domingo, 31 de agosto de 2008

Sinais de mudança

Depois de várias ameaças, parece estar para breve a construção do "Muro" da Vergonha 2. Desde o final do verão passado que paira no ar a ameaça, de também do outro lado da Avenida D.Manuel I construírem um novo "mamarracho" para abrilhantar o novo bairro urbano de Setúbal.
De início, o que parece uma situação normal por estes lados, só iam instalar o estaleiro de obra, ficando depois à espera que fosse licenciado o projecto, podendo até iniciar a limpeza e o aterro se fosse oportuno. A visibilidade que foi dada à nossa contestação aconselhou prudência, e durante quase um ano não foram vistas grandes movimentações de pessoas com dossiers, plantas e afins.
Ao que consegui apurar na altura, o atraso no licenciamento tinha a ver com a forma como ia ser feito o prolongamento da Rua Bartolomeu Dias, com
passagem inferior sob a Avenida Belo Horizonte, fazendo com que esta ultima fique parecida com um carrossel (exemplo que também faz parte do best-seller "Urbanismo para Totós").

Já tal estava previsto na maquete 'falsa' do Manuel "Alcatrão" com a diferença que, nessa maquete estas zonas onde andam a construir mamarrachos, era uma zona verde!
Pelos vistos já resolveram a melhor forma de levar os carros para cima da Pedra Furada, onde está em fase adiantada de estudo, a construção de um Palácio de Congressos com 10 (dez) pisos!!!
Só nessa altura, o bairro fronteiriço -
Bairro da Parvoiça - que envergonha a cidade e os seus autarcas terá finalmente uma solução. Não se pode ter um local frequentado por VIP's com vista para bairros da lata.

Os sinais de mudança vem da remoção de um enorme painel publicitário do local. Espera-se agora a todo o momento a colocação das vedações em todo o recinto na nova obra e porque não também um nova companhia de circo.

O painel publicitário agora retirado, encontra-se no local à mais de um ano e tinha como principal cliente a Câmara Municipal de Setúbal, tendo uma das suas versões sido usada numa das minhas montagens.

Foto da semana 35

Semanas anterioresOriginal01234567891011121314151617181920
2122232425262728293031323334

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O balanço

Terminada a Festanima 2008, pode a Organização estar contente pelo sucesso do evento, já que a opinião é unânime: bons negócios, boa afluência, boa organização.
Eu, apesar de morar a escassas dezenas de metros do evento estive a relaxar numa praia das proximidades durante toda a semana e somente a visitei poucas horas antes da sua abertura, tirei fotos na manhã seguinte e envolvi-me na enorme multidão que no ultimo dia fazia a despedida da Festanima e aguardava a chegada da hora do fogo de artifício.
A animação era muita a essa hora (cerca das 23:00) e das ruas laterais chegavam continuamente novos grupos de pessoas.
Depois de uma volta rápida pelo recinto, só não gostei de ver o Pavilhão da Câmara Municipal de Setúbal fechado àquela hora, contrastando com o grande Pavilhão da Junta de Freguesia de S.Sebastião, onde o seu Presidente Carlos Almeida, sempre interessado e atento, conversava com os seus fregueses e não só, e onde até se faziam entrevistas. Só sobressaiu por ser o único pavilhão fechado em todo o recinto àquela hora. Certamente que existirá uma explicação razoável, para não participar na festa de encerramento da Festanima 2008.
Como a confusão era muita, optei por regressar a casa, onde assisti da janela a uma exibição de fogo de artifício que me agradou, por ser diferente (para melhor) daquela a que estou habituado: menos barulho e melhor efeito visual.
Com o evento deste ano, ganhou o bairro de forma permanente, umas bandas de aviso de aproximação de passadeira, numa das poucas existentes neste troço da Avenida Belo Horizonte.

Aumentando de facto a visibilidade da mesma, não reduz de maneira nenhuma a regular exibição de carros modificados e principalmente motas, que talvez não exagere ao dizer que atingem neste local no sentido oeste-este, velocidades perto dos 200km/h.
Se tem algum vigia junto à esquadra que fica a cerca de 300 metros, ou simplesmente fazem estas exibições também pelo gosto da aventura e imprevisto, o que é certo é que estas decorrem por vezes em dias seguidos e com várias passagens por hora.

Aproveito para pedir desculpa a um grupo de simpáticas senhoras (já com uma idadezinha respeitável), com o seu pavilhão estrategicamente colocado quase junto ao palco (para melhor ouvir a musica certamente), por ter usado o seu pavilhão para uma montagem no artigo Stand de Vendas - Parte II (não era esse o titulo original), não resistindo à tentação, depois de ver um pavilhão sem grandes áreas na imagem para 'limpar' quando na manhã do dia 17/8 fazia a 'reportagem' fotográfica.

Num artigo anterior, demorei mais de um mês a tentar arranjar um pavilhão que servisse os meus propósitos, tendo acabado por fotografar um pavilhão que foi usada nas celebrações do dia 01 de Maio na Avenida Luisa Tody, mas que deu bastante trabalho a manipular.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A promoção do dia

A viabilidade das empresas passa pela redução de custos. Por isso estar atento a promoções/saldos de materiais de consumo ou equipamentos é uma actividade que não se deve descurar, a bem de uma gestão de recursos equilibrada, tendo como objectivo bons resultados anuais.
Quando a nossa construtora de eleição, sempre atenta a esses pequenos pormenores (que fazem toda a diferença), soube que uma empresa de aluguer de escavadoras compactas tinha promoções quase diárias, consultou os responsáveis no local da obra que lhe fizeram uma lista exaustiva do equipamento necessário para limpar o piso térreo.
A empresa em causa, de aluguer de máquinas e equipamentos para construção civil e obras públicas, com uma gama de equipamentos multimarca, moderna, diversificada e eficiente para alugar sem operador, oferece um nível superior de serviço, aluga ao dia, semana ou mês e faz promoções regulares.
A promoção de segunda-feira era uma escavadora usada de concha média (colher de sopa), a qual foi entregue cerca das 11:25.

