quinta-feira, 12 de julho de 2012

A verdade da mentira

Estamos habituados a aceitar que, o que é verdade hoje pode muito bem ser mentira amanhã. Isto é válido para o Futebol (demasiadas vezes), para a Política (muitas vezes) e para a Justiça (algumas vezes).
Quando a 11 de Junho de 2012 foi marcada a data da Audiência de Julgamento para o dia de hoje às 09:30, julgávamos nós que estaria a chegar ao fim, esta espécie de novela que tem ocupado maioritariamente este blogue desde finais de 2007.
Estávamos completamente enganados já que, aproveitando os mecanismos processuais, o IHRU - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, requereu o adiamento da audiência para depois das férias judiciais. Obviamente que os motivos foram válidos, já que o pedido foi deferido pela Juíza do processo.
Assim, a Audiência de Julgamento do processo 293/08.5BEALM (Abril 2008), que opõe um grupo de moradores contra o Município de Setúbal, Sociedade de Construções H.Hagen e Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana fica adiada para o próximo dia 20 de Setembro pelas 09:30, no Tribunal Fiscal e Administrativo de Almada.

domingo, 1 de abril de 2012

O regresso do Sheik

Apesar de tentar passar despercebido, tem sido visto com alguma regularidade por estas bandas, o nosso conhecido Sheik Al-Kuchete.
Para aqueles que não acompanham esta novela desde o início, ou para os mais distraídos, recordamos que este Sheik era (e pelos vistos aí é, depois da atribulada Primavera Árabe) um homem de confiança de alguns governantes árabes, que ficou rapidamente multi-milionário depois de ter descoberto petróleo no seu quintal. Na posse de tanto dinheiro, logo começou à procura de bons locais para investir.
O Sheik tinha regressado às Arábias em finais de 2008 depois de terminada a sua principal missão por estas bandas (espionagem industrial), levando informações vitais sobre uma construtora de sucesso que operava num pacato bairro de Setúbal.
Após ter saído num jornal local, uma imagem da sua chegada ao deserto da Fonte do Lavra no já longínquo dia 06 de Julho de 2008, conduzindo num Ferrari ultimo modelo (condizente com o seu estatuto) e acompanhado do seu guarda-costas pessoal, nunca mais conseguiu o tão desejado anonimato como a sua missão de espião o exigia.

Ao que conseguimos apurar, o Sheik Al-Kuchete, descobriu através da Internet que a construtora que ele tinha estado a observar secretamente na sua anterior estada, estava a passar por enormes dificuldades financeiras e que o acordo conseguido no final da primavera passada com 3 instituições bancárias não tinham produzido os efeitos desejados, tendo-se visto obrigada a vender ao desbarato a maior parte dos seus estaleiros em diversas zonas de Portugal, continuava a não ter capacidade financeira para terminar uma magnifica construção, precisamente no local onde alguém muito mal intencionado, lhe tinha tirado uma foto à sua chegada á Fonte do Lavra, foto essa que saiu no pasquim que referimos anteriormente.

Este magnífico edifício foi publicitado com pompa e circunstância numa Imobiliária de renome, mas a falta de recursos financeiros das famílias portuguesas levou a que não se tenha conseguido vender um único apartamento, apesar dos preços serem convidativos e da soberba vista, sobre o Estuário do Sado e da Serra da Arrábida.

Se calhar a imagem que aparecia na revista da Imobiliária não era a que mais favorecia esta magnífica construção. Penso que a fotografia seguinte, onde se pode apreciar as linhas sóbrias e geométricas, da fachada virada para a Avenida D. Manuel I, dão uma melhor noção da elegância deste projecto arquitectónico.

Quando recebeu por email fotografias desta zona, em que se via um claro abandono de toda a zona envolvente, até lhe veio uma lágrima ao olho (o Sheik apesar de ser uma pessoa riquíssima, continua a ser uma pessoa sensível, coisa que é difícil de encontrar nos dias de hoje).

Como uma das coisas que o atraiu por estas bandas foi o clima, e como Portugal continua a ser um país acolhedor para quem nos escolhe para residir/trabalhar, o Sheik resolveu comprar todo o Edifício Encosta do Rio II, onde espera alojar as suas 47 mulheres (uma por apartamento), reservando um apartamento para só para sí (tipo refúgio), 5 apartamentos para criados e seguranças, ficando os restantes 20 apartamentos para acolher amigos ou outros visitantes de ocasião. O nome do imóvel será alterado para Edifício Al-Meirim em homenagem ao bom melão que se produz naquela região, e que é uma das frutas favoritas do Sheik.
As lojas ao nível da Rua Bartolomeu Dias ficará ocupado com uma creche (para dar apoio aos seus 17 filhos ainda bebés) e um amplo refeitório. O escritório da construtora será remodelado para ser o local onde o Sheik irá gerir o seu poço de petróleo e os seus diversos investimentos por toda a Europa.
Nas restantes lojas viradas para a Avenida D. Manuel I, serão adaptados os dois pisos superiores para salas de aula dos seus 28 filhos menores, onde aprenderão a religião, história e cultura árabe. As lojas do piso térreo serão locais de venda de artesanato feito pelas suas mulheres.
Sabemos de fontes próximas do Sheik, que este pensa abrir o mais depressa possível a passagem que vai permitir aos moradores da zona nascente deste bairro, terem novamente um acesso rápido à Avenida Belo Horizonte, depois da construtora ter encerrado à mais de 3 anos o famoso caminho de cabras, que possibilitava este acesso.

Quanto à inauguração da majestosa escadaria, (um autêntico monumento ao bom gosto) que vai ligar a Avenida D.Manuel I com a Rua Bartolomeu Dias, esta já está agendada para o próximo dia 25 de Abril. Já lá vão mais de 3 anos que esta autêntica aventura de escalada foi interdita ao público, o que muito perturbou as rotinas diárias de quem a utilizava com alguma regularidade.

