quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sociedade secreta

Sociedades secretas são grupos de pessoas que se reúnem em segredo com um propósito em comum. Visam objectivos secretos que vão desde o combate a tirania ou desenvolvimento de valores éticos e morais. São perseguidas e difamadas pelo seu empenho no combate a corrupção e aos valores imorais da sociedade. Geralmente combatem a exploração política e religiosa, tornando-se por isso vítimas da calúnia. Seus membros nem sempre são anónimos.

Desde à cerca de dois meses que tento sem sucesso aceder a um serviço que a Câmara Municipal de Setúbal disponibilizava no seu portal, de consulta das actas das reuniões ordinárias que se realizam habitualmente na 1ª e 3ª quarta-feira de cada mês.
Movia-me essencialmente a curiosidade, depois de ter assistido a cerca de uma dezena de reuniões durante os tempos mais 'quentes' desta nossa 'guerra'.
A minha presença nestas reuniões foi sem dúvida, para alem de tudo, uma experiência enriquecedora e fica aqui um conselho: na vossa cidade ou vila arranjem um tempinho livre e vão assistir a pelo menos uma destas reuniões. Vão certamente gostar, para alem de ser um acto de cidadania.
Voltando ao assunto do artigo. O referido portal no final do ano passado disponibilizava aos interessados as actas e restante documentação associada desde 2006. Eram portanto bastantes documentos e podia dar-se o caso, de haver limitações no servidor da internet. Assim, quando passaram a disponibilizar a documentação somente as ultimas três reuniões e era inicio do ano, achei normalíssimo.
Quando o link passou a ficar sem conteúdo é que eu comecei a fazer contas de cabeça. Seria por eu ter abusado na utilização dos textos das actas, quer aqui no blog quer no processo judicial em curso, ou será que a nossa Câmara Municipal tornou-se SOCIEDADE SECRETA.
Se a culpa foi minha, ficam aqui as minhas desculpas pessoais a quem se sentiu prejudicado.

Nota do autor: Depois de alguns meses indisponível o serviço de consulta das actas e outra documentação acessória já se encontra disponível, agora para os ultimos 20 anos. Se a ideia era a melhoria dos serviços prestados fica um reparo para quem tem a seu cargo a administração do portal da Câmara Municipal de Setúbal: quando uma pagina fica sem conteudo devido a uma manutenção necessária, deixa-se uma mensagem tipo "em manutenção" em vez de se deixar os links vazios. Assim não ficam sujeitos a interpretações maldosas, como foi o caso.
Um novo artigo a publicar brevemente com divagações filosóficas sobre a forma de apreciação de um projecto em sessão ordinária da CMS (baseado-me numa acta) numa altura em que estas ficaram novamente disponíveis é uma pura coincidência. A sua publicação continua pendente somente da oportunidade de ir tirar fotos ao local.
08-08-2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O "Muro" da Vergonha

Existem certamente muitas pessoas que visitam este blog (não conhecendo o local) e poderão achar que o nome que é atribuido a uma nova construção é demasiado pesado, sendo certamente uma visão atrofiada e revoltada capaz de tal ideia.
Voz sábia -> Voz do povo:
Uma imagem vale mais que mil palavras!

Foto tirada a bordo do navio "L'Audace" do armador SUARDIAZ, estacionado no Porto de Setúbal no dia 13/12/2007.

Foto tirada a bordo do navio "Gran Bretagna" do armador Grimaldi, estacionado no Porto de Setúbal no dia 29/07/2008.

Faltando ainda construir dois pisos na parte central (zona da grua), fica ao critério do leitor avaliar, se o nome atribuido a esta 'obra de arte' está correcto ou realmente é excessivo.
Quando a Sra. Presidente da Câmara Municipal de Setúbal afirmou na reunião ordinária de 03/10/2007 que
"(...) era algo estranho, que pudessem vir a ser construídos lotes no local (...)"
tinha realmente razão. Este bairro está com um aspecto muito estranho...

Este artigo tem continuação em O "Muro" da Vergonha (Parte II)

terça-feira, 29 de julho de 2008

A Minha Terra Quer

Prometido num dos comentários e já abordado num dos artigos, voltamos ao tema dos parques infantis na nossa zona e da sua má convivência com o betão.
O Grupo Desportivo “Os Amarelos” candidatou-se ao novo programa televisivo da SIC “A Nossa Terra Quer” e no passado dia 20 pelas 15:00, estive presente no local juntamente com algumas dezenas de moradores, miúdos do bairro e alguns curiosos (como eu) para assistir à gravação das entrevistas com o Presidente Nuno Soares e três dos miúdos que por ali brincavam e jogavam à bola.
Aproveitei parte de um texto escrito na edição de ontem do jornal 'O Setubalense', porque contrariamente ao que esperava, ainda não me arranjaram fotos do parque infantil ainda em actividade, assim como informações mais detalhadas sobre o que supostamente aconteceu.