A promoção de hoje era uma escavadora compacta Volvo modelo EC15 (colher de sobremesa), a qual por ser mais recente e estar em muito bom estado tinha muitos pretendentes. Nada que o factor "C" (também conhecido por cunha) não conseguisse resolver.
Assim, para fugir aos olhos indiscretos dos outros pretendentes, foi a escavadora retirada do armazém ainda de madrugada e entregue no local da obra escassos minutos depois das 7 da manhã.

Teria certamente passado despercebida a sua chegada ao nosso bairro, onde a maioria dos moradores ainda dormia profundamente, se o condutor do veiculo longo que a transportava, certamente por comodismo, não tivesse feito cerca de 200 metros em marcha-atrás e onde o apito de alerta de manobra do camião, serviu de toque de alvorada para os moradores da rua.
Já que o pessoal das redondezas estava acordado, não havia motivos para não servir a sopinha quente que entretanto estava preparada. Ainda não eram sete e meia, mas o pessoal estava com fome!
Assim, apesar de não de ver o prato, ouvia-se o bater da colher de sopa algures no piso -2 do Bloco 1 ou 2.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A passadeira "invísível"

Existe uma passadeira no bairro, cuja localização não ajuda a torná-la segura e onde a visibilidade é bastante deficiente na perspectiva do condutor principalmente no sentido descendente.
Situa-se na avenida D. Manuel I, em frente ao Centro Comercial Dufa e regularmente lá vem mais uma noticia no jornal de um atropelamento com consequências graves. O ultimo digno de registo foi em 12-01-2008 do qual o jornal O Setubalense fez referencia no artigo Passadeira “invisível” preocupa moradores.
A passadeira que se pode ver nas imagens seguintes é utilizada por várias centenas de pessoas por dia, constituindo esta via um dos acessos principais à baixa da cidade com transito intenso durante quase todo o dia.

Poucas semanas depois, foi tema de debate na Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Setúbal as passadeiras em Setúbal, mas esta passadeira em concreto não serviu de exemplo:

Sr. Vereador Paulo Valdez - (...) Constatara, já há algumas semanas, que as passagens para peões na Avenida 5 de Outubro tinham uma iluminação muito boa, ainda mais porque aquilo era uma artéria muito escura, mas perguntava se isto era uma situação pontual, ou se a Câmara Municipal estava a pensar colocar isto noutras passadeiras, especialmente nas que havia risco de atropelamento por falta de visibilidade. (...)

Sra. Presidente - (...) Relativamente às passagens para peões, o Sr. Vereador Eusébio Candeias também falaria disso. (...)

Sr. Vereador Eusébio Candeias - Em relação aos sinais luminosos, os chamados olhos de gato, que tinham sido colocados na Avenida 5 de Outubro, pensava que estes eram importantes em termos de visibilidade e de alerta para os condutores, quando se aproximavam das passadeiras, por razões de segurança. O que se estava afazer era um levantamento das situações eventualmente mais perigosas, nalgumas ruas ou avenidas da cidade, para implementarem mais sinalização desta. Havia a avenida Infante D.Henrique, A Avenida Guiné-Bissau, embora estas já tivesse tido uma intervenção que, de certo modo, já resolvia o problema, que eram as bandas cromáticas que identificavam perfeitamente as passadeiras, mas estava-se a fazer este levantamento para ver o que é que se conseguia em termos de orçamento, para depois se colocar em mais passadeiras. Sobre a questão da pintura das passadeiras em geral, e de artérias, no que dizia respeito à sinalização horizontal e que era uma das opções vais visíveis na cidade, estavam a preparar também uma empreitada, porque não tinham possibilidade, por administração directa, para fazer a manutenção de toda a rede viária, no que dizia respeito a toda a sinalização vertical e horizontal, nomeadamente esta ultima, porque a outra era de manutenção e recuperação de alguns sinais que se iam danificando e que era preciso substituir, e tendo em conta que também estava descentralizado em grande parte das Juntas, esta área, acabavam por ter capacidade de resposta. No que dizia respeito à sinalização horizontal, de facto, era mais difícil e teriam de recorrer a empresas porque não tinha, condições de equipamento para fazer a pintura a quente, o que dificultava a manutenção porque era menos duradoura aquela que iam fazendo. Estavam a preparar a obra, para se avançar com isto, porque se estava num tempo bom para esta intervenção. (...)