Contudo, o que mais emocionará toda a Cidade de Setúbal, será certamente o reencontro da nossa amiga Camila com o saudoso Camelo Ferrari.

Camila continua a morar num modesto T0 cedido pela autarquia, depois de ter sido corrida da sua sumptuosa mansão.

Como reconhecimento da forma afável como foi recebido no bairro, apesar de vir de uma cultura completamente diferente, o Sheik vai remodelar e reequipar (finalmente) o nosso Parque Infantil que se encontra num estado deplorável, apesar de nos terem prometido desde meados de Novembro de 2007, que ele iria ser objecto de obras, co-financiadas por fundos europeus (a placa colocada no local desde essa data atesta esta afirmação).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Recordar é viver: Os porcalhões

Certamente que já colocou a si próprio a seguinte questão: Porque será que os porcos gostam de lama?

Os porcos não têm glândulas produtoras de suor. Então, para equilibrar sua temperatura, precisam refrescar a pele de outra maneira.
Assim, quando encontram poças de água, molham-se para arrefecer o corpo. Contudo, muitas vezes, só encontram lama por perto e aí se lambuzam no barro para se refrescar.
Além disso, a lama ajuda a proteger a pele dos raios do Sol e protege-o de picadas de insectos.
Decorria o mês de Janeiro, do ano da graça de 2008, quando de repente ficamos rodeados de um extenso mar de lama. Se houvesse uma suinicultura nas proximidades do bairro Fonte da Lavra, certamente estaríamos habituados a conviver com extensas áreas de lama.
Para compensar a falta de porcos, fomos visitados por uma nova espécie animal - os porcalhões - que também adoram viver na lama, apresentando uma vantagem significativa em relação aos porcos verdadeiros: não libertam cheiros nauseabundos, que teriam certamente complicado ainda mais, a já difícil convivência com esta espécie animal. Para evitar que fizessem as suas necessidades ao ar livre, foi posta à sua disposição um sanitário portátil, colocado estratégicamente de forma a libertar somente um pequeno aroma nas redondezas, para que esta espécie fosse facilmente identificada, pelos que tiveram a pouca sorte de ter de conviver com eles.

Esta imagem faz parte do artigo "Aromas", publicado no já longínquo dia 08-01-2008.
Na imagem seguinte, fizemos uma composição com algumas das muitas fotografias que documenta a passagem por estas paragens de tão pouco recomendável espécie - os porcalhões.

Na altura, foram publicados vários artigos sobre o tema, dos quais destacamos os seguintes:

Mas quem julgava que esta espécie corria o risco de extinção, ficou 'agradavelmente' surpreendido com o seu regresso, alguns meses depois, a chafurdar no outro muro.
Eis algumas imagens, retiradas do artigo Badalhoquices q.b., publicado em 19-01-2009.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Recordar é viver: De luto

  • Ó Mamã, dá licença?

Um jogo infantil, que faz parte da memória da maior parte dos adultos portugueses.

É um jogo para seis ou mais crianças, num espaço que tenha parede ou muro, embora estes possam ser substituídos por um risco no chão. As crianças dispõem-se sobre um risco, umas ao lado das outras. Uma, a mãe, fica colocada de frente para as outras crianças, a uma distância de dez ou mais metros. A mãe fica de costas para a parede ou muro.
Uma criança de cada vez vai perguntando à mãe:
- A mamã dá licença?
- Dou.
- Quantos passos me dás?
- Cinco à bebé Justiça portuguesa.
- Mas dás mesmo?
- Sim.
Então a criança avança, dando cinco passos muito pequeninos, pois neste exemplo, dá passos “à bebé” " à Justiça portuguesa".
Em seguida, pergunta outra criança e assim sucessivamente. Ganha o primeiro a chegar ao pé da mãe, tomando o seu lugar e recomeçando o jogo. De referir que, após a ordem dada pela mãe, a outra criança deve confirmá-la antes de a executar (“Mas dás mesmo?”), sob pena de regressar ao ponto de início. As respostas da mãe (ordens), podem ser muito variadas: passos à gigante (grandes), à caranguejo (para trás), à cavalinho (saltitantes), à tesoura (abertura lateral dos membros inferiores), etc.

A nossa fé na Justiça sempre foi questionável e quando nos apercebemos de que isto não ia lá com duas cantigas, entramos num luto rigoroso e preparamos uma recepção condigna aos nossos visitantes de ocasião.
Nada melhor para expressar o nosso luto, do que uma enorme faixa preta, colocada na fachada do prédio contiguo à nova construção, uma enorme faixa preta com os seguintes dizeres:

ATENTADO URBANISTICO?

Actores:
Câmara Municipal de Setúbal
Sociedade de Construções H.Hagen

Saiba mais em:
http://fontedolavra.blogspot.com

Metemos mãos à obra e esta ficou pronta no final do dia 28/12/2007. Tinha 6x3 metros e as letras em branco prometiam uma boa visibilidade ao longe.
Tinhamo-nos esquecido de um importante actor: o IHRU-Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, pois ainda pensávamos que tudo isto, ainda era fruto das 'negociatas' entre o Manel 'Alcatrão' e a construtora.
Mesmo assim, estes dizeres não passaram na 'censura' interna, que achou por bem não expor a parte em que se falava nos autores deste 'atentado' urbanístico.
Foi então colocada a 'meia-faixa', ainda assim bem visível por todos os que circulavam nesta importante via rodoviária (Avenida D.Manuel I).
No dia 19 de Janeiro juntamos à 'festa' uma nova faixa preta, com um nome sugestivo