"O pouco equipamento infantil que restava na Praceta do Grupo Desportivo “Os Amarelos” foi mandado retirar há cerca de sete anos, por alegada falta de condições de segurança, pela Junta de Freguesia de S. Sebastião e Câmara Municipal.
Uma medida tida como razoável em prol da segurança das crianças. O pior é que o equipamento nunca tenha sido renovado, facto que transformou o então parque infantil num local feio, porco e morto."

Acho excelente o sentido de oportunidade do Grupo Desportivo “Os Amarelos” para conseguir um local recreativo para a miudagem da zona, mas a história poderá estar mal contada.
Passei muitas vezes a pé pela zona durante os anos noventa mas não consigo atestar da qualidade ou segurança dos equipamentos.
O que me apercebi é que o campo de jogos do Grupo Desportivo, foi deslocalizado para junto do Depósito de Agua da Bela Vista, onde segundo informações avulsas existem boas condições para a prática de futebol, modalidade em que "Os Amarelos" são mais conhecidos, e de que o parque infantil foi simplesmente desmontado.
No local nasceu um complexo habitacional, que na altura deu muito que falar, quer pela volumetria quer pela localização. (Estou a reunir informações sobre o tema)

domingo, 27 de julho de 2008

Nuvens negras no horizonte

São preocupantes as frases proferidas por João Cravinho em «Diga lá, Excelência». Não se augura nada de bom para os tempos que se avizinham...

  • «na grande corrupção de Estado, toda a gente tem a sensação que estamos numa situação muito complicada e em crescendo»
  • «Porque a grande corrupção considera-se impune e age em conformidade e atinge áreas de funcionamento do Estado»
  • «como um soldado no campo de batalha que combateu mas foi derrotado pelo inimigo»
Para quem já esteve envolvido numa guerra feia e suja com este senhor, em que ninguém ficou bonito na foto final, tenho de lhe reconhecer algum mérito nesta sua cruzada dos últimos tempos, e o baixar dos braços deste 'soldado' não augura certamente nada de bom.

Foto da semana 30

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sábado, 26 de julho de 2008

O dinheiro não é tudo ...

Passo regularmente a pé num local aqui bem perto e mesmo assim continuo a ficar incomodado com o que vejo, porque conheço as pessoas envolvidas e também porque sou radicalmente contra a construção de mamarrachos em locais desapropriados e agora tornei-me um activista desde que me construíram um desses exemplares à porta de casa.

Desconheço pormenores do processo que levou ao aparecimento desta nova construção no novo bairro urbano de Setúbal, mas certamente algo fora do normal se passou.
Um contribuinte de ideias para este blog encontrou algo muito parecido na internet que aqui divulgo, numa tradução livre do
artigo publicado em 23 de Julho de 2008, "La mujer que rechazó un millón de dólares" que também se poderia chamar "Uma lição de vida":

Edith Macefield é uma mulher que obstinadamente recusou 1 milhão de dólares para vender a sua casa para dar lugar à construção de um edifício. Disse que não necessita de dinheiro... o dinheiro não é tudo.
Continuou vivendo na sua pequena casa, mesmo depois dos muros de betão se erguerem à sua volta, com gruas e andaimes a rodearem a sua vivenda.
Quando lhe perguntaram uma vez se não a incomodava os ruídos ela disse "Eu vivi a Segunda Guerra Mundial, o ruído não me incomoda".
Edith Macefield faleceu recentemente.

As aves de rapina rondam não só o dono desta humilde casa, como de todas que as rodeiam. Querem limpar o 'lixo' que perturba a edificação no novo bairro...

Nota do autor:
Como as novidades por aqui escasseiam, vou passar a alternar noticias aqui do burgo com 'delicias' das redondezas. Material não me deve faltar concerteza. Para quem só se identificar com o Bairro Fonte do Lavra e não quiser continuar a acompanhar esta contínua ´má-lingua' de alguém que parece que não tem mais que fazer, recomendo-lhe o blog http://fontelavra.blogspot.com/ no ar desde 04 de Abril, altura em que uma houve tentativa de negociação para pôr uma "pedra" no assunto. Os interlocutores nem se dignaram a responder à proposta...
Os que julgaram que este blog iria cair de maduro, enganaram-se!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Obama apoia a nossa luta ...