Extractos da Acta n.º 3-2008 da Câmara Municipal de Setúbal


Mais de seis meses depois não se notou nada de especial nas passadeiras da cidade para além da habitual pintura de beneficiação em vários locais.
Andam agora entretidos a testar novas teorias na (quase) renovada Avenida Luísa Tody: passadeiras com lombas, passadeiras sem lombas, passadeiras que já tiveram lombas, passadeiras (...) engrossando assim os custos finais da obra e fazendo a alegria dos empreiteiros.
Poderá estar englobada no Programa de Reabilitação Urbana - Consolidação e Tratamento de Espaços Públicos - Av. D.Manuel I, mas com o passar dos meses desenvolvi uma teoria dos motivos que levaram a esconder a placa à mais de nove meses numa rua periférica: é preciso enganar o povo votante, de forma a que pareça que se está empenhado a fazer alguma coisa, quando na realidade nada se faz, porque o dinheiro não abunda ou porque as verbas são desviadas com outros fins considerados mais urgentes. As restantes obras do Programa de Reabilitação Urbana são em zonas em que só passam setubalenses, restava a placa referente à Avenida D.Manuel I.
Como ainda faltavam muitos meses para as eleições autárquicas e portanto para que fosse dado seguimento a estas obras, foi a dita placa colocada longe dos olhos dos inúmeros visitantes que circulam nesta porta de entrada da cidade.
A falta de espaço na Avenida não é desculpa, assim como a proximidade de entradas de habitações ou lojas também não, já que a placa está colocada em frente a uma pastelaria, paredes meias com a sua esplanada, numa transversal da Avenida!
Encerrado o espaço de má língua voltamos à nossa passadeira.
Para o nosso caso não pretendemos uma passadeira radical como esta

Imagem original publicada em - Novas passadeiras

nem tão pouco uma passadeira com carácter

Fotografia original publicada em - O peão tem sempre razão!

nem tão pouco lombas, que seriam certamente para remover a curto prazo devido aos protestos dos automobilistas que mesmo a baixas velocidades danificam as suas viaturas

Pretendemos sim uma passadeira que seja assinalada com bastante antecedência, aos milhares de automobilistas que a cruzam nos dois sentidos.
A melhor forma no meu ponto de vista é a colocação de bandas sonoras (não confundir com bandas de aproximação) a uma distância razoável e porque não complementá-la com os 'olhos de gato'.

sábado, 23 de agosto de 2008

Regresso de férias

A vida está difícil e tem de se fazer escolhas.
Entre um cruzeiro nas Caraíbas, ir ver os Jogos Olímpicos ao vivo a Pequim, um destino paradisíaco numa qualquer ilha do Pacifico ou comprar uma casa nova para fugir deste inferno, foi fácil a escolha.
Assim as minhas férias fora de casa foram como a da maioria dos portugueses: por perto num local onde se gastasse pouco dinheiro.

De regresso, pensei ainda desfrutar de um pouco de sossego até segunda-feira, para me preparar para mais uma semana em que o despertador toca invariavelmente escassos minutos depois das oito da manhã.
Apesar dos lamentos à mesa de um café nas redondezas, de alguns trabalhadores que não viam com bons olhos o facto de estarem impedidos de trabalhar ao sábado, só porque alguém podia tirar fotografias e depois ir fazer queixinhas, aproveitaram a ausência do "bufo" para vir para o local da obra a um sábado, retirar cofragens que é uma actividade quase silenciosa!
Podiam ao menos ter perguntado se ia estar cá este fim-de-semana, ou então como o tempo do estágio está acabar e ainda falta fazer muita coisa, está justificado porque em 34 semanas de obra é a segunda vez que tal acontece, e a vez anterior foi à tanto tempo, que já nem me lembro quando.
A pergunta seguinte é: fazer queixa a quem?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nova Setúbal - que futuro?

Com a falta de valores que predomina na sociedade portuguesa, falta de bons exemplos de quem nos governa, uma continua desconfiança nos órgãos autárquicos e nas suas ligações pouco transparentes com o sector imobiliário, faz com que qualquer projecto que apareça, mesmo com a chancela de um Secretário de Estado ou até de um Ministro, seja posto em causa por quem se debruça sobre os impactos dessas decisões.
Para alem de parecer a muitos setubalenses (e não só) que a Nova Setúbal só vai ajudar a que uma cidade que já tem poucos atractivos para ser visitada, servindo essencialmente como destino gastronómico para o seu famoso peixe assado e como ponto de passagem para Tróia, venha a ficar moribunda e abandonada, com a criação de um destino paralelo aqui mesmo ao lado.
A Quercus está em campo e desejo-lhe os maiores sucessos na sua iniciativa.

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza interpôs no passado dia 25 de Julho junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa uma providência cautelar para evitar o abate de mil e duzentos sobreiros localizados na área da projectada mega-urbanização denominada Nova Setúbal, a Sul da Estrada Nacional 10 entre a saída de Setúbal e Vale da Rosa no sentido Setúbal-Algarve.
(...)
De uma forma geral e em síntese, as objecções da Quercus ao Plano de Pormenor são motivadas pelo seguinte:

Razões políticas e de ordenamento do território
  • Não tem sentido em termos de ordenamento do território e numa lógica de desenvolvimento sustentável um crescimento periférico tão elevado (de cerca de 30%) da cidade de Setúbal, cujo centro histórico se encontra cada vez mais abandonado e inseguro; é certo que uma eventual expansão da cidade se deverá fazer para Este, mas não com esta dimensão;
  • A área em causa tem características paisagísticas únicas, nomeadamente a presença de importantes manchas de sobreiros, que não merecem ser destruídas com investimento mobiliário e comercial que ampliará ainda mais as dificuldades de mobilidade e a lógica de consumo que se deveria reduzir do ponto de vista ambiental, social e económico na sociedade portuguesa;
  • A autarquia encontra-se com enormes dificuldades financeiras e o Plano de Pormenor implica gastos muito consideráveis para o seu orçamento no médio/longo prazo;
  • O Plano de Pormenor, como explicado, tem implicações muito mais penalizantes para o Estado por comparação com o financiamento privado;
  • Existe todo um conjunto de relações, decisões e negócios associados a este Plano de Pormenor que não deve ser esquecido e que nos parece pouco transparente.
Razões legais
  • A atribuição de utilidade pública a todo o Plano de Pormenor e não apenas a determinados empreendimentos em causa não é considerada legal, nomeadamente porque um Despacho Conjunto ultrapassa a fundamentação do Decreto-Lei relativo à protecção dos sobreiros;
  • O Tribunal de Contas tem de se pronunciar previamente sobre os contratos subjacentes ao Plano de Pormenor e, que tenhamos conhecimento, até agora não o fez.

