escuras.
Um desporto pouco habitual destes adolescentes, já que requeria alguma perícia (cerca de 40 metros), era tentar acertar no portão da garagem do prédio que faz fronteira a norte com este mamarracho, com as pedras que retiravam da calçada.

Quando se ouvia o barulho do impacto da pedra na chapa do portão e se vinha à janela, já era tarde de mais. Viam-se somente vultos a correr já perto do Depósito de Água da Bela Vista.
Com estes novos desafios, certamente poderão ser organizados vários campeonatos multidisciplinares, que possam de alguma forma ser integrados na nossa Agenda Cultural, sem eventos de relevo há já algum tempo. Já vamos um pouco atrasados para participarmos na 8º edição da Festanima que decorre a escassos metros deste local, entre os dias 13 e 22 de Agosto e que origina um transito anormal de pessoas a pé neste viaduto. Fica para uma próxima...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Tudo boa gente...

Recortei uma noticia de rodapé do jornal "Diário de Noticias" há umas semanas atrás, mas só agora me recompus da tristeza que me assolou na altura. Nem queria acreditar que o Presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), que terá a sua cota parte de responsabilidade nos amores e desamores destas duas emblemáticas obras do Instituto que tutelava, construídas no bairro Fonte do Lavra, em Setúbal, tenha ido parar ao olho da rua, por uma coisa tão menor, como tentar dar oportunidade ao genro de se tornar um 'boy' do sistema (tipo negócio de família).

No site do jornal, pode-se ver a noticia com todo o detalhe:

Nuno Vasconcelos anulou parte de concurso para técnicos superiores, depois de o seu genro ter chumbado na prova de conhecimentos

O presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), Nuno Vasconcelos, soube ontem que a ministra do Ambiente e Ordenamento do Território, que tutela o organismo, não o reconduz no cargo. A decisão foi tomada por Dulce Pássaro num momento em que a polémica está instalada no IHRU devido à decisão tomada por Vasconcelos de anular parte de um concurso para o preenchimento de 11 postos, no qual o genro foi chumbado.
Neste concurso, aberto a 4 de Setembro de 2009, para a carreira de técnico superior, o genro do presidente do IHRU, Vasco Mora, chumbou a prova escrita de conhecimentos com 7,6 valores. O que lhe impossibilitou a passagem à prova oral, a última etapa do concurso. Segundo documentação a que o DN teve acesso, nesta fase foram aprovados dois candidatos, com mais de 16 valores. Só que por despacho, de 12 de Maio de 2010, a que o DN também teve acesso, Vasconcelos, determina a anulação do concurso a partir da prova de conhecimentos, questionando algumas questões nela contidas "não se incluírem na avaliação das competências técnicas ao exercício de determinada função".

"Tenho vergonha de estar num Instituto que faz provas como estas", disse ao DN o presidente do IHRU, garantindo que a anulação do concurso nada teve a ver com "as duas pessoas conhecidas" que concorreram. "Falei várias vezes com o júri (que é interno) e pedi para toda a gente passar à segunda fase, até porque tecnicamente havia perguntas profundamente erradas na prova de conhecimentos".
Apesar de não ter reconduzido Nuno Vasconcelos no cargo, o Ministério do Ambiente afirmou "desconhecer" o caso. Fontes do IHRU garantem ao DN que a anulação do concurso "indignou muita gente no Instituto, porque sugere favorecimento do genro do presidente". E as mesma fontes sublinham que em oito concursos para preenchimento de vagas no IHRU, nunca se verificou qualquer problema. "Nem sequer neste houve reclamação de qualquer concorrente", acrescentam.
Acresce a este burburinho interno, o facto de o Código de Procedimento Administrativo, no seu artigo 44.º, estabelecer que "nenhum titular de órgão ou agente da Administração Pública pode intervir em procedimento administrativo ou em acto" quando, "por si ou como representante de outra pessoa, nele tenha interesse o seu cônjuge, algum parente ou afim em linha recta ou até ao 2.º grau da linha colateral".
PAULA SÁ - 01 Junho 2010

Com a chegada do novo Presidente do Conselho Directivo do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), António José Mendes Baptista, que foi até agora adjunto no gabinete do secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, pode ser que haja uma nova filosofia, na abordagem do destino destas novas construções, que por estarem abrangidas pelo estatuto de 'Habitação de custos controlados' têm regras bem definidas: inscrição, analise de rendimentos e património, ...
O "Muro" da Vergonha está minado de irregularidades, o que há-de a breve prazo ser esclarecido em Tribunal, mas pode ser que ainda haja tempo de não deixar prolongar o regabofe no outro muro.

domingo, 4 de julho de 2010

Aprovado!