Diante de uma multidão de cerca de 200 mil pessoas, a maioria jovens alemães e americanos que chegaram no fim da tarde desta quinta-feira ao monumento Coluna da Vitória, em Berlim, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um histórico discurso voltado para a paz mundial.

'O mundo tem novos muros para derrubar', diz Obama à multidão em discurso histórico em Berlim.

Espera-se que depois desta referencia ao nosso "Muro" da Vergonha, Barak Obama consiga arranjar na sua agenda uma oportunidade para nos visitar. Ficamos à espera.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

No poupar é que está o ganho!

Mais uma vez o fotografo não estava lá ...
Se não houve alterações de ultima hora, o Bloco 1 do "Galheteiro" está concluído. Fica assim com 5 pisos no total, sendo 2 caves (único local onde o nome cave tem significado), um piso onde coexistirão 3 lojas com um terraço adjacente e ainda 2 pisos com 4 apartamentos no total.
A penúltima e antepenúltima placa foi enchida a partir da rua que faz fronteira a poente com este belo exemplar.
Não seria noticia, não fora o aparato montado no local que simplesmente fechou a rua durante algumas horas da 1ª vez e menos de 2 horas da 2ª vez. Esta rua apesar de ter duas faixas, está desenhada para transito de ligeiros e é muito rara a passagem de outro tipo de veículos.
Não foi feito, segundo me informaram, qualquer aviso de restrições no transito e os veículos que a pretendiam utilizar naquela área, simplesmente ficavam baralhados. Não me referiram contudo nenhum incidente, para alem de um ou outro palavrão como desabafo.
Segundo me informei (e estou habituado a ver quer nesta cidade quer por esse país fora), quando um veículo precisa de ocupar a(s) faixa(s) de rodagem por motivo de carga/descarga ou por motivo de obras (que era o caso), faz um requerimento/informação às autoridades competentes com a data e hora. Estas, depois de avaliarem a situação, recomendam a sinalização apropriada para o local e deslocam, se tal se justificar, um agente da autoridade para ajudar a regular o transito na zona.
Isso dá trabalho e custa dinheiro. A crise manda poupar no essencial, mas não diz que isso é motivo para fugir aos compromissos, principalmente quando estes são geradoras de receitas a favor do Estado.
Desconhece-se se tal procedimento se aplica a ruas sem saída, como é o caso da Rua Paulo da Gama. Uma coisa é certa: nunca vimos por aqui nenhuma sinalização especial nem qualquer presença policial e por vária vezes foi a mesma utilizada como parque de veículos pesados, não no local supostamente desenhado para parque de ligeiros, mas precisamente no meio da rua...

No enchimento da ultima placa do bloco nascente, tudo se passou com uma normalidade assustadora. Até o carro da PSP esteve no local cerca das 09:00 do dia de ontem quando por lá passei, desconhecendo-se se a sua presença era para conferir documentação ou para gerir o tráfego, na zona temporariamente ocupada. Um dos nossos repórteres fotográficos já não detectou a sua presença, quando tirou a foto aqui apresentadas tiradas pelas 10:00.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O ataque

Nunca foi visto nada assim por estas bandas e se calhar não devem haver muitos exemplos de situações semelhantes por esse país fora.
Infelizmente para a actualidade com que gostamos de anunciar os flagrantes de uma construtora que nunca aceitou bem a contestação de que foi alvo e que se calhar nunca tinha passado por semelhante experiência, não me foi possível registar o ataque de que fomos alvo no dia 17 de Maio.
Numa rua sem saída, ocupada essencialmente com as viaturas pertencentes aos moradores da Avenida D.Manuel I entre o n.º 17 e 27, foi nesse dia invadida por betoneiras carregadas para ser feito o enchimento de uma placa que abrangia os blocos 2 e 3 do "Galheteiro". Não por uma nem duas betoneiras, mas sim por OITO camiões cisterna.
Para quem viu era um cenário digno de registo. Somente foi possível entre as várias fotos tiradas por moradores escolher a que tinha o maior numero de 'atacantes' na imagem.