O "MURO" DA VERGONHA

que ainda se mantém no mesmo local, passados praticamente 4 anos. Está velhinha mas ainda continua a fazer o seu trabalho, que é, envergonhar todos aqueles que de alguma forma estão directa ou indirectamente ligados aquele que, para nós foi um atentado urbanístico. Qualquer que seja o desfecho final da nossa acção principal, este nome que identifica o mamarracho e a zona, irá prevalecer por algum tempo.
No melhor pano cai a nódoa e, quando as obras pararam por efeito da nossa 2ª Providência Cautelar, achou-se por bem retirá-las para não criar qualquer tipo de pressão à decisão do Juiz que até era de Setúbal.
Uma terrível asneira, da qual ainda nos arrependemos nos dias de hoje, e que conduziu (na nossa modesta perspectiva) a que o Juiz tivesse motivos mais do que suficientes, para alterar a sua decisão à ultima hora:

"Aqueles gajos, sem qualquer pedigree, já estão conformados. Vamos mas é ajudar quem precisa de trabalhar e fazer negócio..."

Olhando para trás, quem fez pressões no sentido contrário (e que se calhar foram os mesmos que fizeram "desaparecer" por alguns meses o processo dentro do próprio Tribunal de Almada, e cujo inquérito interno nada apurou de errado, pois se calhar, o que eram na altura 13 volumes, só caíram para trás do armário, quando a empregada da limpeza andava a limpar o pó), agora que estão com o seu dinheirinho a arder, teriam ganho muito mais (ou não tinha perdido tanto), se tivesse deixado que a Providencia Cautelar tivesse sucesso, e assim o processo judicial tinha prazos muito mais curtos. A gulodice imobiliária ganhou na altura, mas o tempo foi passando e a justiça dos homens foi-se fazendo até aos dias de hoje...
Cinco meses depois de termos entrado de luto, renovamos o nosso guarda roupa, não sem antes homenagear todos os que estiveram envolvidos na pintura das letras no 1º painel. Assim, e antes de ser retirada definitivamente para umas merecidas férias, o pessoal do contra concordou em dar-lhe as suas 24 horas de fama e eis que durante o dia 28/05/2008 foi visível a nossa primeira faixa negra em todo o seu esplendor.
As duas novas faixas que deram ao nosso luto um novo look, permaneceram expostas vários meses e uma delas ainda pode ser vista nos dias de hoje, num local bem visível, quer da Avenida D.Manuel I, quer do Viaduto sobre a mesma avenida.
Falta falar de uma das nossas faixas pretas, que foi a mais cara de todas (60 euros). Metia-nos confusão todo um corropio de pessoas que, especialmente ao sábado, faziam fila para ver os apartamentos. Longe ia o tempo em que os serviços da Câmara Municipal de Setúbal enviaram uma carta para todas as pessoas que estavam inscritas para uma casa camarária, irem ao local da construção dar o seu nome, para assim fazer valer a tese de que estas novas habitações eram urgentes, para alojar as muitas famílias carenciadas de Setúbal. Uma mentira digna de qualquer 1º de Abril.
Era agora uma nova onda, que ia ao cheiro de casas baratas com vista para o Estuário do Sado. Uma placa monstruosa (que não me recordo de ver noutras construções semelhantes), assim o anunciava a todos os que circulavam na zona. Mais uma vez era mais uma mentira digna do 1º de Abril, ou melhor, um caso sério de publicidade enganosa (dada a importância deste facto, dedicàmos-lhe um artigo completo, publicado no dia 10-01-2010 com o título CSI Lavra - Episódio 2: Preçário).
Foi nesta leva que enviamos ao local, os nossos 2º e 3º compradores fictícios, o primeiro dos quais estava incumbido de por todos os meios possíveis e imaginários, arranjar um documento da imobiliária com os preços que estavam a ser praticados (bem sucedida); o segundo dos quais (um simpático casal) estava incumbido de tentar tirar fotos no interior e das vistas a partir dos vários apartamentos. O vendedor não 'descolou' e a missão foi um fracasso. Foram conseguidas somente informações sobre o numero e localização de apartamentos à venda, para depois podermos cruzar com outras informações disponíveis. Esta visita teve de ser interrompida bruscamente porque o Engenheiro responsável pela obra apareceu na zona e certamente iria desmascarar o 'falso casal', já que eram pessoas com quem este se cruzava regularmente na zona (moradores) e estavam conotados com o 'inimigo'. Como o vendedor da imobiliária era um bom conversador (como convém), ficamos também a saber, que ele era um dos compradores de apartamento neste mamarracho, um quarto andar, possivelmente a partir do qual foi tirada a fotografia que foi conotada como publicidade enganosa, no nosso artigo CSI Lavra - Episódio 5: Duh...
Teria sido ele (pelo menos das suspeitas não se livrou) que implicou com esta nossa ultima faixa, e tendo descoberto o autor do blog, comentou venenosamente o artigo Mentiras, vigarices, trafulhices & afins (escrito propositadamente no dia 1 de Abril de 2009) em que publicitávamos esta nova faixa, que pretendia alertar os possíveis compradores (os tais que faziam fila principalmente ao sábado) que poderiam não estar a comprar a casa dos seus sonhos, mas sim a arranjar um problema para o resto da sua vida. O comentário está divinal, é machista q.b.

Anónimo disse...

Só gostaria de colocar uma questão: A senhora não tem mais que fazer? Não tem mais com o que se preocupar?
Se a sua vida é tão inutil e por isso mete-se na vida alheia, deixo aqui uma sugestão VÁ LIMPAR A CASA. Ou já que fala em familias carenciadas, tenho a seguinte questão que trabalho social faz? quantas crianças, velhotes ou mesmo quantas familias ajuda? provávelmente não faz nada não é? que pobreza de espirito, dedique-se a questões ou causas uteis e não ande ai armada em parva a falar daquilo que não sabe...