Tal como prometido, cá estamos a dar a nossa opinião final (sempre isenta) desta obra emblemática do Município de Setúbal, a que eu carinhosamente chamo o "Muro" da Vergonha.
Depois de meses de impasse, avanços e recuos, foi sanado o ultimo diferendo em aberto (com a EDP) à cerca de uma semana.
Desde o início da semana que se notou alguma agitação pelas redondezas, com a remoção do gerador industrial de má memória e retoques de ultima hora.
Na sexta-feira de manhã lá compareceu a comitiva da Câmara Municipal de Setúbal, para a vistoria final e, aparentemente já está tudo em condições para ser passado o Certificado de Habitabilidade.

Fica contudo pendente um autêntico imbróglio com os compradores das lojas, a quem, acharam por bem entregar as mesmas em bruto. Os compradores não aceitam e com razão. A Câmara Municipal de Setúbal pelos vistos está do lado dos compradores e não emite as respectivas licenças. O tempo dirá como vai acabar este 'braço de ferro'.
Mas voltando ao que nos trouxe aqui, convém dizer que a construção não teve os melhores acabamentos e será de esperar infiltrações de humidade nas paredes cobertas com a cor de muro. Quem passar por perto facilmente percebe ao que eu me refiro.
Os arranjos da envolvente excederam as expectativas e talvez tenha sido uma forma de se redimirem do 'Pecado Original'. (leitura auxiliar recomendada - O Mapa do Tesouro)
Três reparos:
  1. A entrada principal dos dois blocos mais a nascente, não são práticas, nem tão pouco seguras (mas isso são opiniões externas), pois encontram-se numa zona escondida (se bem que iluminada) e fora do circuito normal da chegada dos moradores. A entrada da garagem é a escapatória normal e lógica para esta situação e faltou prever uma porta de acesso para pessoas, para não ser necessário abrir um portão enorme ao entrar ou sair do edifício.

  2. O outro reparo tem a ver com uma opção estética no arranjo da envolvente, que será objecto de um artigo (humorístico) próprio - Contemplando o 'Muro", previsto à já cerca de 3 meses, mas como envolve fotos bem conseguidas e algum trabalho de Photoshop tem sido sucessivamente adiado.
  3. É de esperar que a casca de pinheiro que evita que nasçam ervas daninhas no ajardinado em frente ao bloco mais a poente, desapareça a olhos vistos já que , regularmente está a ser 'subtraído' por pessoas que se deslocam ao local com sacas e com caixas para levarem à borla algum deste material para o seu jardim. Não me contaram, até já lá vi um sujeito com uma pá no local, e de dia, e nem estava minimamente preocupado com que por lá passava na altura. Tipicamente tuga.
Relembrando um artigo publicado em 06 de Julho de 2008, vamos também mostrar que tínhamos (alguma/toda) razão quando questionamos a construção deste mamarracho tão perto de um viaduto já existente e muitas vezes mal frequentado (bandos de jovens adolescentes provenientes dos bairros sociais das proximidades). O artigo está em preparação e deve ser publicado brevemente - Falta de pontaria.
Vamos acompanhar de perto a chegada dos novos moradores, essas famílias necessitadas, que a Câmara Municipal de Setúbal a seu tempo, analisou e diferiu as centenas de pedidos que lhes foram enviados, por famílias a quem não se esqueceu de enviar cartas personalizadas. O tempo é o melhor Juiz e a falta de privacidade (que é mutua em relação ao edifício contíguo) vai certamente dar para ver e conhecer quem foram os felizes contemplados com um apartamento neste mamarracho, com vista para o Sado.
Se esta vai ser a casa dos seus sonhos ou o inferno das suas vidas, só vai ser possível saber quando houver alguma decisão transitada em julgado, na acção judicial que opõe moradores do edifício contíguo contra o licenciamento pela Câmara Municipal de Setúbal do projecto 274/06, o que pode demorar ainda alguns anos.
Uma descoberta surpreendente do nosso detective de serviço, mostrou-se inconsequente já que, passados vários meses não foi dada continuidade a uma reunião com os actuais moradores de uma zona meia clandestina, onde é suposto ser edificado um projecto em terrenos também pertencentes ao IHRU, para averiguar da disponibilidade das cerca de 2 dezenas de famílias, para serem provisoriamente realojadas no "Muro" da Vergonha. Apesar da disponibilidade da grande maioria, estas não voltaram a ser contactadas. Na altura pensou-se que seria uma arma que a Câmara Municipal de Setúbal iria utilizar no processo judicial para, alegar que a demolição do mamarracho iria conduzir à não alternativa para essas famílias. Pode também ser que tenha havido muitas desistências de todos aqueles que se cansaram de esperar por escrituras prometidas desde Agosto de 2009 ou, por ser difícil continuar com os pedidos de empréstimo bancário já que os bancos começaram a ser mais exigentes nos critérios para empréstimos
, ou então porque abriram os olhos (ainda a tempo). Aparentemente a imobiliária encarregue da venda ainda continua a mostrar os mesmos dois (sempre únicos) apartamentos disponíveis. Vamos continuar atentos e investigar qualquer boato mentiroso que circule por estas bandas.
Pela nossa parte continuaremos a actualizar a informação disponível em artigos neste blog e no seu associado. No local manteremos as faixas negras sempre que for logisticamente possível.