Lisboa, 6 de Agosto de 2008
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Extracto do artigo - Quercus interpõe Providência Cautelar


Também a versão final do loteamento que nos atormenta, foi aprovada pelo Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades em Julho de 2005 e continuamos convictos que a documentação apresentada não foi certamente a suficiente (se calhar nem interessava), pois nenhuma pessoa no seu perfeito juízo iria aprovar um loteamento desta dimensão, numa zona que deveria estar abrangida pelo estatuto de "paisagem protegida".
Eis para onde caminhamos ...

Imagem não original, inserida num artigo cuja leitura recomendo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O fermento

Portugal aparece agora em tudo que é noticia a nível de inovação tecnológica.
O nosso Primeiro-ministro não se cansa de o afirmar regularmente nas cerimonias protocolares ligadas a novos investimentos na área das novas tecnologias:
  • (...) Queremos estar na fronteira tecnológica e modernizar o nosso país. É isso que o plano tecnológico está a fazer e é esse o caminho que queremos seguir (...)
  • (..) este investimento vem dar mais confiança à nossa economia e demonstra a qualidade dos nossos recursos humanos e as nossas competências. É um desafio importante também a nível de empregabilidade, o que é determinante para o futuro do país(..)
Dentro de uma década, quando os alunos de todos os níveis escolares que agora estão a receber o seu portátil ao abrigo do programa Novas Oportunidades, tiverem entrado no mercado de trabalho, ninguém nos irá igualar certamente em número, no respeitante a novos avanços e descobertas a nível tecnológico.
Na recta final dos Jogos Olímpicos de Pequim, é com alegria que vemos em letras gordas na comunicação social Speedo LZR RACER - Michael Phelps veste «Made in Portugal».
Os fatos utilizados pela maioria dos nadadores nos Jogos Olímpicos de Pequim, envoltos em alguma polémica pois vieram revolucionar o mundo da natação ao mais alto nível, resultaram de um processo de desenvolvimento conjunto da Speedo, NASA e do Instituto Australiano de Desporto, sendo fabricado em Portugal, na Petratex, uma unidade têxtil de Paços de Ferreira.(+)
Não querendo rivalizar com a cidade nortenha, o nosso bairro que também já tinha tido o seu destaque no início do ano, (por termos sido pioneiros a nível mundial no primeiro edifício auto-suficiente a nível energético e de abastecimento de água potável, bem cada vez mais escasso), aparece novamente na vanguarda da construção civil. Como fazer um edifício crescer sem usar mais cimento?
Resposta simples, qual ‘Ovo de Colombo’, basta juntar um pouco de fermento na altura da betonagem, que é vê-lo a crescer dia-a-dia.
Não podemos pois chamar mentirosa à funcionária dedicada da Câmara Municipal de Setúbal, que compilou toda a informação referente aos dois projectos que nos atormentam, pois esta baseou-se somente na informação disponibilizada pelos vários departamentos/divisões envolvidos, e que oportunamente publicamos.
Assim, quando ela em jeito de conclusão afirma que:

- que o edifício a construir no alinhamento da banda já edificada sobre a Av. D. Manuel I só terá 6 pisos, dos quais 5 para habitação e um para estacionamento e comércio, acrescendo que, dado o acentuado declive da avenida, a cota da sua cobertura será inferior à que se verifica no prédio imediatamente a norte.

não contou com esta descoberta também pioneira, que de certeza vai levar bem longe o nome da construtora, o nosso bairro, Setúbal e PORTUGAL!

domingo, 17 de agosto de 2008

Stand de vendas - Parte II

Na passada 6ª feira deu-se inicio à 6.ª edição da “Festanima”, festa do movimento associativo da freguesia de S. Sebastião, que se irá prolongar até ao próximo dia 24.

Toda a área esta engalanada com bandeiras e faixas para chamar a atenção dos que por aqui passam para esta festa de cariz popular.

A Festanima decorre nas Escarpas de S. Nicolau ao longo de parte da Avenida Belo Horizonte, fechada ao transito nesta área. O objectivo da organização do evento é proporcionar divertimento popular e, ao mesmo tempo, através do trabalho e empenho dos dirigentes associativos, angariar receitas para manterem as suas regulares actividades, de índoles recreativa, cultural e desportiva, por via da exploração dos bares gastronómicos montados no recinto e onde a animação musical é uma constante diária.

Vamos pela primeira vez ter a oportunidade de ver o stand de vendas, onde o povo de Setúbal poderá negociar a compra de uma habitação de custos controlados, que se encontra já em avançado estado de conclusão, construída a escassos metros do recinto da festa e que poderá ser visitada no momento.

Nada melhor de que um local onde se concentra o povo genuíno de Setúbal, muitos deles com necessidade de habitação, para começar a vender esta habitação de cariz social, que para além de uma vista soberba para o Estuário do Sado, há quem ateste que foi construída com elevados padrões de qualidade.