3 de abril de 2009 15:05

e que só foi mais tarde suplantado pelo do 'procurador', no artigo Agente infiltrado, que também suspeito que foi feito pela mesma pessoa.

Anônimo disse...

a este ordinário dono deste blog digo que a justiça peca por tardia mas não falha, sou procurador e quanto menos esperar vais levar um processo crime em cima que nunca mais te levantas!!!

27 de setembro de 2010 21:58

A permanência das faixas pretas é para continuar, até que haja uma primeira decisão judicial, que poderá ser já no próximo verão. Só a partir desse momento é que iremos ponderar os prós e os contras da sua existência. Temos consciência de que estamos a perturbar as vendas de apartamentos neste mamarracho, mas se a decisão judicial nos for favorável (com a demolição total ou parcial do "Muro" da Vergonha), teremos assim conseguido, de uma forma 'alternativa', que menos famílias necessitarem de ser realojadas.
Ficamos a saber no início do mês que, de repente, ficaram um número razoável de apartamentos à venda nesta emblemática obra, pelo menos tantos quantos as placas disponíveis que foram entretanto deslocalizadas do 'Outro Muro', que continua à espera de melhores dias (existem problemas técnicos graves, também conhecidos por falta de 'carcanhol') para a conclusão dos seus acabamentos, e as placas a anunciar a venda desses apartamentos era uma autêntica aberração.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Recordar é viver: Dar com a língua nos dentes

Diz a voz popular que há mil e uma maneiras de fazer bacalhau. Não sei ao certo se serão efectivamente mil e uma mas, que há muitas formas, lá isso há e quase todas elas resultam em excelentes petiscos. Se me perguntassem qual o meu prato preferido de bacalhau, a minha escolha seria o bacalhau com broa

Se é verdade que há mil e uma maneiras de fazer bacalhau, não é menos verdade que por terras dos Algarves também arranjámos mil e uma maneiras de confeccionar atum e por exemplo os belgas têm outras tantas de fazer mexilhão.
Por aqui, também existem mil e uma maneiras de fazer um artigo, que não deixe cair no esquecimento o que para nós foi um atentado urbanístico, perpetrado pela Sociedade de Construções H.Hagen, num projecto de Habitação de Custos Controlados do IHRU-Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, com a bênção da Câmara Municipal de Setúbal que licenciou tal projecto. Reinventamos regularmente esta novela, que em longevidade bate aos pontos o Anjo Selvagem da TVI, que segundo as minhas pesquisas foi a telenovela mais longa da Televisão portuguesa.
O processo judicial vai avançando a passo de caracol (esteve em banho-maria desde finais de Fevereiro até início de Outubro) e sabe-se lá daqui a quanto tempo haverá alguma qualquer decisão.
Quando este blogue começou, à precisamente 4 anos, sabíamos que a Internet é o veículo que actualmente chega mais rapidamente a um numero maior de pessoas e foi aí que apostamos, para dar com a língua nos dentes.
Começamos pouco a pouco a adquirir conhecimentos, que maximizassem o impacto pretendido e chegamos a um ponto em que os artigos eram escritos na hora, ao sabor dos acontecimentos. Alguns foram escritos 'muito a quente', já que a tensão era enorme.
Com a suspensão das obras, enquanto era apreciada a nossa 2ª Providencia Cautelar, ficamos rapidamente sem assunto que justificasse uma visita contínua, por parte dos visitantes regulares que entretanto tínhamos conquistado.
Tentamos fazer alguma pesquisa na Biblioteca Municipal sobre o Bairro, pesquisa de fotografias antigas, etc., mas era tudo muito curto. Iniciamos então uma fase de angariação de novos visitantes através de métodos artificiais, conseguindo com isso chegar cada vez mais longe no nosso objectivo principal, que era levar a nossa denuncia o mais longe possível. Esses métodos aproveitavam vulnerabilidades da Internet que aparentemente já foram corrigidas. Desta fase, que passou por várias etapas, sobrou o nosso Suplemento Kultural que ainda hoje é o nosso maior veículo de divulgação do blogue, e que vai continuar o tempo que for preciso, para não deixar cair o assunto em esquecimento. Nunca fizemos segredo de que andávamos a recorrer a métodos pouco habituais (como provam os links acima assinalados, entre outros espalhados por todo o blogue), mas como diz o velho ditado português "O fim justifica os meios".
Neste momento estamos a reescrever esta novela na rubrica "Recordar é viver" onde aproveitamos o aniversário de datas relevantes nesta novela, para divulgar factos novos provenientes de meses de investigação, que na altura não foram referidos, porque não foram devidamente contextualizados no que estava a acontecer, o que nos vai ocupar seguramente até à próxima primavera.
Regularmente, será repensada uma nova estratégia, para manter esta chama acesa.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Recordar é viver: Animação precisa-se

[...] acautelar os direitos dos cidadãos em ordem a que, entre outros:
  • Os caminhos não alargassem sobre os prédios dos "outros" e não encolhessem sobre os prédios dos "amigos";
  • Os "amigos" não construíssem um qualquer prédio e aos "outros se "aplicasse a lei":
  • As licenças públicas não tivessem que ser pagas, também, a privados;
  • A que, nos ditos concursos de acesso ao emprego nas autarquias locais, não ganhasse o "concorrente" que todos já conheciam;
  • O dinheiro publico não circulasse apenas dentro do mesmo circulo de interesses e entidades, num autentico cerco ao dinheiro público, o que faz lembrar que: "Eles comem tudo e não deixam nada";
  • Os jovens engenheiros, arquitectos, projectistas e outros profissionais tivessem acesso livre ao mercado da profissão e que este não fosse capturado por eleitos e outros profissionais das autarquias;
  • As empresas pudessem concorrer em pé de igualdade sem se verem preteridas pelas empresas do "circulo de interesses", quando não dos próprios, das suas esposas e outros familiares e amigos;
  • Os trabalhadores das autarquias exercessem as suas funções em consciência, sem servilismos e sem ilegalidades;
  • [...]
Poderia ter sido eu, o João ou um Zé desta Tugalandia à beira mar plantada a escrever estas frases, mas pelos vistos foi um tal de Orlando dos Santos Nascimento, juiz-desembargador na sua carta de despedida como Presidente da Inspecção-Geral da Administração Local (IGAL). O Pdf a que tive acesso tinha algumas frases em relevo, de entre as quais retirei as que acima referi.
Desconhecendo totalmente o assunto, recorri à Internet para me actualizar, já que o tema me é querido. Um dos resultados da pesquisa era uma autêntica 'pedrada no charco'...