domingo, 18 de abril de 2010

Imagem do Paraiso

Estávamos em 2005 e ainda não tinha por aqui aparecido, a sempre insaciável goludice imobiliaria, encarregada de transformar uma zona de Setúbal, onde ainda havia alguma coerência urbanística, numa 'coisa' que dentro de uma década poderá assemelhar-se a uma Copacabana, mas sem praia!

À direita da fotografia, foi entretanto construído aquilo a que eu chamo carinhosamente, O 'Muro' da Vergonha.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Nós por cá

O tempo passa, mas as mentalidades não evoluem. Revoltámos-nos contra a sujidade constante (e perigosa) numa via bem movimentada, durante o aterro do 'Outro Muro'. Por cá, ainda, andam novamente os mesmos senhores, usando e abusando de práticas pouco recomendáveis.

Recordam-se a seguir, algumas das fotografias inseridas num artigo com um titulo bem sugestivo - Badalhoquices q.b. - publicado em 19-01-2009.

Vão agora ficar certamente à espera, que os seus amigos de sempre, venham limpar esta sujidade, como por exemplo o fizeram anteriormente, após um triste espectáculo.

Esta ultima imagem foi publicada no artigo sobre as boas práticas destes senhores, também este com um título sugestivo - Fato domingueiro - publicado em 29-01-2008.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A Rêmora

Rêmora ou rêmora é o nome vulgar dos peixes da família Echeneidae, que possuem a barbatana dorsal transformada numa ventosa, com a qual se fixam a outros animais como tubarões ou tartarugas, podendo assim viajar grandes distâncias.
É normalmente usada como exemplo de comensalismo (Actualmente este conceito abrange qualquer relação, alimentar ou não, na qual uma espécie se beneficia sem prejudicar a outra, sendo assim consideradas uma relação harmónica).

Passado que está o momento de cultura geral, vamos então falar deste blog.
Estamos de parabéns porque atingimos a fasquia dos 30000 visitantes. Uma proeza dirão alguns, mas este numero foi fruto de um trabalho de bastidores exaustivo e diário.
Chegou agora também o momento de tornar disponível (ainda que um pouco censurado) o artigo que se relaciona com esta autêntica proeza e que está guardado em rascunho desde a primavera de 2008, e a que já nos referimos algumas vezes. Continua ainda a não ser oportuna a sua publicação na integra, mas lá chegará o dia. A versão disponível deste artigo, em ficheiro Pdf, pode ser vista aqui.

A nossa querida rêmora vai continuar associada ao 'tubarão' enquanto esta relação não for renunciada pela outra parte, que desde Setembro passado deixou de gostar muito da nossa companhia. Se tal acontecer mudamos de cenário, mas ainda por cá andaremos por um bons e longos tempos.

Obrigado a todos os que nos visitam, e na pior das hipóteses, divirtam-se com o nosso Suplemento Kultural diário.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um apoio de peso!

Segundo informações veiculadas na imprensa de hoje, o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, vai visitar Portugal no próximo mês de Novembro, por ocasião da Cimeira da NATO, que se realiza em Lisboa, ao que tudo indica nos dias 19 e 20.

Depois do apoio declarado à nossa luta, num empolgante discurso junto ao monumento Coluna da Vitória, em Berlim, em Julho de 2008, a que fizemos referencia na altura, chegou o momento de convidar o distinto Presidente dos Estados Unidos da América a visitar o nosso 'Muro' da Vergonha.
Conscientes de que a sua agenda vai ser certamente muito apertada, vamos envidar todos os nossos melhores esforços diplomáticos para garantir a sua presença neste local.
Daremos noticias em breve, dos resultados das nossas diligências.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Deus nos acuda!