Leitura complementar recomendada - Stand de Vendas

Foto da semana 33

Semanas anterioresOriginal01234567891011121314151617181920
212223242526272829303132

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Desmentido

Durante a tarde de ontem o telefone não parou de tocar. Pelos vistos o nosso artigo anterior continha algumas inverdades...
O
nosso detective estava com tanta fome que já se lhe turvavam as ideias.

Foi realmente verdade a visita das duas entidades referidas. Mas tratava-se de ver no local e a uma hora em que estava em funcionamento (não como uma outra vez - somente a Sra. Presidente - visitou os queixosos a altas horas da noite!!!) um restaurante (com grelhador no exterior), café e pastelaria cujos cheiros já à longa data incomodam os moradores. Pelos vistos ainda falta muito para que o problema fique resolvido.

Porque não este utilizar este Restaurante para servir de pioneiro na utilização dos novos grelhadores previstos para os restaurantes da cidade?

Resolvia à partida os cheiros do exterior, já que os cheiros no interior provenientes da utilização de ventilação domestica para fazer extracção de equipamentos industriais (pastelaria e padaria com fabrico próprio) não é o mais apropriado, apesar desse não ser esse o entendimento do Sr. Vereador André Martins, que viabilizou o seu licenciamento.
Quanto à noticia que saiu anteriormente, ela tem uma razão de ser.
Sempre que o nosso detective passa pelas inúmeras placas que nascem em cada esquina do bairro, quando são painéis publicitários ainda se entretém a olhar para ver as novidades. Quando são os painéis ligados ao Programa de Reabilitação Urbana fica logo com azia e turva-se-lhe a vista e as ideias.
Já lá vão 9 meses e não há meio deste "parto" acontecer.
O bebé tarda em nascer, e se estiver à espera das autárquicas do próximo ano (para tornar a aliciar os moradores, mostrando obra feita num tempo suficientemente curto para as pessoas se lembrarem) é certamente algum "elefante", cujo tempo de gestação pode chegar aos 24 meses.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O agrafo

O imaginação das pessoas não tem limites e em pouco tempo fui surpreendido duas vezes.
A primeira foi quando descobri que tratavam carinhosamente o nosso "Muro" da Vergonha por "Galheteiro". Agora acabo de descobrir que alguém chama também carinhosamente "Agrafo" a este exemplar arquitectónico que tem feito correr muita tinta, onde alguns são a favor mas a maioria é contra.

Não resisto a publicar o excerto de um artigo, que descobri nas minhas habituais pesquisas na internet, de um novo autor de textos na blogosfera sobre Setúbal.

Hoje em dia temos ainda, passados 130 anos, na sombra do gigantesco e grotesco "agrafo", ou imitação de "Pórtico da Lisnave", uma fonte de média dimensão, enquadrada por 4 a 5 árvores de alguma idade e com grande imponência. Sublinho, no entanto, a expressão "na sombra" pois a grotesca construção foi construída mesmo junto à fonte, retirando a esta a grandiosidade de outros tempos.

Extrato do artigo - Setúbal esquecida I - na sombra do Agrafo Gigante


Eu também tenho a minha opinião sobre o assunto: um espaço certo num local errado!

Existem mais fotos disponiveis deste espaço no artigo de onde estas foram retiradas.

Uma visita inesperada

Ultima hora!
Acabamos de receber uma visita de peso no nosso bairro.
Devido à polémica existente nesta zona com a construção do "Muro" da Vergonha que já ninguém quer apoiar ou criticar, as próprias entidades locais evitam passar por aqui e muito menos parar. Até o "Fotografo Anónimo" desde Fevereiro que não tem sido visto por aqui a tirar fotos às escondidas.
Agora, de uma só vez termos a visita da Sra. Presidente da Câmara Maria das Dores Meira e pasme-se, também a própria Governadora Civil do Distrito de Setúbal, Eurídice Pereira é algo digno de registo.
O acontecimento tinha de ser certamente importante para que estas duas entidades nos visitassem.
Ao que o nosso detective no local apurou, vieram ver o andamento das obras do Programa de Reabilitação Urbana. Foram vistas durante algum tempo junto da placa referente à "Consolidação e Tratamento de Espaços Públicos - Av. D.Manuel I" que foi colocada no local que a imagem em seguida mostra, em meados de Novembro de 2007 conforme referimos anteriormente.

Como era hora de almoço e o nosso detective estava com fome, iremos averiguar se entretanto foram visitados os outros locais incluídos também no Programa de Reabilitação Urbana e voltaremos ao tema se tal se justificar.

O pecado original

Decorria o ano de 1979 quando deu entrada na Câmara Municipal de Setúbal o projecto 48/79 do construtor Manuel Conceição Lopes referente ao que é hoje conhecido como o n.º17 da Avenida D.Manuel I. O projecto consistia na construção de um prédio em propriedade horizontal com uma cave e 4 pisos.
O construtor sondou a
Câmara Municipal de Setúbal na perspectiva de lhe permitir abrir varandas e uma porta de acesso a garagem para um terreno que não era sua propriedade. Tendo havido luz verde por parte de responsáveis camarários, já que o terreno em causa era baldio e não estava prevista mais nenhuma construção nas proximidades (onde será que eu já ouvi isto?), foi o projecto entregue em conformidade.