Extinção da IGAL - um favor deste governo aos autarcas corruptos

O Governo decidiu, no seu afã "reformador", extinguir a Inspecção-Geral da Administração Local. O seu Presidente, o juiz-desembargador Orlando dos Santos Nascimento, publicou no site do IGAL uma carta com a sua posição.
Miguel Relvas demitiu o Presidente e fechou o site, para que ninguém aceda à carta.

Nem sequer vou comentar!
Se acreditasse na classe politica, poderia ficar mais descansado, já que também li no artigo do jornal Sol que

[...] Segundo o gabinete do ministro Miguel Relvas, as competências da IGAL serão transferidas para a Inspecção-Geral de Finanças – onde deverá ser criada uma secção especializada. Ou seja, a fiscalização das autarquias prosseguirá. [...]

Todo este texto serviu para introduzir, o que retiramos hoje do nosso álbum de recordações: no já longínquo dia 18 de Outubro de 2007, no ínicio da sessão ordinária da Câmara Municipal de Setúbal, a nossa querida e sempre elegante Presidente Maria das Dores Meira cumpriu o prometido e forneceu a informação que considerou relevante sobre a questão levantada pelo representante dos moradores da zona junto ao Viaduto sobre a Av. D. Manuel I

A questão relacionada com os munícipes da Avenida D.Manuel I era algo complexo, [...] De acordo com o processo que tinha em seu poder, O Plano de Pormenor em curso iria assentar na criação de uma zona habitacional de qualidade, com espaços públicos de lazer bem como de actividades ligadas ao comercio, serviços e equipamentos.[...]

Pelos vistos esta informação não foi suficiente para acalmar os moradores presentes e novamente, o representante dos moradores pediu para intervir, assim como outro morador, que interveio a seguir. Com uma aparência pouco serena, lá começou um relato de tudo o que era conhecido na altura e com a 'cabeça quente' diz-se o que se deve e o que não se deve.
Estas sessões são por vezes tão maçadoras, que somente os interessados em algum assunto em debate, aguentam. De vez em quando lá aparece uma 'pedrada no charco' para animar a coisa e, se alguém estava meio adormecido com o desenrolar da sessão que não tinha tido 'casos', certamente acordou quando ouviu uma frase que fez as delicias da assistência e da comunicação social (local e regional) presente:

[...] referia-se a ligações perigosas entre a construtora Hagen, a Câmara Municipal e outros organismos públicos. [...]

Se estas frases podem ser ditas em conversas com amigos, ou à mesa do café, não podem ser ditas em público, num local onde tudo é gravado e é feita uma acta com o seu conteúdo, sem que haja as devidas consequências.
Como resposta, a Sra. Presidente disse que pretendia esclarecer ao pormenor toda esta situação, já que as questões colocadas pelo munícipe eram preocupantes e foram consideradas graves as afirmações proferidas.
Se esta afirmação tivesse que ser provada em Tribunal, poderíamos fornecer para análise, alguns dados relevantes de uma incursão aos arredores de Lisboa, onde nos confidenciaram que as relações familiares, entre responsáveis da H.Hagen na altura e da Divisão de obras da Câmara de Setúbal era um impedimento para que Concursos públicos de relevo, como o da recuperação das Escarpas de S.Nicolau ou a construção do Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I, não tivessem um vencedor já à partida. Se lermos nas entrelinhas a declaração de voto do Vereador Paulo Valdez, constante na acta da sessão pública de 15-10-1996, onde foi dado como vencedora do Concurso Público para a construção do referido Viaduto a empresa H.Hagen, talvez se faça luz sobre alguma dúvida que ainda paire no ar.
Quanto aos boatos mentirosos que por aqui circulavam na altura, esses é que seriam difíceis de provar. Como se conseguiria provar que a H.Hagen construiu o Viaduto de borla porque recebeu em troca os terrenos em redor, onde poderia construir? Como se explicaria a saída dos 162 636 270$00 dos cofres da autarquia, para pagar a construção do Viaduto? Como iria ser feita a transmissão da propriedade dos terrenos envolventes. ainda em nome do FFH, (provenientes da expropriação nos anos 60 de grandes parcelas de terreno) e que aquando da sua extinção foram entregues à Câmara Municipal de Setúbal, que nunca actualizou os referidos registos, porque isso custa dinheiro. Toda essa documentação é única e pode ser ocasionalmente 'perdida'.
Para sair desta embrulhada e manter os compromissos entretanto assumidos, podia-se, por exemplo, criar um (ou mais) concurso(s) público(s) fictício(s) para legalizar tudo isso, mas por mais que se tente, há sempre pontas soltas que são difíceis de controlar...
Se não tivéssemos a noção que tudo isto não passam de boatos mentirosos, poderíamos até dizer que se tratava de uma teoria da conspiração.