Na mesma altura que foi construído este brilhante exemplar de um Urbanismo moderno, a que eu carinhosamente chamei 'Muro' da Vergonha, decorriam duas construções com características semelhantes (Habitações a custos controlados patrocinadas pelo IHRU, a ser construídas pela Sociedade de Construções H.Hagen) e que eu de certa forma acompanhei desde o início. O artigo inicial remonta a 11 de Fevereiro de 2008 com o título sugestivo 'Urbanismo nos tempos modernos'. Os anos passaram e os caminhos voltam-se a cruzar, não por causa das polémicas ligadas ao local em que foram construídas, mas sim com as polémicas ligadas às licenças de utilização e às escrituras por parte dos compradores.
Andava por aqui um vendedor muito activo a tentar vender um presente envenenado, que não gostou que alguém lhe andasse a dar cabo de negócio e lá vieram os comentários de veemente repúdio num artigo com um nome bastante sugestivo: Mentiras, vigarices, trafulhices & afins publicado num dia insuspeito - 01 de Abril de 2009.
Ainda ninguém me consegui provar que eu estava errado. Os futuros moradores lá deram os 10% de sinal e as escrituras ficaram apalavradas para Agosto de 2009. 6 meses depois ainda ninguém tem qualquer perspectiva de quando elas se vão realizar. Correm vários rumores por estas bandas (tipo boato mentiroso) como sendo o não cumprimento dos compromissos financeiros pela construtora perante o IHRU e outra versão, mais soft, em que o suposto atraso se deve ao nosso processo em tribunal. Custou 60 euros, mas foi considerado um serviço publico o painel que colocamos em local vem visível para que os pretensos compradores não se deixassem levar pelo conto do vigário. Pelos vistos não fomos levados a sério na altura, mas o tempo veio-nos dar razão. Estão estes, agora, a arder com o dinheiro do sinal, à espera de melhores dias.
Piores estão certamente os compradores das Torre D´Aguilha, em São Domingos de Rana que estão a arder, hà muito mais de um ano com 10% do valor das fracções, fartos de promessas vãs, e que ainda não conseguem vislumbrar uma luz ao fundo do túnel. Informação na Internet abunda sobre esta desgraça, e em seguida pode ler uma cópia do ultimo correio electrónico publicado pelos futuros moradores lido neste link:

From: moradores@live.com.pt

To: isabel.melo@hagen.pt; isabel.pinto.goncalves@cm-cascais.pt
CC: nos@sic.pt; rtp@rtp.pt; relacoes.exteriores@tvi.pt; tsf@tsf.pt; cartasaodirector@sol.pt; info@ionline.pt; provedor@publico.pt; director@expresso.impresa.pt; provedor@dn.pt; mail@rr.pt; filomena.moura@hagen.pt; ver.marianaribeiroferreira@cm-cascais.pt; geral.imobiliaria@hagen.pt; gamu@cm-cascais.pt; belem@presidencia.pt; pm@pm.gov.pt; portal@ps.pt; bloco.esquerda@bloco.org; cds-pp@cds.pt; moradores@live.com.pt; blocoesquerdacascais@sapo.pt; euroconsumo@dg.consumidor.pt; dgc@dg.consumidor.pt; decolx@deco.pt

Subject: FW: Habitações a custos controlados na Torre D´Aguilha em São Domingos de Rana
Date: Thu, 25 Feb 2010 00:15:20 +0000

Exma. Drª Isabel Melo e Drª Isabel Gonçalves,

É interessante ver que o tempo continua a passar e aos moradores ainda não foi entregue a documentação para estes entregarem nos seus bancos, já não basta nos terem prejudicado por omissões no processo de licenciamento, fomos ainda prejudicados pela inércia da Hagen na construção dos espaços verdes e ainda fomos prejudicados pela Hagen nas informações que não foram dadas sobre a data da ultima vistoria (12 de Fevereiro de 2010, data esta que a empresa desconhecia), e que foi omitida aos moradores (só revelou aos moradores depois de a Câmara o ter feito, o que demonstra a má fé e a falta de profissionalismo da empresa em todo o processo), agora mesmo depois de a Câmara de Cascais já ter dado conhecimento aos moradores que as licenças de utilização já foram emitidas no inicio desta semana (22 de Fevereiro de 2010), seria interessante a Hagen justificar a inércia de que sofre e que a impede de pensar um pouco nos interesses e direitos (que já foram violados desde o inicio de todo o processo) destes clientes e nos interesses e direitos dos moradores (isto porque é uma empresa privada, embora não aparente pela impunidade que parece gozar).
  1. Qual a justificação que a Hagen tem para ainda não ter entregue a documentação em falta aos moradores (isto porque se for delegada esta função à Hagen o processo não irá conhecer nunca um fim)?
  2. Neste momento onde se encontram as licenças de utilização?
    Obs: Os moradores concordam em assinar um termo de responsabilidade se necessário para levantar a documentação na Hagen ou na Câmara, isto porque estamos fartos de esperar. No final do processo depois com mais tempo resolvemos a situação relativa à violação dos nossos direitos e interesses,
É uma vergonha que se permita que uma empresa como esta continue no mercado e ainda é uma vergonha maior que os orgãos de comunicação social continuem a abafar esta situação.