Tudo decorria normalmente, quando em Maio de 2006 apareceu no baldio uma maquina a fazer perfurações para retirar amostras do solo. Como por aqui não há petróleo nem gás natural (só
lençóis de água que ainda não é um bem escasso) só podia significar uma futura construção.

As suspeitas vieram confirmar-se no início do mês de Julho de 2007, com a primeira visualização por parte de moradores do
projecto 274/06.
Quando este projecto foi elaborado, partindo do princípio que não é uma adaptação a partir de um projecto retirado de um qualquer baú já cheio de teias de aranha, partia-se de um facto consumado que era ter de conviver com algo que já existia à quase três décadas - varandas e garagem – e que podia não ter sido construído dentro da legalidade, mas a que os serviços da Câmara Municipal de Setúbal deram cobertura.
Quando a 18 de Setembro de 2007 começaram a vedar o terreno onde decorre a construção, as instruções que a empresa de vedações tinha era simplesmente de vedar toda uma propriedade que se dizia da Hagen. Claro que isso não tinha condições para dar certo e só a intervenção da PSP local no dia seguinte, impediu esta investida de má fé por parte da Sociedade de Construções H.Hagen.
Quando mais tarde consultei o plano do estaleiro da obra, estava lá preto no branco a ocupação de todo o terreno em frente à garagem (estaleiro de ferro) deste prédio que faz fronteira com a nova construção. Os grandes engenheiros e arquitectos que desenvolveram este projecto ou não fizeram o trabalho de casa ou simplesmente acharam-se importantes demais para dar a mínima atenção ao que se passava no local.

Os serviços da
Câmara Municipal de Setúbal que aprovaram tal estaleiro cometeram a segunda ilegalidade no local: legitimaram a ocupação e vedação de um terreno necessário ao acesso de uma garagem por si licenciada.
Posteriormente aparece um documento (que eu copiei mas que agora não consigo encontrar - daí o atraso na publicação deste artigo que está quase pronto há varias semanas) em que é dito resumidamente que o estaleiro nesta zona terá de ser revisto por haver problemas no acesso a uma garagem.
No inicio da manhã do dia 19 de Setembro de 2007 houve uma reunião com técnicos da
Câmara Municipal de Setúbal e construtora, onde se debateu o assunto da garagem e para a qual deveria ter sido convidado o seu proprietário, já que essa reunião foi motivada exactamente por conversas no local entre moradores e o Engenheiro da construtora durante a manhã do dia 18/09/2007 no início dos trabalhos de vedação (colocação das portas de obra).

Regressaram em força em finais de Dezembro, para a coberto do licenciamento passado em 26 de Dezembro colocar novamente as estacas em frente à garagem deixando um espaço de manobra de 5.50m, manifestamente insuficientes para a entrada da viatura que normalmente a utilizava.

Foto retirada do artigo - CORREIO DE SETÚBAL - Providência cautelar contra prédios no viaduto

Olhando para trás com mais serenidade, a arrogância e a prepotência com que esta construtora chegou ao local, para vedar o seu terreno muito antes do projecto ser aprovado, sem nunca se ter preocupado em colocar no local a placa com a identificação da entrada do projecto para apreciação na Câmara Municipal de Setúbal (como a lei obriga) conduziu a um extremar de posições que vão conduzir a um desfecho que de momento é totalmente imprevisível.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Setúbal vista do céu

Algumas imagens de Setúbal vista do céu nos anos 90, editadas a partir de um PowerPoint de Lino Campos com o mesmo nome, que circulava na internet no final do ano passado.
Como são fotografias relevantes e poderão ser posteriormente usadas com outros fins igualmente importantes, estará a seguir a cada foto um link com a mesma sem a nossa bandeira, que serve só como divulgação da mesma e para os desconhecedores da zona verem como o verde que nos circunda dá uma beleza adicional a esta zona da cidade, que foi certamente melhorada com as obras de recuperação das Escarpas de S. Nicolau.
Na nossa modesta perspectiva, a construção de edifícios em altura em nada a beneficiam.
O progresso e a expansão da cidade para este não justificam uma quantidade de erros urbanísticos que se avizinham.

Link para a imagem original >>>

Link para a imagem original >>>

Link para a imagem original >>>

Link para a imagem original >>>

Link para a imagem original >>>

Escarpas de S. Nicolau - 1990

Escarpas de S. Nicolau em fotografia aérea durante o ano de 1990, no decurso das obras de reabilitação desta zona sobranceira do Estuário do Sado.

Foto enviada por um visitante, tambem autor de um dos blogs locais.

domingo, 10 de agosto de 2008

Como se constrói um problema

No acompanhamento de algumas sessões ordinárias da Câmara Municipal de Setúbal, fiquei mais esclarecido da forma de funcionamento deste órgão autárquico.
As sessões que se realizam maioritariamente na 1ª e 3ª quarta-feira de cada mês e composta por três momentos distintos:

  • Período de antes da ordem do dia (geralmente com um debate bem animado)
  • Período da ordem do dia (por vezes um pouco monótono para quem assiste às sessões dependendo da existência ou não de propostas envoltas em alguma polémica)
  • Período destinado à intervenção do Público (geralmente um momento interessante de participação cívica da população, onde tentam obter uma melhor atenção com vista à resolução de problemas que os afectam directamente)
Depois de ter deixado de assistir às sessões no inicio de Março último, passei a ler a 1ª e 3ª parte das actas e a dar uma vista de olhos à 2ª parte. pois a maior parte das propostas não tem o menor significado para mim.
Contudo, quando uma proposta ocupa várias paginas (4) de uma acta, é sinal que está envolta em polémica, foi certamente um ponto alto dessa sessão, e por isso merece uma leitura mais atenta.
Foi o que eu fiz, não porque tivesse interesses no local ou conhecesse alguém envolvido, mas porque será um bom exemplo de como confiando cegamente num futuro certamente incerto, poderão estar sim, a construir um problema de desfecho imprevisível.

