Substituem uma vista para uma coisa qualquer, por uma vista para uma barreira sonora que até pode ser bem colorida com vemos por essas auto-estradas fora.
O caso mais mediático que conheço foi o que ocorreu à cerca de 5 anos com a construção do Viaduto em Algés – Lisboa. Aqui fica um artigo da época.
A CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) passou a contar com mais um quilómetro de troço. Trata-se do viaduto de ligação ao nó de Algés que permite o acesso à Marginal e à Avenida Brasília. Coube ao Primeiro-Ministro a inauguração daquela via.
Esta é a parte final daquela circular, que entra assim em Lisboa, mas fica a faltar-lhe um troço a meio do percurso, entre a Buraca e a Pontinha. A promessa do Executivo é de que este «pedaço» ficará pronto até 2005.
Todavia, vários organismos têm vindo a público para contestar a obra agora concluída. Os Bombeiros Voluntários de Algés clamam por melhores acessos ao viaduto e a Câmara Municipal de Oeiras teme o afluxo de transito sobre aquela localidade. Mas os protestos mais firmes vêem dos moradores da zona, que vêem agora uma ponte atravessar-lhes a vista, a cada vez que abrem a janelas de suas casas.
Mesmo partindo do principio que o referido viaduto não tem actualmente um trafego significativo, esse é um dado sempre volátil. Se a edificação nesta zona prosseguir nos mesmos moldes como nós desconfiamos, essa teoria cai logo pela base.
Ainda existe duas situações que os possíveis compradores de tais habitações certamente desconhecem:
- A junta de dilatação a poente do viaduto está danificada e a passagem de veículos a mais de 50 km/h ouve-se bem a algumas centenas de metros e deve-se ouvir ainda melhor por quem mora a escassos metros, isto porque quase ninguém respeita esse limite de velocidade. São poucos os que ali passam, mas são significativamente barulhentos.
- A Avenida Belo Horizonte que integra o referido Viaduto é uma via que devido ao fraco tráfego nesta zona, é utilizada como ‘montra’ para exibir carros ou motos ‘artilhados’ sendo frequente a passagem de um ou vários carros/motos a velocidades bem perto dos 200 km/h. Confrontadas as Autoridade Policiais com tal facto, pediram ajuda aos moradores para tirarem as matriculas dos ‘aceleras’. Tirando os casos esporádicos em que estamos à janela/varanda por qualquer motivo, nem sequer conseguíamos ver a cor dos carros, quanto mais das matriculas.
Para o segundo caso damos duas ideias. Como o fenómeno existe e não podemos tapar o sol com a peneira, ou colocamos um Policia junto a este exemplar do que melhor se faz a nível do urbanismo local ou então colocamos barreiras sonoras e lá se vai a vista privilegiada, que foi o principal motor para o aparecimento deste ‘aborto’ no bairro.