Mais pormenores podem ser obtidos, pela leitura da acta da referida sessão (22/2007) e na Revista de Imprensa, que publicamos no artigo com o mesmo nome em 31-12-2007.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Recordar é viver: Tapar o sol com uma peneira

O melhor deste povo português é conseguir, num espaço muito curto de tempo, arranjar uma anedota, uma frase ou algo jocoso sobre uma situação, que pode ser até de humor negro. Veja-se a facilidade com que se criam anedotas sobre a Madeira e o Alberto João Jardim.
Ainda sou do tempo em que o quilo do arroz agulha custava 2 tostões e de que tambem fazer humor deste tipo tinha outras nuances, não fossem as paredes terem ouvidos e aparecerem uns senhores de fato preto que nos levavam, sabe lá Deus para onde.
Lembro-me de uma pergunta/resposta, que se contava no início dos anos 70:

- O que disse o Chefe da Estação de Santa Comba Dão quando chegou o comboio com o cortejo fúnebre de Salazar?
- Este comboio vem atrasado 40 anos!

O bom ou o mau gosto deste tipo de humor depende e dependerá sempre dos interlocutores. Vai haver sempre quem ache piada e sempre quem reprove este tipo de coisas.
Esta foi a parte lúdica que serve de introdução, à página que hoje abrimos no nosso álbum de recordações.

No dia 10 de Outubro no já longínquo ano de 2007, apareceram por aqui uns senhores, que não vinham vestidos de preto, mas que vinham substancialmente atrasados. Pelas minhas contas, também não vinham atrasados 40 anos mas mais precisamente 483 dias, e já damos de bónus a totalidade dos 30 dias que a lei prevê para a fixação no local onde se pretende fazer uma operação urbanística, a partir da entrada do pedido de licenciamento na entidade competente. Se a lei fosse igual para todos, a não publicitação do respectivo pedido, daria lugar a uma coima e, no limite poderia conduzir ao indeferimento do pedido de licenciamento.
Estes senhores carregavam o peso de uma placa, que se referia a um tal de Projecto 274/06 que tinha dado entrada nos serviços da Câmara Municipal de Setúbal em 15/05/2006.
Se fizermos uma simples conta de somar e adicionarmos a intervenção policial no dia 19/09/2007 que deu origem ao ofício 12484/ESQIC/BIC enviado à CMS a 30/09/2007 (ver a 1º parte desta nova rúbrica - Recordar é viver: O ínicio do fim!),o fax nº58773 enviado pelo INH/IHRU a 23/08 (ver a 2ª parte desta nova rúbrica - Recordar é viver: Entrega dos Oscars), a pergunta nº 4 do nosso jogo 'Quem quer ser milionário?' (que ainda não acabou) e a intervenção do representante dos moradores na Sessão Pública Ordinária da CMS de 03/10/2007 a que nos referimos no artigo anterior, podemos concluir que a lei não é igual para todos, que pretendiam esconder até à ultima, os planos 'tenebrosos' para esta terra de ninguém e que a fiscalização não funciona porque não é humanamente possível ou mais grave do que isso, não interessa incomodar quem nos dá o pão que pomos na mesa.
O projecto do outro mamarracho com o nº 172/07 deu entrada nos serviços da CMS em 04/05/2007 e por arrastamento também teve direito a uma placa nesse mesmo dia ficando somente com um 'pequeno' atraso de 129 dias, depois de também darmos de bónus a totalidade dos 30 dias que a lei prevê.
As provas de que
já era tarde de mais e de nada valeu tentar 'tapar o sol com uma peneira' estão à vista de todos: um processo em tribunal (que no limite pode conduzir à demolição total ou parcial do 'Muro' da Vergonha) e um blogue incómodo.

Este assunto foi abordado pela primeira vez a 30/11/2007, no artigo com o título '10 de Outubro - O dia de todas as verdades!'

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Recordar é viver: Entrega dos Oscars

Tal como prometido, voltamos a abrir o nosso álbum de recordações.
No já longínquo dia 03 de Outubro de 2007, um grupo de moradores esperou (e desesperou) pela passagem da nossa querida e sempre elegante Presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
Fontes mais do que fidedignas asseguram-nos que ela iria passar no local onde mais tarde iria ser construído este mamarracho que ainda nos atormenta. Obviamente que não nos vinha visitar, mas encontrava-se numa visita guiada pela Cidade de Setúbal acompanhada por um munícipe que fez um estudo exaustivo sobre os problemas de transito, erros de sinalização, etc. e com sugestão de melhorias. Esta zona fazia parte da apresentação à Sra. Presidente pois apresentava um dificuldade óbvia, que os utilizadores aprenderam a contornar e que está devidamente explicada num artigo de 26/11/2007 com o título 'Uma grande volta!'
Por motivos desconhecidos houve um desencontro com a sua passagem e como estávamos dispostos a esclarecer de vez, qual a posição da Câmara de Setúbal sobre esta construção, depois do triste episódio das vedações já aqui relatado, deslocamo-nos à Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Setúbal que ia ter lugar nesse mesmo dia a partir das 18:30.

Para entregar oscars é preciso haver um filme para avaliar, que poderia muito bem ser uma curta-metragem gravada ao vivo e a cores na parte final da Sessão Ordinária da Câmara Municipal, no período reservado ao munícipes. Com um elenco de luxo: Maria da Dores Meira no papel de Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, André Martins no papel de Vereador do Urbanismo da Mesma Câmara Municipal e como artista convidado, o representante dos moradores da zona junto ao Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I em Setúbal, poderia muito bem ser apresentado na inauguração triunfal do renovado Forum Luisa Tody que parece que mais uma vez (já perdi a conta às vezes que foram apresentadas datas para as obras) tem a conclusão das suas obras agendadas para o 1º trimestre de 2012.
Nomeação para Melhor Actor: André Martins que nunca abriu a boca para se pronunciar sobre o assunto, coisa que me apercebi ser normal noutras ocasiões, quando a Presidente da Câmara não tinha a melhor informação para dar às questões levantadas pelos munícipes, os Vereadores do pelouro, melhor informados, forneciam informações mais detalhadas.
Poderia pensar-se que se calhar desconhecia totalmente o assunto mas, o nosso trabalho de casa levou-nos a ver dois fax que apresentamos em seguida:
  • Fax n.º 58773 - Para Município de Setúbal
    A/C Vereador André Martins
    Data – 23/08/2007
    Assunto: Autorização administrativa para obras de construção no loteamento da Av. D.Manuel I – Concurso 2/DGS/05 – vosso processo 274/06 (muito urgente)