A proposta tem a seguinte referencia:

12. Deliberação n.º210/08 – Proposta n.º 110/2008 – DURB/DIGU – Aprovação de projecto de arquitectura – NOBILIS – Empreendimentos Imobiliários, Lda. – Av. Alexandre Herculano e Guiné Bissau – Freguesia de Santa Maria da Graça (acta 07-2008, paginas 21 a 25).
Vou só somente retirar as frases (sem as comentar) que para mim são elucidativas do ambiente e argumentos que se esgrimem entre os dois lados da barricada.
Já aqui o disse e reafirmo, que é uma experiência enriquecedora para quem pode, para alem de ser um acto de cidadania, assistir a uma sessão da sua Câmara Municipal ou mesmo da Junta de Freguesia.
Para os mais interessados poderão depois ler a totalidade da deliberação no link da Câmara Municipal de Setúbal ou no link da Fonte do Lavra (não vá a acta estar indisponível).

Sr. Vereador Paulo Valdez
– Tinha várias questões a colocar. A primeira era, porque razão é que estando em curso a elaboração de dois planos de pormenor, o da Avenida Alexandre Herculano que estava em curso desde a deliberação de Câmara de 5 de Março de 2003, e também naturalmente o plano de pormenor que não se sabia se estaria em curso, mas deveria estar, em breve referente ao Estádio do Bonfim, que seria mesmo em frente a esta zona. Estando em curso este dois planos de pormenor, porque razão não se aguardava pela respectiva conclusão, de forma a ficarem salvaguardadas as soluções de conjunto, compatibilizando os edifícios que compunham as diferentes unidades urbanas e adequando os espaços públicos necessários às renovações destas áreas. A segunda questão era que, mais do que a qualidade arquitectónica do edifício, tal como era dito na proposta, importava, importava a qualidade do espaço urbano no seu conjunto. No caso em apreço, como se justificava essa qualidade com um edifício de oito pisos, numa unidade urbana em que todos os restantes edifícios só atingem quatro pisos, no máximo, tendo como referencia a cércea dos edifícios mais elevados, situados na Avenida Guiné-Bissau, tratava-se de um exercício que não tinha em conta a interrupção assumida no PDM, entre os aqueles edifícios e os que se situavam no troço da Avenida Alexandre Herculano, onde se situava o prédio em apreço, nomeadamente com a constituição de uma futura zona verde pública, no espaço actualmente ocupado pelo logradouro do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, na Quinta da Casa de Santana. A terceira questão era de que tratando-se no total de 25 unidades/fracções, porque razão não era aplicável o disposto na alínea b) do art.º 8.º do Regulamento de Urbanizações e Edificações do Município de Setúbal, pois havia impacto semelhante ao loteamento, bem como o disposto no n.º 1, do art.º 9.º do mesmo regulamento, espaço que o rodeia. (...) Era admissível autorizar um edifício, em que uma das fachadas com fenestração distava pouco mais de um metro da extrema de um prédio particular e criando sobre ele uma pesada servidão de vistas, antes de o mesmo ser adquirido pelo Município para uma finalidade pública, como estava prevista no PDM. (...)
tinham surgido dúvidas, porque se tratava da zona que ligava a Avenida Alexandre Herculano junto à Praça Vitória Futebol Clube, para a Avenida da Republica da Guiné-Bissau , onde estava uma série de casas de rés-do-chão, logo a seguir, começando perto do edifício onde se situava o Frango vaidoso e antes era o Retiro Vitoriano. Tratava-se de uma zona de casas baixas, onde ia haver quatro pisos no lado da avenida Alexandre Herculano e de repente, passava-se para oito, naquela zona que estava voltada para a Capela do Bonfim, o Estádio do Vitória e a Praça Vitória Futebol Clube, e depois diminuía-se levemente para seis pisos já na Avenida da República da Guiné-Bissau. (...) Perguntava como é que não havia impacto quando se ia fazer um prédio de oito andares em frente à Capela do Bonfim e ao actual Estádio do Vitória. Isso teria impacto. (...)

Sr. Vereador André Martins – As questões levantadas eram pertinentes e legitimas, porem, as soluções apresentadas decorriam da aplicação da legislação em vigor e as questões estéticas eram sempre discutíveis. Na Avenida Alexandre Herculano decorria um plano de pormenor que tinha uma pretensão de alinhamento de cérceas e tinha havido uma interpretação interior na Divisão de Planeamento diferente da que havia hoje, tal como se podia ver na proposta, onde havia um exemplo disso. (...) Havia o entendimento de que se respeitava as cérceas dominantes deste eixo urbano, numa área urbana consolidada, que não punha em causa os regulamentos municipais e o PDM, e daí que houvesse uma alteração da interpretação, e o edifício de oito pisos respeitava efectivamente o alinhamento no eixo urbano da Avenida Alexandre Herculano e a Avenida da República da Guiné-Bissau. A outra proposta era de quatro e seis pisos, e portanto, nem sequer estava em causa. Estas eram as razões pelas quais em vez de estarem a aguardar o desenvolvimento do plano de pormenor, poder-se-ia não ficar com os projectos pendurados e ajudar os investidores a apresentar soluções que se enquadrem na apreciação técnica e estética, sem por em causa os regulamentos em vigor. O que acontecera era que os serviços técnicos tinham proposto ao investidor que apresentasse, se estivesse interessado, já que a proposta inicial não tinha viabilidade, um projecto desta natureza, este estaria dentro dos regulamentos em vigor e teria viabilidade. (...)