Sendo o telemóvel hoje em dia um acessório presente na maioria dos portugueses e sendo o tempo de descarga de uma cisterna mais ou menos previsível por quem domina o ramo, não se compreende que numa zona residencial se deram ao luxo de ocupar a quase totalidade desta zona da rua como parque de camiões cisterna. Não foi referido no entanto qualquer incidente com os proprietários que usaram o estacionamento durante esse período.
Desconhece-se se devido à quantidade de fotos que foram tiradas no momento, ou porque realmente acharam que tinha sido um excesso, tal situação nunca mais se repetiu ao longo do enchimentos das placas seguintes.
Durante o dia de hoje procederam ao enchimento de mais uma placa e tudo se passou com uma normalidade assustadora:

Só é de lamentar que prestes a terminar as operações de maior impacto, as coisas se estejam a processar quase normalmente (só faltar tirar o pio à buzina da grua - ideias nos moradores não faltam!) como seria de esperar desde o início. Se os responsáveis no local, olhassem para trás e vissem que a construtora tem relevância no mercado e uma imagem a salvaguardar, metade dos artigos escritos não tinham simplesmente razão de existir.
Como este capitulo dos flagrantes está quase a acabar e não foi possível por questões de oportunidade e qualidade dos vídeos reunir mais exemplos (que foram demasiados), fica também aqui o registo de parte de um 'ataque' anterior, nos
terríveis tempos dos aterros no local.

video

Palavras para quê ...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O galheteiro

Habituei-me de tal maneira a ver o "Muro" da Vergonha de tão perto que me esqueci que este tem outras perspectivas para quem o vê ao longo da Rua Paulo da Gama.
Deliciei-me na semana passada ao conversar com uma moradora que o vê noutra perspectiva e que o trata carinhosamente por "galheteiro".
Regressei à maquete que construi num programa de desenho, a partir de dados retirados do Projecto 274/06 aquando das minhas consultas em Novembro e Dezembro do ano passado e tenho de concordar que as parecenças são enormes. Afinal não sou só eu que tenho uma imaginação fértil. Há moradores por estas bandas que dão uma ajuda preciosa. Só tenho é pena que quando me relatam factos que ocorreram na minha ausência, não mandem também fotos dos flagrantes para continuar a animar este blog. Dois dos artigos da lista dos 'Próximos capítulos desta novela' estão pendentes por falta de fotos apropriadas. Os outros estão à esperam de ser oportuna a sua publicação.

Entretanto começaram a enfeitar o "Galheteiro" durante a manhã de hoje:

domingo, 20 de julho de 2008

Foto da semana 29

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

As regras do jogo

A cidade está a mudar, existem ideias e projectos, mas para quem já viu um pouco de tudo, há aspectos que me preocupam. Como se pode modernizar e tornar atractiva uma cidade sem cair em tentações e não pôr a faca e o queijo na mão das empresas de construção/grupos económicos? As novidades são muitas mas apresentamos somente as imagens que de alguma forma podem interferir com a envolvente do nosso bairro.

As ideias/projectos

Um conjunto de projectos, alguns deles já em curso, promete assegurar uma regeneração urbana da cidade, nomeadamente na frente ribeirinha, alvo de intervenções de grande monta, como as do plano de valorização daquela zona e as resultantes do programa Polis.
Esta visão integrada e sustentada do território resulta num desafio a nível interno, proporcionando maior conforto e qualidade de vida aos setubalenses, e externo, ao aumentar a competitividade e modernidade do Concelho, em resposta aos desafios que estão lançados na região com o novo aeroporto de Lisboa, a plataforma logística do Poceirão e as grandes apostas turísticas no litoral alentejano.
O Plano Integrado de Valorização da Zona Ribeirinha de Setúbal (PIVZRS) destaca-se pelo conjunto de intervenções – num investimento de 8,35 milhões de euros – e pelas intenções que integra numa perspectiva de levar o Concelho a ser capaz de se afirmar cada vez mais na Área Metropolitana de Lisboa.
Num momento em que a Península de Setúbal está envolta em grandes decisões, a candidatura municipal do PIVZRS ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) reúne um leque de intervenções e acções complementares que visam dotar a cidade de condições objectivas de diferenciação e qualificação urbana que garantam ao Concelho competitividade, modernidade e capacidade de atracção de actividades.(...)
(...) regeneração de toda a Estrada da Graça, uma zona que fica por sua vez ligada a um outro plano estratégico que está em concurso, lançado no âmbito de um protocolo celebrado entre o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana e a Câmara Municipal. Este plano tem, também, como objectivo os investimentos público-privados para toda a área do Plano Integrado de Setúbal. Trata-se de outro projecto que vai ligar a intervenção Polis nascente à zona da Cachofarra. Além da requalificação urbana há dois outros projectos muito importantes que são a criação de um interface de passageiros numa área a definir na frente ribeirinha e o estudo de avaliação das condições para uma náutica de recreio. Estas são realmente componentes muito importantes e integradas para uma visão de futuro para Setúbal.(...)