    Requerimento

    O INH/IRRU, enquadrado pelo estabelecido na alínea c) do artº 7 do decreto-lei – 555/99 de 16 de Dezembro na redacção que lhe foi conferida pelo DL 177/2001 de 4 de Junho, é a entidade responsável pelas obras de urbanização do loteamento (aprovado pela Câmara pela Comissão de Coordenação Regional e da Tutela) e nessa condição, garante perante a Câmara a boa execução dos mesmos, em cumprimento dos respectivos projectos, que se encontram já sancionados pelas entidades licenciadoras e pelos próprios serviços da Câmara. Para o efeito, o valor destes trabalhos já se encontra caucionado pelo promotor perante o INH/IHRU.
    Assim vimos solicitar a vossa urgente intervenção, no sentido de poder ser dado imediato inicio às obras de construção requeridas, sem que o processo venha a ser prejudicado por mais uma transição que julgamos não se justificar.
    Com os melhores cumprimentos

    A Directora
    M. P. F.
  • Fax n.º58965 de 27/08/2007 - Loteamentos da Av. D.Manuel I e QT da Bela Vista

    De M. P. P. (IHRU) para Arq. A. A. com carácter urgente

    Como nosso interlocutor directo nos processos de licenciamento das obras de construção dos empreendimentos de habitação de custos controlados de que a empresa H.Hagen Imobiliária é promotora nos loteamentos da Av. D.Manuel I e Qta da Bela Vista, em Setúbal, junto remetemos cópias dos nossos fax agora enviados ao Senhor Vereador André Martins a respeito do desbloqueamento destes dois processos, no sentido da rápida reabilitação.
    Agradecemos desde já também a vossa contribuição para a resolução destas situações.
Mas Agosto é tempo de férias, as nossas mentes andam ocupadas com tantas coisas que poderia levar-nos a esquecer coisas tão importantes como esta.
Aprofundamos as nossas pesquisas mais um pouco e descobrimos que, depois do parecer técnico favorável sobre o projecto de arquitectura do 'Muro' da Vergonha, feito pelo técnico P. M. A. A. com base no requerimento 7182/06 aparecem 2 carimbos de Concordo a 02/10/2007: do Chefe de Divisão e do Vereador com delegação, de acordo com o despacho 362/06/GAP. Ou seja no dia anterior à realização da nossa curta-metragem.
É preciso ser um grande artista, para manter uma postura impávida e serena como se nunca tivesse ouvido falar neste assunto.
Nomeação para Melhor Actor Secundário: Representante dos moradores que, apesar de no dia 03/07/2007 ter visto o projecto 274/06, juntamente com um Arquitecto da Câmara de Setúbal, no edifício onde funciona o pelouro do Urbanismo, fez a pergunta mais inocente do mundo, quando chegou a sua vez de intervir:

[...] Solicitou que a Câmara Municipal explicasse o que se passava na zona porque a falta de informação dava lugar a boatos e histórias que não tinham qualquer fundamento.

Nomeação para Melhor actriz: Maria das Dores Meira pela brilhante actuação. Nunca consegui dados que provem que ela sabia o que se passava e portanto que mentiu, mas se lermos com atenção a explicação exaustiva que a Câmara Municipal de Setúbal forneceu sobre o assunto e que foi disponibilizada na integra no artigo publicado a 29-12-2007 com o título "Horizontes da Memória", é no mínimo estranho que alguém que ocupe um cargo de responsabilidade na Câmara de Setúbal, primeiro como Vereadora e depois como Presidente, desconheça o assunto na totalidade.
Visivelmente bem disposta, depois de referir que tinha estado no local e de que tinha ficado impressionada com a visita guiada ao transito em Setúbal

(...) Considerou que era algo estranho, que pudessem vir a ser construídos lotes no local e que iria ficar com o contacto do Sr.J. para posteriormente ser dada uma resposta.

Depois de muito ponderar, acho que foi uma maneira ardilosa de fugir a uma pergunta incómoda, cujos contornos ela não vislumbrava e que precisava de mais tempo para ponderar. Uma postura digna de um Oscar.

Para os interessados em mais detalhes é só consultar a acta da Sessão Ordinária nº21/2007 de 03/10/2007. Este assunto já tinha sido abordado a 23/01/2008 no artigo intitulado 'Frases soltas das actas das Sessões Públicas'

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Recordar é viver: O ínicio do fim!

O tempo passa depressa e já lá vão 4 anos, desde o momento em que o azar bateu à porta de quem, numa jogada de antecipação, julgou por bem mandar vedar o espaço onde mais tarde viria a nascer o mamarracho, a que eu carinhosamente chamo "Muro" da Vergonha.