Sem outro assunto,

Os futuros moradores

Deus nos acuda!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Santas palavras

(...)
E falando ainda de Justiça, não podemos deixar de reconhecer as dificuldades que a justiça das leis e dos tribunais, entre nós, está a sentir para garantir a legalidade e defender os legítimos direitos de todos. Temos de reconhecer que a justiça dos tribunais só pode cumprir a sua importante função se, antes demais, houver a coragem de promover entre os cidadãos uma verdadeira cultura de justiça, que supõe conjugação de esforços para a autêntica educação cívica e de valores. De outro modo – e os factos estão a confirmá-lo – será difícil garantir eficácia à nossa justiça, sujeita como está a toda a espécie de pressões e cada vez mais embrulhada em jogos de interesses.
(...)

Extracto da Mensagem de D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, para a Quaresma 2010.
O sublinhado é da minha autoria...

Deixo aqui uma pergunta:

O que tem a ver a apreensão de uma considerável quantidade de droga no Algarve, a um jovem 'inconsciente', filho de uma das famílias VIP de Setúbal, com o 'Muro' da Vergonha?

Só há mesmo duas hipóteses:
  • Tudo.
  • Nada.
Agora, como dizia Maria José Nogueira Pinto, sei que vocês sabem que eu sei que vocês sabem que eu sei...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Votos para 2010

Não podia perder a oportunidade de desejar, aos que visitam este blog, que todos os vossos sonhos se realizem no Novo Ano que acaba de nascer.
Obviamente que estes votos não são extensivos aos que, de uma de forma directa ou indirecta contribuíram para que nascessem por estas bandas uns mamarrachos, mesmo que ocasionalmente visitem este cantinho do ciberespaço, já que a concretização dos sonhos dessa gentalha, era um golpe mortal na nossa cruzada contra estas 'coisas'.
O 'Muro' da Vergonha poderá ter um desfecho feliz (na nossa perspectiva) com a sentença, lá para a primavera, da nossa acção principal, mas o outro muro vai ser uma coisa com que teremos de conviver nas próximas décadas.
Como este bairro é propenso a boatos mentirosos, eis o boato que apareceu por aqui ao longo do Verão passado, logo que foi anunciada a recuperação dos espaços públicos do bairro da Bela Vista, que excluíam outro bairro social na mesma zona urbana e que estaria condenado à demolição: nos cerca de 70 apartamentos, disponíveis no outro muro, (de venda mais do que complicada e que não deu para encher os bolsos de quem apostou no cavalo errado) seriam realojadas as famílias que habitam no chamado bairro Azul que a seguir seria demolido para que aí se dê largas à gulodice imobiliária, sempre atenta a estas oportunidades únicas.
A ser verdade este boato mentiroso e para que estas famílias não se sintam deslocadas, não sendo assim necessário grafitarem as paredes do seu novo espaço para se sentirem em casa, e já que começaram recentemente as pinturas do outro muro, o meu sonho para 2010 era que a fachada norte tivesse um aspecto inovador, para que a vizinhança tentasse perdoar a cor de muro com que ornamentaram o 'Muro' da Vergonha e aceitassem melhor esta aberração à porta de casa.

Outra vantagem era esta fachada deixar de ter o aspecto de uma prisão, hospital, bairro social, escola, etc.

Quanto à escadaria, que é um monumento ao mau gosto vigente de quem constrói por estas bandas, nem com pinturas lá vai...

Não querendo ser somente um veículo de boatos, estamos a ultimar uma investigação (sempre a cargo do nosso detective de serviço) no seguimento de uma descoberta surpreendente, que trará certamente alguma luz ao ambiente negro que rodeia estas novas construções.