(...) Hoje, continuou o vereador do Urbanismo, vive-se um momento importante para o concelho por estar em curso a revisão do Plano Director Municipal (PDM). O aprofundamento de matérias relacionadas com acessibilidades, transportes públicos e mobilidade urbana, bem como com a componente ambiental e a estratégia de desenvolvimento do turismo, que estão a ser alvo de estudos, são, no entender da Autarquia, áreas vitais no processo de revisão do PDM.
Numa altura de revisão do PDM, há habitualmente, salientou André Martins, uma aproximação de investidores às câmaras municipais, por forma a saberem da possibilidade de um ou outro investimento. “Desta relação surgiu a ideia de avançar para um conjunto de estudos urbanísticos”, acrescentou o autarca.
Uma das vantagens daqueles estudos é, referiu o responsável pelo pelouro do urbanismo, serem procedimentos simplificados comparativamente aos planos de pormenor por exemplo, porque não obrigam a actos administrativos com prazos tão morosos.

Outro benefício prende-se com o facto de, com estes estudos, haver um promotor que apresenta os seus interesses e existir a possibilidade de outros proprietários de zonas envolventes se associarem àquele plano. “Em vez de termos um estudo a avulso de determinado terreno, temos um estudo de uma área mais abrangente”, explicou André Martins.
O arquitecto Fernando Travassos, assessor do vereador André Martins para a área do Urbanismo e coordenador dos estudos técnicos apresentados, salientou que a Câmara Municipal “não abdica de maneira nenhuma de liderar os projectos que incluem parcerias privadas, uma vez que o interesse público tem de estar sempre salvaguardado”.
Fernando Travassos reforçou a ideia de que o processo de planeamento está agora a ser feito ao contrário. “Disponibilizamos os meios técnicos para identificar áreas sensíveis e desta forma alavancamos e incentivamos alguns projectos que os investidores têm para determinadas zonas”.
O assessor disse, ainda, haver um compromisso da Câmara Municipal para que o resultado dos estudos seja enquadrado em sede de revisão do Plano Director Municipal. (...)

As imagens

Com mais qualidade do que as apresentadas no Jornal Municipal - contribuímos assim para uma melhor informação da população de Setúbal.

  • 10 Náutica de recreio - O estuário do Sado tem todas as condições para a náutica de recreio. O que se pretende não é uma marina rodeada de habitação mas sim um conjunto de actividades económicas associadas à náutica de recreio.
  • 11 Plataforma intermodal - Projecto considerado fundamental em termos de organização do trânsito e com uma importância à escala regional. O terminal, para autocarros, comboios e barcos, pretende criar condições de acessibilidade geral quer para os setubalenses, quer para quem trabalha ou visita Tróia, quer para quem se desloca para o litoral alentejano.

  • 12 Estrada da Graça - Esta artéria privilegiada da cidade encontra-se degradada e tem grande potencial urbanístico, não só pela sua relação com o rio e actividade portuária, como pelo prolongamento da Avenida Luísa Todi.A intervenção caracteriza-se pela reabilitação da frente edificada e renovação funcional, bem como arranjo dos espaços públicos.

As preocupações

Será que não vão aproveitar a situação favorável – proximidade de eleições autárquicas, revisão do PDM, a zona 'virgem' que representa a área do Plano Integrado de Setúbal, gulodice de grupos económicos para criar numa zona ainda verde da cidade, uma 'Copacabana sem praia' numa espécie de réplica das transformações que estão a acontecer na Península de Tróia - para que a coberto de um projecto com umas propostas magnificas (vamos crer que realizáveis) não comecem a crescer mais mamarrachos nas Escarpas de S.Nicolau, Pedra Furada, Depósito de Àgua e Quinta da Parvoiça. Acho que se pudéssemos regressar ao passado, os autores e os que se tornaram compadres do "Muro" da Vergonha, tinham pensado duas vezes antes de começar a construir este belo exemplar (+) ...
Temos um exemplo aqui bem perto: Sesimbra - está modernizada, tem bons atractivos a nível do turismo, mas se olharmos para as encostas da vila vemos que há por ali muita coisa errada.
Quando pedimos aos grupos económicos para apresentar propostas, a partir das quais logo se ajusta o PDM de forma a puder ser lá implantado o novo projecto, isso mais tarde pode ter um aroma que se cheira ao longe...
Construção? Sim, mas equilibrada!

domingo, 13 de julho de 2008

Alerta: roubaram as quintas-feiras!

