domingo, 6 de julho de 2008

Rewind

Quantas vezes somos surpreendidos pela noticia de mais um viaduto que pretendem construir num local que até por vezes desconhecemos, alegando os seus defensores que tal construção é a bem de um progresso a que todos temos direito. Por mais que ‘dourem a pílula’ nunca irão convencer as pessoas afectadas por obra tão inovadora, já que estas não se conformam em ter carros a passar a escassos metros das suas janelas.
Substituem uma vista para uma coisa qualquer, por uma vista para uma barreira sonora que até pode ser bem colorida com vemos por essas auto-estradas fora.
O caso mais mediático que conheço foi o que ocorreu à cerca de 5 anos com a construção do Viaduto em Algés – Lisboa. Aqui fica um artigo da época.

A CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) passou a contar com mais um quilómetro de troço. Trata-se do viaduto de ligação ao nó de Algés que permite o acesso à Marginal e à Avenida Brasília. Coube ao Primeiro-Ministro a inauguração daquela via.
Esta é a parte final daquela circular, que entra assim em Lisboa, mas fica a faltar-lhe um troço a meio do percurso, entre a Buraca e a Pontinha. A promessa do Executivo é de que este «pedaço» ficará pronto até 2005.
Todavia, vários organismos têm vindo a público para contestar a obra agora concluída. Os Bombeiros Voluntários de Algés clamam por melhores acessos ao viaduto e a Câmara Municipal de Oeiras teme o afluxo de transito sobre aquela localidade. Mas os protestos mais firmes vêem dos moradores da zona, que vêem agora uma ponte atravessar-lhes a vista, a cada vez que abrem a janelas de suas casas.

Por estas bandas gostamos de ser originais. Primeiro construímos os viadutos e só depois construímos as habitações.

Se a nossa inovação anterior (ideia original dos moradores) era um autêntico ‘ovo de Colombo’ até a nível mundial, esta agora a que os moradores são completamente alheios é um claro retrocesso à forma como convivem as vias de comunicação com as habitações.
Mesmo partindo do principio que o referido viaduto não tem actualmente um trafego significativo, esse é um dado sempre volátil. Se a edificação nesta zona prosseguir nos mesmos moldes como nós desconfiamos, essa teoria cai logo pela base.
Ainda existe duas situações que os possíveis compradores de tais habitações certamente desconhecem:
  • A junta de dilatação a poente do viaduto está danificada e a passagem de veículos a mais de 50 km/h ouve-se bem a algumas centenas de metros e deve-se ouvir ainda melhor por quem mora a escassos metros, isto porque quase ninguém respeita esse limite de velocidade. São poucos os que ali passam, mas são significativamente barulhentos.
  • A Avenida Belo Horizonte que integra o referido Viaduto é uma via que devido ao fraco tráfego nesta zona, é utilizada como ‘montra’ para exibir carros ou motos ‘artilhados’ sendo frequente a passagem de um ou vários carros/motos a velocidades bem perto dos 200 km/h. Confrontadas as Autoridade Policiais com tal facto, pediram ajuda aos moradores para tirarem as matriculas dos ‘aceleras’. Tirando os casos esporádicos em que estamos à janela/varanda por qualquer motivo, nem sequer conseguíamos ver a cor dos carros, quanto mais das matriculas.
Se para o primeiro caso a solução é fácil, basta a Câmara Municipal de Setúbal contratar a reparação da junta de dilatação à nossa construtora de eleição, (que só por um mero acaso até foi a mesma que o construiu e portanto ainda se deve lembrar de onde poderá vir o mal) comprando com o dinheiro de todos nós, o sossego dos senhores do papel a morar no "Muro" da Vergonha (+).
Para o segundo caso damos duas ideias. Como o fenómeno existe e não podemos tapar o sol com a peneira, ou colocamos um Policia junto a este exemplar do que melhor se faz a nível do urbanismo local ou então colocamos barreiras sonoras e lá se vai a vista privilegiada, que foi o principal motor para o aparecimento deste ‘aborto’ no bairro.

6 comentários:

albarquel disse...

A EDP quer uma lista negra dos devedores; As empresas de telecomunicações querem listas negras de devedores também...As finanças há uns tempos lançaram umas listas negras de devedores...que tal fazermos uma lista negra de politicos e empresas com as asneiras e trafulhices que fazem?

Robin disse...

Com tantos que andam por aí, o problema seria certamente o espaço a disponibilizar para tão enorme lista.

Montes de Cima City disse...

Parabéns pelo Blog.
Ainda existem bolsas de liberdade de expressão.
Não acredito que mandem fechar os blogues existentes em Portugal.

Anônimo disse...

Sr. Robin, ontem postei um comentário mas não o consigo encontar, pelo que li no seu post anterior não iria usar o lapis azul nos comentários que não lhe fossem favoráveis, mas pelos vistos.....

Robin disse...

Resposta ao Sr. Anónimo:
Não deixei de publicar nenhum comentário que tenha aparecido por estas bandas. É tambem minha ideia anunciar quando os comentários que contiverem obscenidades foram para o balde do lixo, podendo ou não publicar algo relevante (para o artigo em si ou para o blog no seu conjunto) que venha nesse comentário.
Portanto sou alheio ao facto de se ter perdido o seu comentário. Se não for pedir muito, agradecia que o enviasse novamente.
Uma coisa eu reafirmo: a censura aqui é só para obscenidades.

Robin disse...

Como o Sr.Anónimo ainda não disse de sua justiça e como o seu comentário me deixou intrigado, numa pequena investigação descobri facilmente o sucedido.
Assim o comentário foi feito no artigo "O buzinão" no dia 07/06/2008 às 16:16 e foi aceite no mesmo dia pelas 20:12.
O autor do comentário visitou o blog duas vezes durante a manhã do dia 08, não visitando nenhuma pagina em especial.
Como este blog não está configurado para visualizar automaticamente os comentários, só pelo numero deles e se não tiver a certeza em qual foi feito, poderá ser difícil verificar o que quer que seja.
Aqui fica o registo e espero que o Sr. Anónimo depois diga algo. Eu também erro e nunca tive problemas em o reconhecer.
Apesar de estarem aqui dados muito específicos, aqui não se pratica investigação de coisa nenhuma excepto quando estão em causa valores que eu defendo.
É uma máxima que eu observo quando ando na internet - nada é anónimo. As ferramentas existem em versão oficial (polícia criminal) e versão pirata para os curiosos. Soube à pouco tempo da versão pirata já que a outra é do senso comum.