Sr. Vereador Ilídio Ferreira – (...) Pensava que a proposta inicial do munícipe era para a construção de um edifício em duas fases, numa primeira era de quatro pisos, esperaria pela aprovação do plano de pormenor e depois então construiria os oito pisos, partido do principio de que o plano de pormenor seria aprovado nessa base e era a Câmara Municipal que lhe ia dizer que preferia que ele apresentasse já os projectos de quatro e oito pisos. (...) Em terceiro lugar, bem ou mal, tinha sido a Câmara Municipal a indicar que não devia ser apresentado um projecto de quatro, mas sim um de quatro e de oito pisos, para se requalificar a zona, pelo que agora não seria correcto dizer ao munícipe que isto voltaria para trás, depois deste gasto o dinheiro dos projectos. Embora as questões colocadas fossem pertinentes, havendo cumprimento da lei, e ainda pelos factores que indicara, a sua bancada viabilizaria a proposta.

Sr. Vereador Paulo Valdez – Em relação à lei ser cumprida, partiam sempre do principio que as propostas contemplavam isto, mas havia um prédio, numa rotunda, que tinha sido construído em cima de uma linha de água. Com certeza que o Sr. Vereador que trouxer isto ali, pensava que a lei estava a ser cumprida, senão seriam uns malfeitores. (...) Compreendia que entre uma instituição da Igreja e um empresário, o empresário teria maior capacidade de negociação do que a instituição, mas a verdade era que o edifício teria numa das fachadas as janelas, ou a fenestração, palavra que vinha do francês, fenetre, com uma distância de pouco mais de um metro de extrema de um prédio particular, que era propriedade da Quinta das Irmãs e nada tinha sido definido. Havia um conjunto de factores que não estavam devidamente esclarecidos pelo Sr. Vereador, mas compreendia que havia um aspecto muito importante, era um projecto que o promotor já tinha na Câmara Municipal há alguns anos e que a bancada da CDU prometera regularizar projectos que estavam a “marinar” na Câmara desde há muitos anos, que os “camaradas de partido” se tinham encarregado de fazer marinar, pois não se podiam esquecer que agora estavam a fazer de um prédio andares em oito e seis pisos, quando durante anos, o hotel no Parque José Afonso, por causa de um recuado, era recusado de forma imediata. Compreendia que se devia dar resposta aos promotores que deviam investir na cidade, mas continuava a ter enormes dúvidas na opção, nomeadamente porque havia janelas para um propriedade vizinha e o conjunto de quatro, oito e seis, e porque não sabia o que ia ser construído na Avenida Alexandre Herculano, de acordo com o plano de pormenor, a sul do edifício de quatro andares.(...) Tinham algumas preocupações nesta solução, até ao nível do planeamento, mas a bancada da CDU é que era a responsável pelo planeamento urbanístico da cidade, enquanto estivesse no poder.

Sr. Vereador André Martins – (...) Relativamente à questão de ser uma distância de um metro, podiam considerar que ficava muito perto da propriedade privada, mas esta propriedade não tinha possibilidade de edificação, ficando as janelas viradas para um terreno que iria ser para uso de lazer. (...)

Sra. Presidente – Disse que os planos de pormenor, nomeadamente, eram demorados, e que este, tal como outros, eram processos que já tinha passado muitos anos que estavam para ser resolvidos, muitos deles vinham de mandatos anteriores, e atendendo-se às características legais que ali estavam indicadas, nem este, nem nenhum prédio viria ali, que não respeitasse a legalidade. Por vezes, podia haver algumas dúvidas, mas não sobre a legalidade, e por isso, apelava-se ao sentido de ajuda dos Srs. Vereadores para o desenvolvimento de Setúbal. Este processo estiver arrastado no tempo, mas também era verdade que os planos de pormenor demoravam tempo a serem feitos, e o promotor já pagara demasiados juros à banca pelo tempo que demoraram os projectos.

Não havendo mais discussão sobre a proposta, a Sra. Presidente submeteu a mesma a votação, sendo aprovada por maioria e em minuta, com quatro votos a favor dos Srs. Vereadores da CDU e cinco abstenções dos Srs. Vereadores do PSD e PS.

A tentação de fazer comentários próprios a este texto são enormes, mas vou conseguir resistir.
Informações complementares:
1. Intervenientes no debate:
  • Sr. Vereador Paulo Valdez pelo Partido Social Democrata
  • Sr. Vereador Ilídio Ferreira pelo Partido Socialista
  • Sr. Vereador André Martins pela Coligação Democrática Unitária (CDU – Partido Ecologista “Os Verdes”), Vice-Presidente da CMS e Vereador responsável pelo Urbanismo
  • Sra. Presidente da CMS Maria das Dores Meira pela Coligação Democrática Unitária (CDU – Partido Comunista Português)
2. Imagem de satélite (Google) do local.
3. Fotografia do local tirada por mim em 09-08-2008, junto à capela do Bonfim que representa a esquina oposta à localização deste projecto.

Leitura auxiliar recomendada - http://fontedolavra.blogspot.com/2008/07/as-regras-do-jogo.html