Até à pouco mais de uma década era um grande devorador de obras literárias. Chegava a ler um livro com uma quantidade substancial de páginas numa só noite. De todos os que li (e foram algumas centenas) ficou-me na memória o livro "As Três Sereias" de Irving Wallace, que romanceia uma civilização algures no Pacifico num grupo de ilhas conhecidas pelo nome do livro. Não há por lá personagens do tipo "O Engenheiro" (salvo seja), o Manuel "Alcatrão", o "Cherne", o "Pargo Mulato" e tantas outras que por aí circulam.
Na banda desenhada que li (aí foram vários milhares), sempre me ficou na memória uma história da Disney, em que um mestre do crime (o Mancha Negra, o tal que assinava sempre o seu “trabalho” deixando um papel com uma mancha de tinta negra) simplesmente roubou todas as quintas-feiras. Valeu a perspicácia do grande detective Mickey para recuperar as mesmas e assim os calendários ficarem novamente completos.
Esta história leva-nos para um mundo imaginário, onde se pode roubar uma coisa que é considerada universal: um dia da semana, ou seja, o Tempo.
O Sol (que nos aquece com os seus raios) não é suposto ter dono e portanto a máxima "O Sol quando nasce é para todos" faz sentido.
Durante as minhas pesquisas de Outono, houve uma frase me sobressaiu, não pelo seu conteúdo mas sim por alguém a ter escrito num documento oficial, onde caracterizavam esta zona como de (...) franca exposição solar a Sul, bem como a relação visual e emocional do sítio com o rio (..).
O "Muro" da Vergonha não nos vai roubar o Sol. Vai simplesmente escondê-lo.

Esta imagem foi tirada a partir de um dos quartos do edifício contiguo e na direcção SW (poente), onde se pode atestar a proximidade do Bloco 2 (contra o qual, foi no essencial a nossa 'luta') e que irá ter no final 7 pisos! Na imagem são visíveis os pisos 3 e 4.
Também na imagem, a nossa estação de rádio local - a grua - que não deixa ninguém dormir nestes quartos ao longo dos nossos 4 pisos.

Nunca me preocupei muito a verificar se esta "habilidade" também é utilizada em outras autarquias, mas segundo entendidos no assunto é uma invenção do Município de Setúbal, tendo o seu expoente máximo no Bairro Monte Belo, onde as imagens do urbanismo aí praticado servem seguramente para ilustrar o best seller "Urbanismo para Totós": dois edifícios podem coexistir desde que respeitem a distância mínima exigida por lei mas somente contada a partir das suas fachadas. Podem ter até esquinas comuns que tal é considerado mais do que legal!!!
Uma coisa é certa: favorece a conversa entre vizinhos de prédios diferentes que até podem partilhar a mesma corda da roupa...

A ultima 'bronca' de que tenho conhecimento neste município e que valeu a interrupção da construção durante anos, foi a de uma nova construção 'licenciada' entre a Escola Secundária do Bocage e a Variante da Varzea. Na imagem do Google ainda se pode ver a grua do 'infractor' ...

Foto da Semana 28

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

A Receita

O Muro que esconde o Bairro
Ingredientes:
  • Um terreno baldio (de preferência junto a um viaduto)
  • Um instituto público (com necessidade de umas massas)
  • Uma câmara municipal (que não gosta da sua cidade)
  • Uma construtora (à procura do lucro fácil)
  • Um secretário de estado (para dar a bênção)
  • Um fotografo camuflado da terra (terá a honra de uma ou duas perguntas no nosso jogo)
  • Meia dúzia de técnicos (para aprovar)
  • Sorte (q.b)

Preparação:
Procurar no baú se existe um projecto perdido que ainda possa valer uns cobres.
Arranjar uma câmara municipal que não faça muitas ondas.
Procurar uma construtora que não se importe de construir um mamarracho e que tenha familiares nessa câmara para poder dar uns retoques.