Numa atitude tipicamente Tuga, mesmo encontrando-se o projecto ainda em apreciação na Câmara Municipal de Setúbal, e contando com uma fiscalização ineficiente, avançaram para a vedação de todo este espaço.
Não fora um trabalhador mais zeloso da empresa de vedações, que apesar de ter sido avisado que existia um acesso a uma garagem com uso frequente, insistiu em vedar o referido acesso, o que levou à chamada ao local da PSP (que à falta de qualquer documentação sobre o que ali se passava, mandou interromper as obras e repor a normal circulação de pessoas e viaturas nos passeios entretanto esburacados), talvez esta novela tivesse outros desenvolvimentos.
Somente no dia 28 de Novembro de 2007 foi publicado um artigo, com um título sugestivo 'Ataque de toupeiras?', que era o que melhor retratava o aspecto de todo este espaço.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Três Reparos

Existem situações menos boas com as quais convivemos todos os dias e às quais não damos a devida importância. Contudo, quem chega de novo tem um olhar diferente e dá o alerta!
Existe uma rubrica de sucesso no jornal local O Setubalense chamada “Três Reparos”, um apontar o dedo, de forma simples e concisa, a uma situação menos boa que seja observada na Cidade de Setúbal e/ou arredores.
Felizmente, não temos situações neste pequeno e pacato bairro de Setúbal que nos levem a serem referidos com regularidade nesta secção do referido jornal. No passado dia 7 de Setembro, na sua edição de quarta-feira lá apareceu a nossa nódoa...

Reparámos que na rua Paulo da Gama, paralela à avenida D. Manuel I, existe uma habitação sem tecto e sem portas e janelas, que é usada por marginais. Fica muito perto da Escola Básica da Fonte do Lavra. Deveria ser emparedada na frente e traseiras por questões de segurança e saúde pública.

Passando nas imediações várias vezes por semana, acompanho esta situação que remonta à primavera de 2008. Após um incêndio nesta habitação, a família de etnia cigana que lá habitava foi realojada e a casa ficou ao abandono. Teve uma ocupação durante vários meses em finais de 2009/inicio de 2010 por um casal jovem de tóxico-dependentes e, neste ultimo ano é frequentada, de forma esporádica, por pessoas de aparência descuidada, provavelmente tóxico-dependentes, para ali se injectarem.
Obviamente que esta situação, dada a proximidade de uma escola do 1º ciclo, Escola Básica da Fonte do Lavra, não contribui em nada para uma boa educação, que se pretenda dar às nossas crianças.

As autarquias deveriam ter poderes, não para emparedar as janelas e portas, mas para demolir, caso os proprietários, num prazo razoável, não tomassem as providencias necessárias a não tornar os imóveis num antro de marginais, Se assim fosse, talvez não tivéssemos agora novamente um bairro de lata de grandes dimensões, na Estrada da Graça, na chamada Quinta da Parvoiça.
Esta fotografia foi tirada ao início da tarde de hoje mas, para os meus seguidores mais atentos já não é a minha primeira referencia ao assunto. Quando assumi uma outra personagem nas ultimas eleições autárquicas, a de Maria P, Morais, uma promissora candidata à Câmara Municipal de Setúbal, pelo M.A.C.A.U. - Movimento Alternativo contra as Aberrações Urbanísticas, foi publicada uma fotografia desta mesma habitação a propósito de uma limpeza mais cuidada, que a CMS resolveu agendar nesta zona, para assim apresentar serviço na véspera das Autárquicas 2009, no artigo Candidata visita Parque Infantil. Contudo, estes trabalhadores dedicados esqueceram-se de levar um barco que apodrecia a olhos vistos a cerca de 10 metros deste local (para o qual foi chamada a atenção à Sra Presidente Maria das Dores Meira, que no local prometeu aos moradores uma solução rápida e que depois demorou quase 2 anos...), barco esse que ainda é visível mais abaixo, na barra lateral direita deste blogue.

Para acabar este artigo adiciono mais dois reparos (ou nódoas no bairro), estes agora da minha autoria:
  1. Uma casa em ruínas no cimo da rua Gil Eanes, junto ao cruzamento com a Avenida da Bela Vista, que também é muito mal frequentada;

  2. Prostituição diurna, num baldio junto ao Poço da Bela Vista, onde uns boatos mentirosos afirmavam que a Mota-Engil ia recuperar o projecto para a construção de um hotel de alguma dimensão, com vista para o Estuário do Sado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Muro vai para obras

Aparentemente o 'Muro' da Vergonha vai para obras. Com o passar dos tempos habituei-me a manter o espírito aberto e já poucas coisas me causam surpresa. Somente iria ficar surpreendido se retirassem das fachadas, os azulejos que lhe dão este look vanguardista de 'Cor de muro'.
Com o corte parcial do transito na avenida Belo Horizonte, onde se realiza por esta altura uma festa de bairro, a "Festanima", deixei de fazer a minha passagem (quase) diária pelo "Muro' da Vergonha para, em jeito masoquista, continuar a lembrar o que a construção deste mamarracho contribuiu para uma reviravolta total, na minha vida familiar e profissional.
Não faço portanto a mínima ideia, qual o dia correcto em que começaram a montar os andaimes, para efectuar obras de reparação nas fachadas, de pelo menos dois dos blocos, desta obra emblemática da Cidade de Setúbal.

Na passada terça-feira, ao final da tarde, passei ocasionalmente por lá e apercebi-me deste autêntico 'bombom'. Muni-me da maquina fotográfica e documentei este triste espectáculo: um prédio acabado de construir, por uma construtora de renome na praça, à cerca de 2 anos, que quando deixou de interessar aos 'gulosos', que se iriam servir de conhecimentos nos locais certos (factor "C"), para adquirirem um apartamento a baixo custo, com uma vista privilegiada para o Estuário do Sado ou para revenderem com elevado lucro, quando terminasse o período de impedimento legal (habitação a custos controlados), foi acabado à pressa com materiais de 5ª categoria, aplicado por trabalhadores apanhados a laço nas redondezas.

Quem apostou no cavalo errado e acabou por ir morar nestas construções, rapidamente descobriu por conta própria, as inúmeras infiltrações de humidade nas paredes, principalmente nas fachadas viradas a Sul, que sofrem bastante com o excesso de calor no Verão e as chuvas e ventos fortes do quadrantes sul durante o Inverno.
Uma pergunta pertinente: Quem vai pagar as obras? Mais uma missão para o Detective Coelho!