Confecção:
Coloque no terreno uma rectoescavardora (o sabor final será tanto melhor quanto maior o barulho que ela conseguir fazer) para nivelar o terreno e limpar muito bem mesmo de todo o canavial existente, tendo especial atenção às raízes para que o canavial não regresse em força caso os moradores da zona consigam parar a obra durante umas semanas através de uma Providência Cautelar. Nesta fase convém não retirar muito terreno junto aos alicerces de alguma vivenda que haja por perto não vá a mesma entrar em colapso. Se por um mero acaso tal acontecer voltar a colocar novamente terra no local mesmo que haja uma interrupção por ordem do tribunal.
Colocar todo o aterro num local próximo onde dê para fazer uma versão caseira de construções na areia, ou que sabe, mesmo um rally. Para que as pessoas que utilizem esse local não tenham problemas de deslocação abrir um caminho de cabras. A abundante sujidade nas ruas nas imediações será um sinal que se está no bom caminho. Se para alem disso os camiões e recroescavadores fizerem um barulho infernal, que será um autentico despertador (todos os dias pontualmente às 8 da manhã quando não é mais cedo) para os moradores das imediações, o produto final ficará com um sabor mais apurado. Um gerador industrial bem colocado por debaixo de uma varanda vizinha fará toda a diferença. Os seus gases incomodativos e tóxicos, para alem do barulho ensurdecedor, ajudarão na obtenção de um produto requintado. Uma grua colocada bem perto de um prédio existente, pode proporcionar bons momentos musicais, seguindo a velha máxima 'alegria no trabalho'. Se chover convem que a sua manutenção seja deficiente para poder distribuir presentes aos moradores, que podem parecer um tanto revoltados por tudo o que os rodeia.
Após ter preparado muito bem o terreno, iniciar a colocação de estacas podendo os operários das obras andarem aos pulos na maquina profuradora (para ajudar a bater bem as estacas) de forma alguma munidos de qualquer equipamento de segurança. Se no meio desta palhaçada cair as calças a algum deles, isso não representa qualquer problema pois servirá de motivo para umas boas gargalhadas dos permanentes observadores em cima do viaduto (ATL local).
Depois de colocadas as estacas podemos começar a construir o mamarracho. Especial cuidado nesta fase em caso de chuva forte. Pode haver derrocada nos terrenos circundantes e o local das escavações pode ficar uma autentica piscina.
É esperado nesta fase algumas peripécias provocadas por uns moradores irrequietos que parece que não têm mais nada que fazer. Há que ter paciência que brevemente esses contratempos vão ser ultrapassados e pode prosseguir alegremente a construção do mamarracho.
Quanto mais depressa se puder avançar nesta fase, melhor. Evitar trabalhar aos sábados porque anda sempre uma maquina fotográfica por perto e não vão fazer queixinhas, apresentando provas.
Manter um ritmo certo é o segredo. Negociar a venda das habitações fora de portas para que ninguém saiba quem são os senhores do papel envolvidos na tramóia. Deixar somente os menos interessantes (sem vista para coisa nenhuma) para meia dúzia de pessoas realmente carenciadas para tentar calar a boca aos críticos.
No final, iniciar a preparação de bancadas (fora do perímetro de segurança) para que o publico da cidade e muitos visitantes de ocasião possam assistir à implosão do mamarracho por ordem judicial, após uma longa e profícua batalha nos tribunais.
Faltando ainda construir três pisos, pode-se fazer já uma ideia de como ficará o produto final.

O bairro vai finalmente começar a ficar escondido. Para o tapar de vez basta construir outro mamarracho do outro lado da avenida!
Dose recomendada para 33 famílias: 25 ricaços e 8 famílias vulgares.

domingo, 6 de julho de 2008

Rewind

Quantas vezes somos surpreendidos pela noticia de mais um viaduto que pretendem construir num local que até por vezes desconhecemos, alegando os seus defensores que tal construção é a bem de um progresso a que todos temos direito. Por mais que ‘dourem a pílula’ nunca irão convencer as pessoas afectadas por obra tão inovadora, já que estas não se conformam em ter carros a passar a escassos metros das suas janelas.
Substituem uma vista para uma coisa qualquer, por uma vista para uma barreira sonora que até pode ser bem colorida com vemos por essas auto-estradas fora.
O caso mais mediático que conheço foi o que ocorreu à cerca de 5 anos com a construção do Viaduto em Algés – Lisboa. Aqui fica um artigo da época.

A CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) passou a contar com mais um quilómetro de troço. Trata-se do viaduto de ligação ao nó de Algés que permite o acesso à Marginal e à Avenida Brasília. Coube ao Primeiro-Ministro a inauguração daquela via.
Esta é a parte final daquela circular, que entra assim em Lisboa, mas fica a faltar-lhe um troço a meio do percurso, entre a Buraca e a Pontinha. A promessa do Executivo é de que este «pedaço» ficará pronto até 2005.
Todavia, vários organismos têm vindo a público para contestar a obra agora concluída. Os Bombeiros Voluntários de Algés clamam por melhores acessos ao viaduto e a Câmara Municipal de Oeiras teme o afluxo de transito sobre aquela localidade. Mas os protestos mais firmes vêem dos moradores da zona, que vêem agora uma ponte atravessar-lhes a vista, a cada vez que abrem a janelas de suas casas.

Por estas bandas gostamos de ser originais. Primeiro construímos os viadutos e só depois construímos as habitações.

Se a nossa inovação anterior (ideia original dos moradores) era um autêntico ‘ovo de Colombo’ até a nível mundial, esta agora a que os moradores são completamente alheios é um claro retrocesso à forma como convivem as vias de comunicação com as habitações.
Mesmo partindo do principio que o referido viaduto não tem actualmente um trafego significativo, esse é um dado sempre volátil. Se a edificação nesta zona prosseguir nos mesmos moldes como nós desconfiamos, essa teoria cai logo pela base.
Ainda existe duas situações que os possíveis compradores de tais habitações certamente desconhecem:
  • A junta de dilatação a poente do viaduto está danificada e a passagem de veículos a mais de 50 km/h ouve-se bem a algumas centenas de metros e deve-se ouvir ainda melhor por quem mora a escassos metros, isto porque quase ninguém respeita esse limite de velocidade. São poucos os que ali passam, mas são significativamente barulhentos.
  • A Avenida Belo Horizonte que integra o referido Viaduto é uma via que devido ao fraco tráfego nesta zona, é utilizada como ‘montra’ para exibir carros ou motos ‘artilhados’ sendo frequente a passagem de um ou vários carros/motos a velocidades bem perto dos 200 km/h. Confrontadas as Autoridade Policiais com tal facto, pediram ajuda aos moradores para tirarem as matriculas dos ‘aceleras’. Tirando os casos esporádicos em que estamos à janela/varanda por qualquer motivo, nem sequer conseguíamos ver a cor dos carros, quanto mais das matriculas.
Se para o primeiro caso a solução é fácil, basta a Câmara Municipal de Setúbal contratar a reparação da junta de dilatação à nossa construtora de eleição, (que só por um mero acaso até foi a mesma que o construiu e portanto ainda se deve lembrar de onde poderá vir o mal) comprando com o dinheiro de todos nós, o sossego dos senhores do papel a morar no "Muro" da Vergonha (+).
Para o segundo caso damos duas ideias. Como o fenómeno existe e não podemos tapar o sol com a peneira, ou colocamos um Policia junto a este exemplar do que melhor se faz a nível do urbanismo local ou então colocamos barreiras sonoras e lá se vai a vista privilegiada, que foi o principal motor para o aparecimento deste ‘aborto’ no bairro.

Foto da semana 27

Na imagem abaixo (preenchido a laranja) pode ser visualizado o que se encontra feito até ao momento

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sexta-feira, 4 de julho de 2008

O buzinão

Nós que deveríamos ter o exclusivo dos protestos, fomos ultrapassados por um operador de grua que durante o dia de hoje se fartou de apitar na irritante buzina da grua, estando particularmente activo a seguir ao meio-dia.
Desconhece-se os motivos dos protestos, mas se o operador estava danado por o suposto rádio de comunicação não estar a funcionar, por o terem deixado abandonado no topo da grua ou por não o terem convidado para almoçar, os moradores estavam com os cabelos em pé com tamanha barulheira.
Pelos vistos ainda não assimilaram que estão a trabalhar numa zona residencial e não no meio do deserto de um qualquer pais do Norte de África.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Aniversário

Faz hoje precisamente um ano em que pela primeira vez, moradores da zona tiveram contacto com o projecto 274/06 numa visita à Divisão de Urbanismo da Câmara Municipal de Setúbal.


Punha-se fim a uma série de dúvidas que nos assolavam desde que se iniciaram as obras de mudança de esgotos e aguas pluviais no local onde se continua a construir alegremente o "Muro" da Vergonha (+).
As justificações que as pessoas que se movimentavam na área nos davam constantemente, de que se tratava de impedir a instabilidade dos terrenos onde se tinha construído em 1998 o Viaduto sobre a Avenida D.Manuel I, devido à infiltração de aguas provenientes dessas condutas, não nos conseguiam convencer (estas obras ficaram manchadas por
um acontecimento só possível num país com muita pedagogia por fazer...).

Depois de ter ouvido os comentários um pouco estranhos que um peão do sistema disse a esses moradores, os quais já foram em parte anteriormente referidos, contactei um Advogado que me aconselhou a ir ver o projecto com os meus próprios olhos e a pedir logo de seguida uma audiência com o Sr. Vereador do Urbanismo André Martins, já que este demorava bastante tempo a dar seguimento a esses pedidos (neste caso só demorou quase 6 meses - estivemos reunidos no dia 25 de Janeiro de 2008).
Desloquei-me às instalações da Câmara na manhã o dia seguinte - 3 de Julho de 2007 - e juntamente com um Arquitecto da Câmara observei o projecto que se encontrava em fase de pormenor. Confrontei o Sr. Arquitecto com a sua proximidade ao prédio existente e ele garantiu-me que estava tudo conforme com as leis vigentes.
Não tendo ficado minimamente convencido, ficou o Advogado de estudar a melhor forma de fazer valer os meus direitos como morador e como cidadão.
Começava assim um
circo que ninguém pode dizer quando e como vai terminar.